O perigo da neve quando o mato arde
Publicado por António Martins Neves 10 Novembro 2007 em Portugal.
Temperado Fernando,
achei hilariante e muito inspirada essa tua carta sobre a importância que o tempo tem na vida das pessoas, mesmo que elas não dêem por isso. Mas quase inédito foi o que ouvi numa gravação telefónica da Protecção Civil esta semana: o país a arder e com temperaturas inusitadas de 25 graus à beira do Inverno e eles a advertirem a população para os problemas do frio e da queda de neve.
Essa não passaria pela cabeça do mais imaginativo passageiro de táxi incapaz de ficar em silêncio mais do que 15 segundos, certo? Mas era o que acontecia esta semana quando se ligava para a Autoridade Nacional de Protecção Civil e se pedia uma extensão que estava ocupada. Aparecia uma gravação a advertir as pessoas para as consequências do frio…O povo todo de manga curta, a humidade cá por baixo, o número de incêndios a bater os recordes do ano (embora as áreas devastadas sejam menores, obviamente) e a Protecção Civil, expedita nos últimos tempos em alertar para duas rajadas de vento e o perigo dos vasos nas janelas, vem falar de frio e neve (ouvi eu) quando o calor impera e as previsões não arriscam quando pode cair uma gota de chuva.
Com pormenores, Fernando! Recomendam que se quem resida em sítios sujeitos a ficarem isolados por nevões reunam e armazenem alimentos com muitas calorias, entre outros conselhos normalmente usados à beira de ondas de frio ou comuns em países nórdicos.
Só que não era nenhuma tradução. Tão simplesmente uma gravação apresentada por um serviço que é só quem coordena o socorro das catástrofes, fogos florestais incluídos. No pino do Inverno, quando andarmos com água pelos joelhos, vamos ouvir na gravação recomendações para não fazer piqueniques nem grelhados nas matas e nos protegermos do calor com chapéu, protector solar e afins.
Como vês, Fernando, é fácil falar do tempo e acabar a dizer mal do Governo como em qualquer táxi. Então assim quando, nos dão motivo de conversa, até a viagem decorre mais depressa…
Um discutido abraço.
António Martins Neves



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