Circunspecto Fernando,
quando leres esta minha carta, no Dia do Trabalhador, vais achar que estás sob fogo cruzado, com tanto disparo. Não te vou relatar bons sentimentos desta vez (a vida não é so flores), mas narrar-te como uma criatura consegue governar uma ilha portuguesa durante 30 anos e tudo o que lhe ocorre chamar a adversários e compatriotas é fascistas. Acredita que é verdade. Temos democrata, portanto.
Claro que a data não tem nada a ver com ele. Curriculo de trabalhador não se lhe conhece. Já se houvesse o Dia do Manipulador… Um democrata, como se apregoa, é assim: o único ser com legitimidade para pisar a Madeira e arredores. Já percebeste que te falo do inefável Alberto João Jardim, o rei do marketing político em Portugal, que a todos insulta e nada lhe acontece. A versão mais aconchegante do “quem não chora não mama”. Ganhou uma espécie de carta verde que ninguém lhe consegue tirar, por mais vezes que seja apanhado em contramão. Vocifera impropérios contra presidentes da República, insulta compatriotas, ignora instituições da República que lhe garantem o poder! Um despudor…
Mas, lá no fundo, é tudo fachada, Fernando. O homem, que parece um daqueles cowboys americanos a berrar “a lei sou eu” há 200 anos, é incapaz de tirar a arma do coldre. E se conseguisse dar um tiro seria apenas de pólvora seca. Ao primeiro duelo era trespassado, porque a única arte que pratica é a do insulto, da intolerância. Já se fez fotografar de cuecas, a empanturrar-se de marisco e imperiais em orgias estivais na ilha de Porto Santo, tudo imagens de uma marca que vende bem lá na terra dele. Tu já lá foste Fernando em trabalho (eu também, mas em passeio) e, se não me falha a memória, esse sujeito achou que o que tu relatavas não era do seu agrado e tiveste que fazer a malaantes de tempo. Fascistas, diz ele.
A receita é simples, mas sempre de pólvora seca. Da que assusta os pardais que abundam por aqui. Tiros a toda a hora, petardos diariamente, carnaval pelo menos uma vez no ano e eleições de quatro em quatro…E vão 30 anos.
Agora tem mais um “desafio”: ganhar umas eleições que “convocou” porque lhe exigiram cumprir orçamentos, coragem que ninguém tinha tido. Ele, o rei do betão, dos túneis e das estradas, que mandou fazer uma marina onde dizem que não entram barcos…Sobre as pessoas, não fala o “democrata”. É ele e só ele e mais nada que ele. Nem sucessores. Mal comparado, parece o Fidel. Nem confia na família. Para mim, parece-se mais com o Hugo Chavez, outro grande “democrata”, que terá já encomendado a cartilha produzida na Madeira para se perpetuar também no poder através de eleições livres. Em troca, “empurra” milhares de emigrantes madeirenses na Venezuela que não confiam naquele revolucionário que promoveu a família toda a grandes dignatários do regime e depois diz que é comunista ou socialista ou democrata. Só que esse consegue ter mais que pólvora seca. Tem petróleo. O “Chavez” de cá não tem nada, a não ser o que identifica um tiranozeco…De tiro em tiro, a criatura vai afundando cada vez mais a Madeira. E nem o off-shore lhe vale. O que promete fenómeno natural: a ilha vai afundar-se num mar de poncha…
Um sóbrio e democrático abraço.
António Martins Neves

