O Twitter vale a pena, quando…
3 comentários Publicado por António Martins Neves 1 Maio 2009 em Sem categoria.
Internauta Fernando,
a miséria abunda aí, aqui também, é preciso mudar os sistemas políticos, económicos, fazer a revolução na cabeça das pessoas, encontrar líderes dignos desse nome. Sem dúvida! Mas vão acontecendo umas pequenas coisas que nos adubam a alma, para a manter viva. A história que te venho contar hoje é o exemplo acabado de que a vontade das pessoas é que faz avançar o mundo e o resto é conversa.
O episódio começa numa rede social que está muito em voga agora, chamada Twitter. A mãe de um autista trocava umas ideias com um deputado, através dos respectivos computadores, e veio à baila a doença do filho da senhora. O parlamentar tinha o fato de eleito vestido e perguntou-lhe o que poderia fazer de útil para minimizar o sofrimento dos que padecem de autismo e das suas famílias. A mãe, uma “especialista” na matéria, a que tem dedicado o melhor da sua vida, como só as mães sabem fazer em relação aos filhos, nem deixou cair a bola no chão: podem começar por deixar de se chamar autistas uns aos outros quando se querem insultar lá no Parlamento.
O deputado, que se chama Jorge Seguro e foi eleito pelo PS, aceitou o desafio e começou por fazer chegar a proposta aos outros colegas da Assembleia mais dados a estas coisas das novas tecnologias, que fazem com que eu e tu troquemos aqui cartas quase à velocidade da conversa.
Um “adversário” do PSD andava há tempos a fazer o levantamento das injúrias trocadas entre bancadas e formalizou a proposta ao presidente do Parlamento, que também não a meteu na gaveta. Abreviando, acabei por dar ar de notícia à história, de que aqui te deixo uma cópia.
Mas não dou por encerrada esta missiva sem te dizer que estamos na presença de uma excepção no que ao bom uso das fantásticas ferramentas da Internet diz respeito. Os políticos só se lembram delas nas vésperas das campanhas e apenas numa mera perspectiva propagandística. Excluindo os cerca de 60 deputados que usam o Twitter, não conheço casos de outros responsáveis da coisa pública, dirigentes partidários e afins que respondam directamente à plebe através das novas tecnologias. Para cúmulo, há dias precisei falar com directores de dois departamentos de comunicação de duas universidades. Sempre em reunião, como me asseguraram as respectivas secretárias, tudo o que me propuseram foi que enviasse um e-mail. Passaram três dias e imaginas o que aconteceu…ignoraram pura e simplesmente o que lhes solicitei. Nem ai, nem ui. Como estamos a falar de responsáveis universitários que dirigem departamentos onde são licenciados especialistas em comunicação, não preciso dizer-te mais nada…Ah, e um deles não tem telemóvel, garantiu-me a senhora que atendeu o telefone fixo.
Um tecnológico mas sentido abraço.
António Martins Neves
3 Responses to “O Twitter vale a pena, quando…”
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- 2 Pingback on Set 4th, 2009 at 10:03



Ah Ah Ah! Um deles “nao tem telemovel”…esta foi a melhor gargalhada que me conseguiram arrancar esta semana. A resposta da tal senhora é tipricamente patusca,tipicamente portuguesa. Faz lembrar o país atrasado,patusco e pitoresco dos filmes do Vasco Santana.