Scolari, Mourinho e os que são importantes
Publicado por António Martins Neves 24 Setembro 2007 em Portugal.
Afastado Fernando,
o nosso país anda em chamas, apesar dos poucos fogos florestais, daquelas que ninguém vê mas de que todos falam e abrem telejornais e enchem as primeiras páginas da imprensa. A razão de tudo? O futebol. A única “força” que move este povo. Está na altura de uma nova carga da cavalaria fiscal, dirão os argutos funcionários governamentais que gerem a contabilidade da pátria. Depois do murro que o seleccionador português, Felipe Scolari, deu (ou falhou) num jogador adversário de Portugal, o emigrante português mais famoso - o treinador José Mourinho – deixou a equipa inglesa do Chelsea. Qualquer tremor de terra, mesmo pior que o de 1755 teria feito menos estragos no ego das lusas gentes.
Como bem sabes, nós aqui não valorizamos o trabalho e a dedicação, mas antes a emoção e as aparências. O parecer em vez do ser. Só assim se compreende que se tenha instalado uma quase campanha nacional para tentar ilibar o líder da selecção nacional que quis agredir um jogador sérvio no final de um jogo. A “patroa” UEFA deu-lhe quatro jogos de castigo mais uns trocos de multa e aí quase caiu o cristo-rei mais o Padrão dos Descobrimentos. Um exagero, diz a “malta da bola”, citada por várias pessoas que conheço e por mim próprio. Como foi um exemplo gratificante, vai ficar tudo em águas de bacalhau. Custará muito mais a qualquer um de nós pagar uma multa por estacionar mal quando precisamos ir à farmácia aqui em Lisboa num dia em que não haja jogos de futebol do que aquele homem suportar o “castigo”. Não duvido das suas competências, mas a única saída era demitir-se depois daquele ultrajante exemplo equiparado a um garoto de dez anos a dizer que estava a defender o matulão colega de escola. Adiante.
Ainda mal refeitos daquela “questão nacional”, cai-nos, desta vez, uma sopa no mel: José Mourinho rescinde com o Chelsea por uma quantia que ninguém sabe verdadeiramente qual foi mas que, feita a média dos palpites, poderá rondar a discreta quantia de 30 milhões de euros.
Que foi de comum acordo, parece que é verdade. Mas não deixou de ser uma atitude do patrão que quis despedir um empregado. Ele fez-se pagar caro, mas saiu. E todos ficaram contentes. Ele porque ganhou mais do que se lhe tivesse saído o totoloto e a maioria dos portugueses porque acha isso mais um passo de sucesso de uma figura em que se revêm há muito tempo. Dás-me um pontapé no rabo mas pagaste-me bem pelo chuto.
Eu, que gosto de me emocionar com boas causas e, apesar de achar que nasci em Portugal por acaso, altera-se-me a expressão facial quando ouço o nosso hino, não me recordo de nenhum destes dois homens ter feito algo que me arrasasse os olhos de água como muitos outros o fizeram recentemente.
Vanessa Fernandes, Francis Obiqwelu, Naide Gomes, Nelson Évora, Telma Monteiro e vários outros atletas, com destaque para os para-olímpicos, fizeram subir a bandeira portuguesa nas cerimónias de consagração bos maiores palcos do desporto mundial. E isso é que me faz erguer o orgulho de ser português. Mas parece nada valer para a maioria, além de uns telegramas e uns abraços. Até os jogadores da selecção de râguebi, a única amadora num mundial de profissionais, mostraram que o desporto pode arrastar consigo valores bem mais importantes do que o dinheiro que domina por completo a indústria a que ainda se chama futebol.
Fernando, por esses todos sim, eu torço, sofro com eles e até canto o hino quando estão no pódium. Lembro-me nessas alturas dos anos de trabalho árduo que cumpriram, dos sacrifícios inconfessáveis que fizeram para compartilharem connosco aqueles escassos minutos de glória. Mas venceram e isso alegra os que se sentem próximos. É uma verdadeira festa colectiva. Para o peditório dos milhões eu não quero, nem preciso de dar. O negócio é lá com eles e eu nunca joguei na bolsa.
Um desportivo abraço.
António Martins Neves



Amigo , António Martins Neves.
Não posso mais estar de acordo com o que escreves acerca essas grandes projectões espectaculares, e na~menos espectatucres reviravoltas no status quo, em fluxo dinâmico, movidas a vapor do capital e que tanto assombram e atentam as massas.
Alieinei-me, dsde há bom tempo,desde há bom tempo desse circo futebolístico, por via de uma ponderação dos feitos e efeitos nutridos sistemaicamente de questiúnculas, em que é corrempido o desportivismo. Paz á minha alma; recebo com gratidão os feitos de dedicação e esforço e vitória matizados pela humildade, com agrado, quando deles me aprecebo Paz à minha alma e à desses humilde destacados.