Fidel arreou
Publicado por António Martins Neves 20 Fevereiro 2008 em Portugal.
Democrata Fernando,
hoje acordei com uma bela notícia, coisa rara. Fidel Castro decidira “renunciar” ao cargo de líder/comandante/ditador de Cuba. Já não era sem tempo. Cinquenta anos faz lembrar o que aconteceu por cá, e as ditaduras são regimes totalitários, quer os apelidem de esquerda ou de direita. Acho que a liberdade é uma característica fundamental para qualquer ser humano se realizar na plenitude. E quando outro igual lhe retira essa “benesse”, independentemente do que quer que argumente, estamos em presença de um tirano que impede, como foi o caso cubano, de pensar pela sua própria cabeça. Ou achas o mesmo do que eu ou és um traidor, realizava ele na prática, que tinha quase 100 por cento dos votos em eleições onde participava quem o regime que controlava com mão de ferro (prisão, tortura) permitia. Recuando uns anos, aqui em Portugal encontramos uma realidade semelhante.
Verdade é que em Cuba há saúde de graça, educação também gratuita…mas não há liberdade. Se tudo fossem as maravilhas que o velho comandante quer fazer crer, numas eleições livres ele teria ganho. Mas não há um único ditador que aceda ir a votos livres, por mais que apregoe que as suas ideias são as melhores do mundo.
Mas foi bom Fidel ter reconhecido que já não podia mais dirigir o país…Só que a pessoa mais capaz para o fazer, como nas piores dinastias, à laia da Coreia do Norte, é o seu irmão, em vez de um filho…
Uma revolução pode justificar-se para derrubar uma ditadura, mas para pôr de pé uma democracia, não para a substituir por outra, como fez o barbudo cubano.
E com a desculpa dos americanos a boicotarem as relações comerciais também não foi longe. Quando queremos evitar que os gatos se peguem no saco, convém ter um cão grande por perto. Os Estados Unidos aceitaram desempenhar esse papel e acirrar cubanos opositores ao regime do seu país contra Castro de uma forma que acabou por o beneficiar.
Nunca fui a Cuba, mas fiquei revoltado com o que os cubanos passavam quando vi um documentário sobre os balseros, aqueles pescadores de horas livres que arriscavam a vida em cima de uma câmara-de-ar de camião noites inteiras com um candeeiro e umas barbatanas nos pés para conseguirem reunir mais algum alimento para casa. E era proibido fazerem-no, porque alguns começaram por aproveitar a ocasião e arriscar fugir para a Florida norte-americana, do outro lado de um canal mortal para muitos.
Lembro-me ainda de Angola e do que as tropas enviadas por Fidel contribuíram para a desgraça daquele povo, apoiando quem está agora no poder a cair de rico num país dos mais miseráveis do mundo que liberta petróleo por todos os poros e está entre os maiores produtores de diamantes.
Quem diz que defende os interesses do povo, tem que dar a palavra ao povo, livremente. Fidel nunca o fez. Reprimiu, prendeu, torturou em nome de uma suposta revolução. Foi um tirano, pois é assim que se chamam as pessoas que reprimem os que não pensam exactamente como ele.
Por isto tudo, tive hoje um acordar melhor que o habitual ao ouvir na rádio que o presidente/chefe cubano havia passado a pasta ao irmão. Dizem que vai haver mudanças. Espero que sejam as certas e que permitam aos cubanos viver em liberdade, sem se deixarem subjugar pelos vizinhos americanos, mortinhos por deitarem a luva à ilha pela mão de interpostos mercenários. Que haja eleições brevemente e que tomem o futuro nas suas mãos. Pode não ser o melhor do mundo, mas será o que eles desejarem…em liberdade.
Um liberto abraço.
António Martins Neves



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