
Financeiro Fernando,
aí, como aqui, é o petróleo que faz andar as gentes. É o maldito crude que faz mover a economia do mundo inteiro. E é esse bem indispensável que aumenta quase por dá cá aquele barril. Especulação pura e dura no mais importante bem da economia mundial? Pois, parece que sim…E sobre isso ninguém fala. Sabes quem paga, não é? Todos nós, uns directa, outros indirectamente…
Já quase nem é notícia o aumento de combustíveis aqui. Foi quando chegou aos 100 dólares o barril e tal, mas depois ninguém mais achou que fosse importante. Recorde absoluto, máximo, parecia quase que os jornais económicos tinham passado a noticiar o desporto, sem explicar porque razão os atletas haviam atingido impensáveis marcas.
Ao primeiro olhar era um caso de dopping. Mas depois fui alertado por algo ainda mais simples, para além da falta de razões objectivas para aumentar o preço da gasolina. Pago em dólares, o petróleo em bruto baixou de preço para os europeus que usam o euro como moeda. Numa troca de mensagens assinadas e bem curiosas que circularam por mail, fiquei a saber coisas tão simples como que um barril de petróleo a 100 dólares agora equivale a 68 euros, enquanto antes, quando a moeda única europeia valia menos, quando queríamos ir ao mercado trocar euros por dólares recebíamos menos. Assim sendo, neste momento custa-nos menos o petróleo do que em 2006, por exemplo, quando o barril valia 70 dólares. Aí, como o euro estava mais baixo (confesso que procurei e procurei no famoso motor de busca norte-americano Google e não encontrei o valor), o petróleo saía-nos mais caro do que agora…
Bom, e depois há aqueles célebres “analistas” citados pelas agências financeiras que vêm justificar os aumentos porque o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, espirrou e pode estar com gripe, o que implica uma quebra da produção de crude naquele país, ou que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, apareceu a esfregar as mãos antes de um discurso e com os olhos ainda mais pequeninos, a sugerir que se prepara para fazer “alguma ao Ocidente” e baixar as exportações daquele viscoso e indispensável “ouro negro”, como lhe chamavam antes. E nós a pagar, na electricidade, no gás, na água, nos transportes, na alimentação, na…em tudo, Fernando! Nada escapa.
Contrapartidas: subidas brutais do crescimento económico de países como Angola (acima dos 20 por cento), que continua a ser dos estados mais pobres do mundo (imagina!), na Venezuela (onde a miséria continua a grassar), nos Estados Unidos, obviamente, onde estão as maiores petrolíferas do mundo e as que se fartam de engordar à custa dos aumentos, os árabes, que se dão ao luxo de manter 150 cavalos num pavilhão com ar condicionado, como é o caso do rei da Arábia Saudita, o dono país… e, por fim, mas o mais importante, os governos dos países sem reservas nenhumas que vêem aumentar as receitas de cada vez que o petróleo sobe, porque o imposto que lançam sobre os produtos petrolíferos é percentual e não o baixa, como forma de arrecadarem mais receitas. Todos no mesmo prato e para que lado pende a balança??
Dizem que a culpa é da China e da Índia, cujo desenvolvimento fez subir a procura de crude. Simples: bastava terem aumentado as extracções e o mercado estabilizava. A quem interessa este descalabro, Fernando? Isto terá alguma coisa a ver com as visitas do Bush à Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico para vender armas aos donos do petróleo, a arrotarem crude por todos os poros?? Se tiveres melhor explicação, avisa-me!
Um “desinflacionado” abraço.
António Martins Neves

