Prezado Fernando,
se te quisesse assustar, diria que quando voltasses daí para Portugal só poderias aterrar no Algarve. Os teus familiares viveriam todos em Espanha sem sair de casa, Lisboa seria uma cidade castelhana. O único bocado que restaria do teu país seria mesmo a faixa a Sul da Serra do Caldeirão. Não, não foi um sonho meu, foi um mapa publicado por um dos jornais tido como dos mais credíveis do mundo que me levou a concluir tudo isto. Começaria por te recomendar que visses esses canais de televisão em português que passam aí em Cabo Verde e que te fazem adormecer como o mais eficaz dos sedativos. Mas são em português. Característica que o famosíssimo jornal inglês Financial Times mostrava há dias, com um mapa, corresponder apenas a um quinhão do país que deixaste antes de voar para esse arquipélago africano.
Segundo a bíblia inglesa do jornalismo económico,  o que sobra de Portugal é o Algarve, e apenas com quatro “cidades”: Praia da Luz, Lagos, Albufeira e Faro. 

Para cima do Algarve é tudo Espanha. Distracção, incompetência, malvadez, ou o que devia ser o melhor jornalismo ao serviço de causas ocultas ou mal disfarçadas? Quem sabe se não é uma retaliaçãozinha inadmissível por não se saber ainda o que aconteceu a uma criança inglesa que desapareceu no Algarve? Quem me alertou para a “galga” foi a Maria João Carvalho, lá em França.
A “sobrevivência” do Algarve será por aquela região ser preferida pelos “holligans” ingleses para apanharem cancro de pele quando adormecem nas praias algarvias depois de passarem noites e dias a fazer a única coisa que sabem: beber cerveja? O artigo, que julgo ser do correspondente do jornal em Lisboa, fala da questão imobiliária e das opções entre comprar casa em Portugal ou em Espanha, países entre os quais não existem, na prática, fronteiras. Mas se alguém pensar que a postura inglesa é fruto de uma menor atenção, o Miguel Marujo fez o favor de nos elucidar. Nem quando presidimos à União Europeia e conseguimos acordar um tratado que estava empancado há anos conseguimos surgir nos alinhamentos noticiosos do outro lado do Canal da Mancha.
Se um jornal português dissesse que a Inglaterra fazia parte do País de Gales ou da Escócia e que a polícia britânica se comportava como um bando de lanceiros da Idade Média atirando sobre quem lhe ocorresse, como sucedeu com o imigrante brasileiro abatido a tiro no metro de Londres, devia ser o lindo! Ainda se fosse a dita imprensa tablóide…mas o ambicioso Financial Times, Fernando… Cheira-me a golpe baixo. Pelo sim, pelo não, como os ingleses ainda continuam a ser apontados como nossos aliados históricos, aconselho-te a ver os canais portugueses que tiveres por aí: não percas um episódio do Preço Certo, revê o Big Brother se puderes, devora tudo o que for telenovela brasileira e não perdoes nunca qualquer episódio da Vila Faia.
Um jornal financeiro assim, que sabe onde anda o dinheiro que manda no mundo, pode estar a enviar alguma indirecta com aquele ofensivo mapa. Vamos esperar para ver qual será o próximo “desenho” de Portugal que vão publicar. Palpita-me que só acontecerá depois de se saber, se algum dia acontecer, o que sucedeu a Maddie, a criança inglesa desaparecida que conseguiu tornar a Praia da Luz, onde dormia antes de se sumir, numa das únicas localidades assinaláveis no mapa do Algarve, aquele rectângulo a que um jornal supostamente credível reduziu um país com quase 900 anos de história e uma dimensão várias vezes maior.
Eu, no teu lugar, mantinha as portas todas abertas por aí e continuava a procurar casas com antenas parabólicas onde se vejam canais portugueses…

Um patriótico abraço.

António Martins Neves


3 Responses to “Uma afronta inglesa”

  1. 1 Maria João Carvalho

    E por falar em afrontas: contaram-me ontem que, em Portugal, os agentes da Polícia Judiciárias (masculinos… armados em parvos) espiavam com videocâmaras as suas colegas (no feminino) nas casas de banho de uma ou mais sedes da dita cuja instituição do Estado.
    Digam-me que é mentira, que foi mal lido, mal divulgado…sei lá…qualquer coisa assim. Porque, se não houve um escândalo diplomático pelo mapa do Finantial Times, eu também nada ouvi sobre esta violação da privacidade, assédio e outras coisas de que não me lembro agora, numa instituição puública portuguesa!!!
    Beijinhos de França…da indignada João

  2. 2 Maria João Carvalho

    e desculpem lá as gralhas…é da indignação…

  3. 3 FERNANDO PIRES

    olá maria joão carvalho,se calhar não te lembras de mim,conhecemo-nos em Macau no ano de 1994;trabalhava eu no G.C.S. !…estiveste em Macau com uma bolsa da fundação Oriente.Querias fazer uma reportagem na china e eu tentei disuadirte por ser perigoso o tema que querias abordar.Chamo-me fernando pires ,já estou em portugal e estou a pensar sériamente em montar um projecto no ânbito dos media-um Jornal Semanário e TV NET.Vivo em Castelo BRANCO.Penso que és a mesma Maria João Carvalho que conheci em Macau,és da Figueira da FOZ?Omeu Email:fernandopires@megamail.pt,tenho lido o que escreves, continuas a escrever muito bem, e o livro que querias escrever na viagem de barco, sempre o escreveste? Eu vim de Macau em 1998 e a partir daí fiz várias expedições em áfrica atravessei o Sahara com o pessoal da AMI.Ainda em Macau quando saí do G.C.S. fUI fazer uma reportagem á Coreia do Sul junto á zona desmilitirizada com a Coreia do Norte, no 11 de Setembro estava a chegar da Mauritánia,divorciei-me,e tem sido assim a minha vida desde que te conheci em Macau,reportagem e expedições, agora trabalho em informação para a pt contacto,mas é como referi lá atrás tenho na calha este projecto, vamos ver se corre bem, se quiseres dá noticias.UM BEIJO E MUITAS FELICIDADES PARA AS TUAS REPORTAGENS E ESCRITAS.