Tá lá?!

Pacato Fernando,
estarás mais do que informado sobre notoriedade que ganhou a agressão de uma aluna do 9º ano de uma escola do Porto à professora que lhe quis tirar o telemóvel na sala de aula. Foi já tornado num caso de polícia, com o procurador-geral da República a meter-se no barulho e queixas em tribunal da docente contra a protagonista daquele condenável episódio, o colega que filmou e o resto da turma, que assistiu impávida.
As imagens obtidas por telemóvel que foram disponibilizadas pelo seu autor na Internet, para mostrar ao mundo a “proeza”, têm sido exibidas pelas televisões até à náusea. Basta haver um pormenor novo no caso e lá vem de novo a fita.
Passada assim com esta insistência, parece-me muito mais que a exibição tem por objectivo chocar do que informar. Mas o que verdadeiramente (há alguém que recorre a cada minuto a esta palavra e agora não me ocorre o nome…) ainda ninguém terá feito é começar no imediato a trabalhar para evitar as muitas situações do género que ocorrem diariamente nas escolas deste país sem que se saiba delas fora das quatro paredes da sala de aulas. Se não se consegue de um dia para o outro, quanto mais cedo se começar melhor: o restabelecimento da autoridade dos professores que a perderam dentro da sala de aulas.
Essa devolução não é nada fácil, mas será por aí que o problema terá que ser resolvido. Sem que os alunos se convençam que o professor é a autoridade dentro da sala, alguém que deve ser respeitado (respeitar), não me convenço que haja solução para este problema grave. Penalizações na Justiça surgem completamente desadequadas. No cenário onde surge o obstáculo é que ele deve ser ultrapassado. Se assim não for, é como um pai que perde o controlo sobre o filho em casa e vai pedir ajuda ao vizinho, que é polícia e tem uma pistola…
E nas escolas, por este andar só falta mesmo vir alguém – até estou a pensar já numa criatura que até foi ministro e acha que os problemas do país se resolvem quase todos com mais GNR e PSP – a defender um polícia em cada sala.
Mas como problemas radicais podem ser resolvidos com soluções igualmente fortes, pode-se sempre seguir o exemplo que te envio junto, um método que corta o mal pela raiz e não levanta o mais ténue protesto ou sombra de contestação, no exemplo apresentado.
Ah, e outra solução é proibir estes equipamentos na escola. Quem insistir fica sem o aparelho e nem se fala mais no assunto. Há uma dezena de anos eles quase não existiam e as escolas funcionavam. Melhor até, porque não tinham esta fonte de problemas. E se me permites, falo-te em apenas mais uma questão que também não pode ser esquecida: a vocação para ser professor. Não é quem quer, é quem pode. E disso também nunca ouvi falar.

Um respeitoso abraço.

António Martins Neves


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