Triste terra…

Crítico Fernando,

escrevo-te destroçado, politicamente falando, claro. O que retive esta sexta-feira no discurso do primeiro-ministro, além dos previsíveis anúncios de estradas, foi a palavra “absolutamente”, dita até à exaustão. Depois de ter ouvido o presidente do maior partido da oposição revelar, como maior preocupação, o facto da RTP ter publicidade e ele prometer acabar com os anúncios se for eleito chefe do próximo governo.

Estremeci e ainda não me recompus. O presidente do PSD, que já jurou publicamente abandonar a política, quando lhe estendem a passadeira na televisão sai-se com esta máxima: acabar com a publicidade da RTP. Achará que esta é a questão que ensombra o acordar diários dos portugueses.

Como se não bastasse, dois dias depois vem assumir que copiou a ideia do presidente francês Nicolas Sarkozy. Com o povo nas ruas por causa do encerramento de urgências, os professores quase em armas a manifestarem-se diariamente, o homem já anda de braço dado com a central sindical (CGTP) que acusam de ser controlada pelo PCP. Mas acha que o mais importante dos dias que correm é definir o financiamento da RTP. De mestre, Fernando!

Claro que o que toda a gente diz na rua e em casa é que José Sócrates tem garantida a reeleição com um adversário destes. Porque ninguém tem dúvidas sobre o que é dirigir mal um país ou ser completamente parreco e não ter a mínima noção onde se meteu.

Portugal não é dirigido por elitistas, nem sulistas, nem liberais e tem um povo que se bate para combater a falta de memória.Lidera a oposição quem deve – neste caso quem não sabe.

Teremos, portanto, um Governo à deriva, sem opositores que façam mossa. Quando houver desenvolvimentos, vou comunicar-te em primeira mão. Mas, não de te desanimes com o que acontece aí, com esses ataques entre gangues na praia, porque por aqui não é melhor. Têm é outro estatuto. Tenho prometido um fim-de-semana diferente. Segunda-feira terás novidades.

Um esperançoso abraço.

António Martins Neves


1 Response to “Triste terra…”

  1. 1 ricardo

    Ó António, o homem(o do PSD) falou para o Pacheco Pereira. Que ele sabe muito bem que os portugueses não acordam a pensar na RTP. Mas está ensurdecedoramente convencido que ninguém se deita ou acorda sem o Pacheco Pereira no pensamento. Este o problema do privado do Filipe, este o problema público do país. Não são bons os tempos estes. Mas também não são o pior que já passamos. Estou “absolutamente” convencido disso. Por exemplo, de 1928 a 1974 foi muito pior.

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