Sequíssimo Fernando,
tu que pensavas que o tempo dos piratas já tinha passado, fica sabendo que eles continuam a existir e quiseram afundar o navio que transporta a nossa correspondência. O nosso e os restantes da frota. Para quê? Para nada. Nenhuma das embarcações transporta ouro, especiarias ou pedras preciosos. Apenas informação ou entretenimento útil a todos.

Mas há umas criaturas que se regem por outros princípios que não os básicos da civilização humana e gostam de se divertir a mandar os barcos dos outros ao fundo, por puro prazer. Tivemos a sorte de ter atento um homem que evitou o naufrágio do navio, apercebendo-se da abordagem dos que devassavam as embarcações mais importantes de toda uma frota. Fizeram uns rombos, mas quase todos já estão a navegar e agora de casco reconstruído e muito melhor preparados para enfrentar assaltos cobardes do género.
Quiseram destruir por destruir, mas vão ser chamados às tábuas (como eles dizem)  e pagar por isso, porque hoje qualquer criminoso deixa rasto. E quem comete crimes, como eles, tem que ser penalizado. Porque vivemos num país com regras (leis). É só aguardar, Fernando, que tudo se vai recompor e o gesto, decalcado da época das descobertas, de  afundar um navio ou escorraçar os habitantes de uma ilha por puro prazer, já não fica impune no Século XXI. Já não são empalados, nem esquartejados a sangue frio, mas têm que responder perante as leis de uma república moderna que teimam em ignorar, apesar de viverem e desfrutarem dela. Querem só a carne, mas têm que lhe roer os ossos. E cá estaremos nós para o assegurar, se necessário for.
Garantido é que não voltaremos a ficar impedidos de trocar a nossa correspondência por capricho alheio.
Um saudoso abraço.

António Martins Neves


0 Responses to “Piratas e cobardes do Século XXI”

  1. No Comments

Leave a Reply





PARCEIROS