Maddie: a casa dos ingleses não tem telhado
Publicado por António Martins Neves 6 Dezembro 2007 em Portugal.
Avisado Fernando,
o inevitável aconteceu. Quiseram pulverizar-nos com o desaparecimento de Maddie no Algarve e agora apareceu-lhes numa esquadra de polícia um homem que se tinha sumido há cinco anos. Não duvides porque é a própria imprensa britânica que relata. Uma história tão atabalhoada que só indicia que lá a polícia a investigar não pode falar do que se passa por cá. Nem a opinião pública ou os jornalistas ou…quem quer que seja.
Diz o ditado: quem tem telhados de vidro, não pode atirar pedras ao ar. Neste caso, os ingleses deviam rezar para que não chovesse, porque têm a casa completamente destelhada. Como em muitos outros países do mundo. Ser arrogante não costuma ser uma boa estratégia de vencedores, mas de fugas para a frente características de cobardes e inseguros.
Os factos são estes: sábado passado entrou numa esquadra de polícia situada 375 quilómetros a Norte de Londres, numa terra chamada Savile Row, um homem que disse ter 57 anos e atirou para o agente de serviço: “Acho que sou uma pessoa desaparecida”.
O homem deixara de ser visto há cinco anos quando fora fazer canoagem para o mar. Os relatos dizem que apareceram uns vestígios do caiaque, mais do colete de salvação, mas do sujeito nada. Menos mau do que cá, dirás tu. Da Madeleine McCann, quatro anos, caso mundial de desaparecimento como nunca se vira, sabe-se muito menos e nunca apareceu nada. Fica o envolvimento e mobilização da polícia e das pessoas para encontrar uma criança que não se sabe o que passou ou estará a passar. Talvez nunca se saiba mesmo, arrisco eu. E estava sob vigilância dos pais, supostamente…
A invulgar criatura diz que se chama John Darwin e se esqueceu do que lhe aconteceu nestes cinco anos. Acreditas? Bahhh. Só sabe que é dado como desaparecido? Enlouqueceu? E viveu onde? Decidiu ir comprar cigarros e…dar uma volta que acabou agora? Para adensar mais o mistério, a mulher também desapareceu. Dizem os vizinhos que depois de vender a casa e, obviamente, sem fazer o luto do marido, terá ido viver para o Panamá. Mas o homem aparece agora e diz que não se lembra de nada? Acreditas? Eu não…
Mas a polícia britânica não tem nada a dizer e, pelos vistos, a imprensa local também não. Tudo é crível, tudo é aceitável, todos estão a fazer o que devem… Sorte a dele! Se tivesse ido fazer canoagem no Algarve imagina as centenas de polícias que tinham andado envolvidas nas buscas, a Marinha de Guerra, os directos das televisões inglesas, as reportagens da falta de segurança no mar…e as campanhas contra as autoridades portuguesas, a apontar sempre a incompetência. Assim, em Inglaterra, é tudo normal. Um homem desaparece, sabemos lá se para comprar cigarros, volta cinco anos depois, e todos acham misterioso, mas não levantam dúvidas. Nem a polícia, que parece acreditar piamente na versão e só ouviu uns psiquiatras que disseram umas coisas que não ajudam nada a clarificar por onde andou e o que fez um homem durante meia década.
Caro Fernando, a todos nós já nos apeteceu, digo eu, ir comprar cigarros e só voltar um dia. Mas teríamos como certo que ninguém iria acreditar se voltássemos ao “nosso mundo” numa esquadra de polícia a apresentarmo-nos como desaparecidos. A estupidez tem limites e há responsabilidades a acatar. No Algarve, na Inglaterra, em todos os países civilizados. Caros ingleses: coloquem lá um telhado na casa primeiro e depois pensem bem antes de atirar um calhau.
Um protestante abraço.
António Martins Neves



Caros amigos,
Quem realmente não tem telhados de vidro?
Em Portugal também faltam há muitos telhados escaqueirados.
Por exemplo, porque é que a comunicação social anda com a Maddie ao colo há meses e deixou cair o Rui Pedro durante tantos anos? O que tem feito a PJ para encontrar as inúmeras crianças portuguesas que têm desaparecido, mas que não são filhas de alguém, pretensamente, importante?
E agora, outro exemplo: a Esmeralda, ou melhor, a Ana Filipa. A menina que depois do Natal vai viver com o homem que a fez geneticamente e vai deixar os pais que a aconchegaram durante seis anos e fizeram dela a criança que é hoje (mesmo contra o parecer dos médicos que falam em sequelas mentais e emocionais irreversíevis). Pergunto eu, humildemente: onde está a justiça? Onde está a protecção dos direitos dos menores em Portugal? Onde está a sociedade civil que se mobilizou (e bem) para ajudar a encontrar a Maddie e assobia para o lado quando os direitos básicos desta menina estão a ser violados e violentados? E a comunicação social que, neste caso, se limita a umas notícias refundidas no meio de jornais e noticiários?
E mais não digo… por agora.
Abraços enormes para os 2.