Folgazão Fernando,
sei que não tens tatuado no braço “Amor de Mãe” nem te conheço adepto dos novos métodos para homens e mulheres sós travarem relacionamento. Mas quero dar-te a conhecer o último grito na matéria, curiosamente vindo das entranhas do Portugal profundo, pois o método deverá dar muito que falar – e amar, espera-se. Um euro e um telemóvel e está feito: “Para o Natal vem aí outra”.A história saiu um destes dias no jornal Público. O repórter fez-se à estrada para nos contar o país para além do Algarve e das praias, o outro Portugal em Agosto e deu de caras com um novo “hit”, o último grito a que recorrem os corações solitários e mais empedernidos para matarem a solidão: compra-se a revista Ana e já está. Pelo menos é o que conta o protagonista da história, polvilhada com muita miséria humana, uma receita daquelas que ninguém vai copiar mas que são “cozinhadas” todos os dias, a pontapé. Tribunal para cá, tribunal para lá, queixas de abuso sexual, maus-tratos, crianças a sofrerem, uma família desfeita. Solução? A revista Ana, dispara o homem sem ponta de ressentimento. Vai aos anúncios, telefona e já está, assim quase como quem estala os dedos. E não penses que está um grande segredo por trás desta “técnica”. Afinal, garante o nosso homem, “há muitas mulheres que precisam de homem”. Pelos vistos…
Foi assim quando a sua família se desintegrou e o entrevistado se viu na situação inversa: um homem a precisar de mulher.  Agarrou-se à célebre revista, telefonou e logo apareceu uma mulher. A reportagem não conta pormenores, mas não deve ser difícil imaginar a “companheira” carregada de sacos com roupa, um filho de cada lado, a bater à porta e a dizer: “Bom dia, eu sou o teu novo amor”.
Bom, a verdade é que as coisas nem sempre correm pelo melhor, o Tribunal anda de olho no que passa lá em casa e a mulher temeu vir a apanhar por tabela e, antes que fosse tarde de mais, fez o caminho de regresso. Mas lá está sempre a revista para ajudar quem precisa.
“Já tenho outra companheira. Vem para o Natal”, diz o tal homem que escreveu para a eternidade no braço que tem “Amor de Mãe”. Assim como se  encomenda e espera por um peru, um leitão, um bacalhau para a consoada, há quem se disponha a esperar por uma “companheira” estes meses todos. E ela também, imagina-se, mesmo a “precisar muito de homem”, a fazer fé no experiente leitor dos anúncios da Ana.
Quando chovem comunicados e press-release nas redacções a anunciar as mais modernas técnicas de “dating”, uma americanada pelo qual se paga muito bem para tentar, relatam as abundantes reportagens, desencantar um amor para vida e ali, numa aldeia igual a tantas outras de Portugal, onde só vai parar quem se perde ou as mulheres que anunciam a solidão na Ana, um homem com uma vida triste conta a um repórter sortudo como tudo, afinal, é bem simples. Um telefonema e…algum tempo de espera, pelos vistos. Há prazos para tudo, Fernando. E o coração e o corpo também têm que saber esperar. E no Natal uma casa cheia costuma ser sinal de alegria. Ao menos uma vez no ano! 

Um abraço bem a tempo.

António Martins Neves


0 Responses to “Solidão? Nã!! É só ir à “Ana”…”

  1. No Comments

Leave a Reply





PARCEIROS