Distendido Fernando,

ouvi uma mulher a chorar em directo na televisão.Telefonou para um daqueles programas de desabafos que se chamam sugestivamente Opinião Pública e lavou-se em lágrimas. Disse que era brasileira e estava num farrapo. O assalto a um banco em Lisboa realizado por conterrâneos agravaram-lhe ainda mais o sentimento de segregação que já vinha sentindo pelo sotaque. É assim que se vive na União Europeia, no século XXI. E muito pouca gente se importa. Acho que a maioria até elogia, a avaliar pelo que se lê na Internet.

Pensavas tu que a questão das nacionalidades e das culturas era coisa do passado, no que toca a discriminações. Puro engano, Fernando. Estão vivas e emergem por dá cá mais um tiro. Dois homens, supostamente nascidos no Brasil, assaltaram um banco em Lisboa. Fizeram dois reféns. A polícia acabou com o caso matando um deles e deixando o outro gravemente ferido porque o atirador falhou. Meteu-se um vidro pelo meio, a bala perdeu força e não lhe estoirou o cérebro como estava previsto. Regozijo do povo: eram brasileiros.A onda de xenofobia que cresceu neste país que achas de brandos costumes só veio confirmar o que te vinha a dizer há muito tempo nas nossas cartas. Somos um país de racistas primários, ignorantes, que vimos na diferença mal quando ela só nos enriquece, que não percebemos a evolução que emerge quando as culturas se juntam. Por isso, a mulher falava e chorava. Vive em Portugal há muitos anos, é o seu país de adopção mas sente, cada vez mais, que é olhada de lado, por ter nascido noutra terra. O seu filho também é apontado na escola, realçava ela. Agora, com dois conterrâneos seus metidos num assalto, a mulher estava em pânico. Vão confundir a árvore com a floresta, mirar com desconfiança quem fala com sotaque. Retenho a atitude do director nacional da PSP que se recusou a falar na origem dos criminosos. Teria sido bom que os seus subordinados não tivessem vindo antes dizer que tinham sotaque brasileiro…Ficou a intenção. Esperemos que pegue de estaca e a polícia anule o racismo que é alimentado nas suas fileiras.

Um rápido abraço.

António Martins Neves


10 Responses to “Ouvi uma mulher chorar”

  1. 1 gina

    os cidadãos ciganos são incompativeis com os cidadãos africanos ,la para a quinta da fonte,ao que parece por negocios de armas que não correrem muito bem, e os portugueses só não foram apelidados de racistas nesse episodio porque n estavam lá.
    Uns brasileiros resolveram fazer um assalto a um banco,por acaso sequestraram e tiveram uma arma apontada a dois portugueses (podiam ser de outra nacionalidade qualquer)e lá somos racistas outra vez.
    olha essa historia de sermos racistas já enjoa,existe racismo em todo o mundo, sempre que alguem se julga superior ao outro por causa da pele,está mal mas existe e até hoje ainda não se conseguiu acabar com isso.
    Tou farta é de me considerarem racista só porque sou branca e nascida em portugal.
    Não gostei de ver uma mulher com 3 filhos,acabar um dia de sequestro com uma arma apontada é cabeça com os raptores a pedir um carro para fugirem com o dinheiro,quando teria sido mais facil entregarem-se o que seria bom senso.Mas como alguem n teve esse bom senso foi o que se viu.

  2. 2 ammneves

    Obrigado pelo seu comentário. É sempre bem vinda. Lamento é que ache que o pensamento não possa evoluir, como sempre aconteceu até agora. Ah, e convêm não esquecer aquele senhor alemão do bigodinho, sabe? Nunca o esqueça, mas nunca é nunca. Para que não se repita.

    Cumprimentos

    António Martins Neves

  3. 3 gina

    nem a preposito,mais um assalto em que se levam crianças,e lá somos racistas outra vez,um familiar que leva uma criança para um assalto?e sai em liberdade e vai meter um processo à gnr e ao estupido do agente qe às as tantas ainda prova que houve intenção e premonição de matar,,
    tá bem, vamos lá esperar que o pensamento evolua,já que os comportamentos continuam na mesma.continuemos a trancar o carro,e evitar praias,discotecas,olhar em volta na hora de meter combustivel no carro e de ir ao banco,tudo porque somos paranoicos com a mania dos assaltos,continuemos a pagar os subsidos para 2 milhoes ficarem em casa armados em coitadinhos enquanto lhe pagamos,enquanto tem trabalha todo o ano e desconta tem de aceitar a lei dos jogos e capacitar-se que o que lhe compete é tar de cabeça baixa.
    a preposito, não gosto do srº do bigode ,não faz o meu genero e representa tudo o que deveria ter sido banido com a concretização da evolução do pensamento,quer dizer há uns bons seculos.
    cumprimentos e boas ferias

  4. 4 ammneves

    Olá, Gina.
    Presumo que está a atribuir outra vez a culpa às “raças” que diz existirem por cá. Fico na dúvida, mas parece-me. Mas está enganada, como provam os factos. Não, não estou a falar no que vê na televisão à noite… E todo o seu discurso vai dar no tal senhor de bigode. Só assim pode justificar que a violência tem a ver supostas raças ou culturas. Vá ver nas estatísticas e afaste de vez essa ideia errada que tem acerca dos imigrantes. A taxa de estrangeiros reclusos nas nossas cadeias não é superior à dos nacionais. Quanto aos dois milhões, lute para acabar com a miséria. Com a moral, também. Sabe que os países mais ricos e onde se vive melhor são os que têm maior taxa de imigrantes??? E que nesses países pagam subsídio de desemprego a quem não tem trabalho? Parece-lhe imoral? Que nunca fique desempregada. Olhe que os defensores das ideais que a senhora sustenta escondem os mendigos com tapumes.
    Cumprimentos,

    António Martins Neves

  5. 5 ricardo

    Ó António, vá lá, convida a Gina para uma beberagem à sua escolha… tu apenas escolherás o sítio. Dessa escolha poderá depender a evolução ideológica ou a contracção abstracta do pensamento da Gina. lembro apenas aquilo que o tio Borge dizia para exolicar estes pequenos “coisos”.

    O problema de muito boa gente é que já se deixou da dialéctiva há muito tempo, não por razão especial, apenas porque pensar por imagens é mais fácil e não obriga a essa chatice que é perceber que é tão simpático erra como acertar, desde que com isso se aprendam algumas merdas.

  6. 6 fernando peixeiro

    Ricardo, deixa-te estar aí que estás bem. Aqui já um brasileiro não pode assaltar calmamente um banco numa plácida tarde de Verão que se gera logo um 31. Mas que gente com mau feitio!!! Deixem lá a malta, eles, os bancos, não passam a vida a assaltar-nos a nós? Ontem passei à porta do dito banco, não tem gracinha nenhuma, tá mesmo a pedir para ser assaltado. Não sei é que é que o tal homem alemão de bigode faz na história. Mas se der para ir beber um copo eu também quero ir.

  7. 7 gina

    Como é que se luta para acabar com a miseria? agradeço que o iluminado srº Neves publique o manual, boas ferias e cumprimentos e abraços

  8. 8 C

    Olá

    Sou um leitor fiel desta correspondência desde o seu início e sempre me mantive por isso mesmo: leitor…no entanto e perante os comentários que surgiram, não consigo ficar calado. Não porque o meu amigo António necessite de alguém sair em sua defesa porque disso trata ele, mas porque também eu me senti ofendido com a Gina. Todos devemos ter o nosso direito de expressão (isso é um bem inequívoco e primordial) mas também devemos evoluir e aprender com aqueles que nos podem ensinar mais qualquer coisa, quer pela sua vivência, idade, capacidade ou pura e simplesmente porque somos todos diferentes. A intolerância é que nos leva a situações de pura estupidez como a de assaltar um banco e pensar que sai tudo bem como nos filmes, mas mais estupidez é ainda dizer que será uma ou outra razão externa a personalidade de quem o faz que o condiciona seja ela a cor da pele, nacionalidade ou credo… pois é minha cara Gina… aconselho-te em vez de pedires “manuais” que os leias pois eles já existem e já agora toma lá uma coisita para pensares;

    Amin Maalouf escreve “…Por facilidade, englobamos as pessoas mais diversas no mesmo vocábulo; por facilidade também, atribuímos-lhe crimes, actos colectivos, opiniões colectivas – “Os sérvios massacraram…” os ingleses destruíram…”, “os judeus confiscaram…”, “os negros incendiaram…”, “os árabes recusaram…”. Emitimos friamente juízos sobre esta ou aquela população que consideramos “trabalhadora”, “hábil” ou “preguiçosa”, “susceptível, “manhosa”, “orgulhosa” ou “obstinada”, juízos que terminam muitas vezes em sangue.

    Sei que não é irrealista esperar de todos os nossos contemporâneos que modifiquem de um dia para o outro os seus hábitos de expressão. Mas parece-me importante que cada um de nós tome consciência do facto de que as nossas palavras não são inocentes e de que as mesmas contribuem para perpetuar preconceitos que demonstraram ser, ao longo da História, perversos e assassinos … ” .

    Porque se é o nosso olhar que aprisiona muitas vezes os outros nas suas pertenças mais estreitas é também o nosso olhar que tem o poder de os libertar.” p.p.30-31, Edição da Difel

    Abraços Neves

  9. 9 Giovana

    António,
    Escrevo do Brasil. Sou brasileira e hoje acabei de ter contato com este blog. Gostaria de me expressar. Não defendo nenhuma posição. Imagino como é difícil para os portugueses verem seu país invadidos por imigrantes, normalmente pessoas sem qualificação que vão para Portugal em busca de melhores oportunidades. Essas pessoas aqui também exercem funções inferiores. O que elas intentam indo para Portugal é exercerem o mesmo tipo de trabalho, simples e sem exigências de diploma, mas recebendo um salário digno, coisa que infelizmente não acontece aqui no Brasil. Quanto aos supostos brasileiros que assaltaram o banco, entendo também a indignação do povo português. Se para vocês é revoltante, para nós é vergonhoso! Se está tão ruim aí, que voltem para o Brasil.
    Aqui no Brasil temos recebidos imigrantes ilegais vindo da Bolívia, um dos países mais pobres da América do Sul. Você sabe que eles tem características físicas diferentes das nossas, brasileiros. São bem morenos, de cabelos lisos, com traços de índios dos Andes. Portanto, facilmente identificáveis. Mas um dia desses, em uma reportagem da TV mostrando alguma coisa em uma sala de espera de um hospital público, vi um desses imigrantes (aqui não se recusa atendimento médico no sistema de saúde público). E confesso que fiquei muito feliz por ver aquele boliviano recebendo um atendimento no hospital, coisa que talvez não teria em seu país de origem.
    Bem, é o que eu queria dizer. Devemos abrir nossos corações. Mas sendo justos.
    Obrigada,
    Giovana

  10. 10 brasileiro indignado

    tem português no meio!!!!

    http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1030020-5606,00-SUSPEITOS QUE JOGARAM CASAL DA NIEMEYER SAO RECONHECIDOS POR OUTRAS VITIMAS.html


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