Um neo-nazi na valeta

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Liberal Fernando,
um pequeno apontamento para levar uma notícia carregada de simbolismo. Quase passou despercebido aqui e calculo que aí também. O líder da extrema-direita austríaca, Joerg Heider, morreu precisamente há uma semana num acidente de viação. A terra lhe seja leve. O que se soube depois é que o paladino da moral e dos bons costumes conduzia perdido de bêbado quando se despistou.

Não podia deixar passar este folhetim em claro. Soube das circunstâncias da morte nos cinco parágrafos que o jornal Público lhe dedicou na quinta-feira. O auto-intitulado modelo de conduta, como todos os neo-fascistas aliás, que se achava superior e odiava os emigrantes que ajudaram a transformar a Áustria no  grande país onde ele queria mandar, morreu como sempre viveu: sem honra. Sucumbiu na valeta da estrada e da vida. Como um dos sem-abrigo que ele discriminava.

E não penses que uma cerveja a mais, Fernando. Tinha estado numa discoteca e sabia que ia fazer uma viagem. A autópsia, disse o presidente do partido que Heider liderou em tempos, revelou que tinha 1,8 gramas de álcool por litro de sangue. Até em Portugal dava logo detenção. Imagina na Áustria. O Público enganou-se nas contas e diz que ele tinha uma taxa de alcoolemia três vezes superior ao permitido (0,25) no país.  Não! Tinha sete vezes mais. Públicas virtudes…

Morreu como viveu: afogado em hipocrisia e sem o mínimo laivo de dignidade.

Bom fim-de-semana.

Um democrático abraço.

António Martins Neves