Lula da Silva deixou entrar a “turma” na vinha
fechado Publicado por António Martins Neves 12 Fevereiro 2008 em Portugal.
Fernando, adoptado por um povo irmão,
histórias insólitas acontecem em todos os países, mais ou menos irmãos, muito ou pouco afastados. Mas não passam de peripécias, difíceis de imaginar, mas pouco mais que inconsequentes. O pior é quando um povo irmão se vê abraços com escândalos que começam onde devia estar garantida a transparência, o carácter e a seriedade de quem foi eleito. Como já deves ter deduzido, falo-te do Brasil e do seu presidente, a braços com mais um “escandalão” daqueles, depois do “mensalão”, agora é o fartar vilanagem do cartão… Rima e parece mesmo que é verdade. Mas gostava de aproveitar a embalagem e conhecer os gastos dos nossos governantes e respectivos gabinetes com os cartões de crédito. Por cá, nem temos direito a saber onde gastam o dinheiro público com estas modernas formas de pagar…
Uma ministra já se demitiu, três tiveram que vir explicar-se publicamente e o presidente brasileiro, Luís Inácio “Lula” da Silva não deve andar a passar noites descansadas. Já tiveram que classificar as despesas do seu gabinete com os tais catrões como segredo de Estado por razões de segurança. É que lá publicam esses gastos na Internet para o povo eleitor saber o que faz quem votou e prometeu…
Diz a imprense que dez membros do seus gabinete gastaram quatro milhões de euros com os tais cartões desde que o presidente tomou posse, metade em levantamentos em máquinas multibanco. Não conheço o regulamento de atribuição de cartões nem de utilização, mas levantar dinheiro em papel cheira-me que não foi para pagar despesas de representação oficiais.
Eis o Brasil mergulhado em mais um escândalo de suspeita de corrupção a minar o próprio presidente da República, que apesar de todas as evidências anteriores de pagar aos deputados dos partidos de que precisava para fazer passar as leis no Senado, acabou a ser reeleito. Com muito jogo de cintura, muito contorcionismo, muita “cara-de-pau” como dizem lá, Lula ludibriou o impossível e quero crer que a esmagadora maioria dos brasileiros crê que o presidente sabia do “negócio”.
Mal sarada aquela ferida, e eis que se abre um golpe ainda mais profundo na credibilidade do regime daquele país fantástico. Novamente a corrupção a sobressair como um vício incontrolável, mesmo de quem sabe que há organismos para fiscalizar mas é incapaz de não prevaricar.
Gastar o dinheiro do povo, é o que se retêm de um comportamento assim. Estar perto e ser “servidor” do presidente não é missão pública mas privilégio, dinheiro fácil e mordomias, como restaurantes e ginásios, num país onde poucos ricos têm tudo e grande parte do povo vive nas favelas, quase sem nada e afogado pela miséria desde que nasce até que morre.
Isto acontece com um presidente que foi um operário, pobre como quase todos. Tão ladrão é o que vai roubar as uvas como o que fica a vigiar se alguém vê, e Lula não podia deixar ninguém entrar na vinha. Mas deixou e tenta esconder, diz que são sombras ou levanta um muro à volta para não se ver mais roubos de uvas. Opta pelo pior caminho, e há analistas que dizem que este pode não ter regresso. Uma, duas vezes, surge a suspeita do pântano, como já disse um primeiro-ministro sobre o estado do país aqui em Portugal. A justiça vai ter que fazer o seu caminho. Doa a quem doer. Quem prometeu ser o presidente dos pobres não pode alimentar o seu séquito de funcionários como ricos, gastando em mordomias o que devia ser gasto a matar a fome aos muitos que têm.
Dirás tu que eles lá hão-de resolver os problemas deles, são uma democracia, têm mecanismos de controle….Espero que assim seja! Só gostava era que cá houvesse uma regra que obrigasse os nossos governantes e políticos, mais os seus funcionários, a publicitarem os gastos com os cartões de crédito que usam. Porque será que não o fazem, Fernando?
Um desconfiado abraço.
António Martins Neves

