Doze fora nada
Publicado por António Martins Neves 27 Maio 2007 em Portugal.Decansado Fernando,
os tempos por aqui não vão muito de exaltar os sentidos, como os cheiros que sugeres. Mais os sentimentos. E nem ao fim-de-semana uma criatura se livra do que vai aqui nesta praça de hortaliça estragada. Directo ao assunto, acho que será útil conheceres o que se passa com as eleições antecipadas na cidade onde tens a tua casa. Temos uma câmara falida, uma dívida descomunal, uma capital paralisada e, senta-te para não caíres, 12 benevolentes cidadãos que se vão esfolar para ficar com a “menina” nos braços. Costuma-se dizer que quando a esmola é grande, o pobre desconfia. Mas se o que há para fazer em Lisboa nos próximos anos é equilibrar as contas, excluída que está a desejável descoberta de uma mina de ouro, então porque são tantos a querer gerir uma casa só para pagar dívidas?
Da extrema-direita à extrema-esquerda, a dificuldade é escolher, Fernando. E o PS, partido que domina o país com um governo sustentado numa maioria absoluta no Parlamento, apostou o que podia e atirou mesmo o seu “número dois”, o “ministro da segurança”, António Costa, para se encarregar da tarefa de conquistar o Município ao PSD. Depois surgiram candidatos como cogumelos no montado quando chove no Outono: em todo o lado. Mas também aqui, como na recolha dos ditos fungos,a dificuldade é distinguir os comestíveis do venenosos. Numa consulta rápida, constata-se que só em 1979 o Município de Lisboa teve mais candidatos numas eleições do que nestas intercalares, provocadas pela queda do elenco liderado por Carmona Rodrigues (independente eleito pelo PSD).
A piada (permitida, mas frouxa) durante uns dias foi perguntar a quem se encontrava na rua se já tinha anunciado a candidatura. Entre quem se apresenta pelos partidos e os que se dizem independentes, o resultado promete ser uma confusão enorme e uma gestão ainda mais difícil do que a que estava e que não deixou nada de positivo para a história de Lisboa.
A grande vantagem: fartura para escolher. Ninguém pode dizer que não se revê em nenhum dos candidatos anunciados. A desculpa há-de ser mesmo a praia, porque as eleições irão cair no meio de Julho e essa coisa de ir votar por aqui motiva apenas um em cada dois de nós. Com a perspectiva de uns mergulhos em troca da cruz no papel, estás a ver o que aí vem…Obervado assim friamente, os eleitores de Lisboa têm os autarcas que merecem. O caos continua instalado no trânsito, cada vez menos gente mora no centro da cidade, o orçamento esvai-se como que por magia e…chega de te apoquentar, a ti que nem terás que votar, que tens praia por perto e não tens problemas de trânsito nem resides na periferia. A não ser que queiras ser o 13º. Se um dia acordares com esse desejo, não te inibas! Conta com a minha assinatura, Fernando.
Um abraço descrente (politicamente, claro)
António Martins Neves



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