Maddie, o filme

Foto PNNArgumentista Fernando,
estamos a viver em filmes ou quê? Que fitas são estas que nos entristecem e amarguram? E não penses que a minha pena vai escorrer hoje para águas menos lodosas, porque o braço está a levar-me para “estórias” que eu não controlo mas que me perturbam de uma forma brutal. Encenações à parte, os pais de Maddie, a criança inglesa desaparecida no Algarve, admitem permitir um filme…para receberem dinheiro em troca…e financiarem as buscas da filha que nunca mais aparece. Será este o actual mundo da fantasia, Fernando? Aí, instaura-se um inquérito a uma pessoa por suspeita de abuso de menores e cinco anos depois arquiva-se o processo porque não são encontradas provas para a acusar. Aqui, na Europa, o argumento que promete agora é o dos pais de Madeleine McCann (Maddie), a criança que desapareceu em Maio do ano passado, que estarão dispostos a receber dinheiro para que alguém facture com um filme sobre o sumiço da filha, alegando que assim poderão continuar a procurá-la…Não te confundas, porque é claro como a água.

Li em vários jornais portugueses que tinham acedido vender a “história” a uma produtora americana, depois a uma inglesa, o porta-voz (sim, porque os britânicos a quem desaparece um filho conseguem dinheiro para contratar alguém que fale por eles aos ávidos compatriotas jornalistas sequiosos de escândalos e desgraças) confirmou tudo e depois apareceu o pai a desmentir no dia a seguir. Uma história clara e vinda de gente coerente que sabe que caminho quer percorrer. Depois lê-se que vão vir mais uns três americanos, especialistas em transcendências, que vão “sentir” onde está a criança. Irão emparelhar com os detectives espanhóis que prometeram encontrar a miúda até ao Natal? Provavelmente…
Como se todo este folclore com base numa desgraçada realidade não bastasse, o pai de Maddie dá (mais) uma entrevista para dizer pela primeira vez que não devia ter deixado a filha sozinha com os irmãos no apartamento enquanto jantava com a mulher e os amigos num restaurante próximo. Imagina que teve que ser uma revista americana, a Vanity Fair, a arrancar-lhe tamanha confissão. Nunca antes ninguém lhe deve ter tocado no assunto…Mais vale tarde do que nunca. Recordo que ela tinha três anos e os irmãos, gémeos, são mais novos. É preciso quase um ano para o homem vir admitir o que toda a gente aqui pensava desde a noite em que a menina loira de olhos azuis desapareceu.
Temo que o filme destas fitas todas não tenha um final feliz. A polícia portuguesa anda fechada em copas, sem alimentar esperanças, a família dela não deixa de apostar no marketing e numa aparente indisfarçável manipulação da opinião publica cujo objectivo se desconhece, as pessoas tendem a esquecer o caso e… a criança não aparece. Todos de mãos atadas, ninguém com respostas. Racionais, mágicas, do outro mundo, panteminices….nada! Mas os milhões sempre a correr, atenção. O fundo para a encontrar está nas lonas, e dizem os jornais, a história do filme é para reabastecer e voltar a investir nas buscas…
Por aqui me fico, porque com estas barbaridades eu tenho muita dificuldade em lidar…

Um desiludido abraço.

António Martins Neves