Ó tu que fumas!

Fumador Fernando,
da próxima vez que aterrares aqui na lusa pátria vais ter que pensar sempre que meteres a mão ao bolso para tirar o cigarrito…E vai ser logo à chegada no aeroporto, a partir de 01 de Janeiro. Nada de fumo. Mesmo que saias de um daqueles aparelhos que poluem e fazem mais pela destruição do Planeta do que bando de inocentes, meter um cigarro à boca é que é quase como puxar de uma arma de nove milímetros (proibida a civis).
Como sabes, deixei de fumar, se não me engano (sou péssimos para datas e efemérides) vai fazer quatro anos em Fevereiro. Não fiquei anti-tabagista nem daqueles fundamentalistas que consumiam quatro maços e depois quando conseguem parar lhes apetece chamar a polícia quando vêem um cigarro. Parece quase inveja. Nem fui a médico nenhum nem nada. Foi tudo resolvido aqui dentro. Muitos casos alheios parecem quase conflitos mal resolvidos ou será um forte espírito democrático que os move? Escolhe.
Acho que fiz bem, sinto-me outro, deixei de ter vários problemas de saúde, passei a praticar exercício físico regularmente…é bem verdade que deixar de fumar é uma excelente  e inteligente opção. Só depois de a tomar podemos constatar…E não se perde nada. Só se ganha bem estar.
Temos então que o nosso Governo quer tratar-nos da saúde e diminuir o número de fumadores ao máximo. Claro que os custos de tratar cada pessoa que contrai cancro por causa do tabaco é uma barbaridade. Facto nada desprezível para quem passa a vida a fazer contas. Depois virão, dizem os jornais, a maioria dos restaurantes e bares a optar por ser lugares de não-fumadores, para além dos espaços fechados públicos, esses por obrigação.
Já estás a perceber: ir beber um café e…fumar um cigarro, nem pensar. Depois de almoço? Impossível! Com o whisky depois de um belo jantar? Ilegal.
Não me parecia mal a mim, que só me beneficia o facto dos outros não me mandarem fumo para os pulmões, se isso fosse assim e o resto estivesse feito. Ruas quase sem carros, libertas de fumo, auto-estradas a fluir e comboios repletos…Em suma: se fossem tomadas decisões que impusessem medidas, a par da proibição de fumar, que melhorassem de facto a nossa saúde e contribuíssem para termos uma vida menos doentia e, mais importante ainda, garantíssemos que a nossa descendência ficaria pelo menos com o que nós herdámos.
A este ritmo, seguindo as “directrizes” que chegam do outro lado do Oceano Atlântico, poderemos continuar a poluir impunemente ( e a matar consequentemente) a queimar nos carros e nos transportes convencionais petróleo a 100 dólares o barril, mas o que é realmente mau (tanto que os políticos se preocupam com a saúde das pessoas – e a indústria farmacêutica também ) é fumar, a caminho de tornar na pior coisa do mundo. Não é nada recomendável, mas se o objectivo é poupar vidas, tinham tanto por onde começar e ser mais eficientes… Porque será que não o fizeram?

Um despoluído abraço

António Martins Neves


1 Response to “Ó tu que fumas!”

  1. 1 Guinevere

    Queridos amigos,

    Nunca fui fumadora. Fumo uns cigarritos de quando em vez. Odeio poluir e faço os possíveis para minimizar a minha contibuição para a destruição do planeta. Até me estou a tornar uma fanática da reciclagem.
    Mas, quem quiser fumar que fume à vontade. É uma questão de liberdade de escolha, de democracia e de bom senso.
    Acho estas leis anti-tabágicas mais que perigosas. Não teremos a liberdade de fumar onde queremos e quando queremos, desde que tenhamos o bom senso de não incomodar os outros? Pergunto: não será esta lei completamente anti-democrática e por inerencia anti-constitucional? E logo, um perigo para os direitos conquistados?
    Deixo-vos esta reflexão e imensos beijos.


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