Dois terços dos lisboetas nas tintas para a cidade
fechado Publicado por António Martins Neves 16 Julho 2007 em Portugal.
Recenseado Fernando,
acaba de se saber aqui quem vai ser o presidente da Câmara de Lisboa nos próximos dois anos e eu fui a correr saber números: votaram menos de 200 mil das 524 mil pessoas inscritas, o que dá uma abstenção a rondar os 60 por cento. Ganhou António Costa, o candidato do partido no Governo, mas muito seguramente o presidente de Lisboa eleito pelo menor número de votos de sempre. É a democracia a esvair-se pelos dedos. Dizia-te na última carta que seriam umas meias eleições numa meia cidade. Enganei-me. Foi bem menos que isso. Só um terço dos lisboetas se dignou participar, o que mesmo em início de férias (num dia em que choveu) é difícil de entender. E depois queixam-se, como se usa dizer…
Estava a ouvir os discursos de vencedores e dos assim-assim, porque ninguém perde nestas alturas, e a lembrar-me que andam quase tantas pessoas por aí, em Cabo Verde, a espalhar bagos de milho e feijão pelas escarpas à espera da chuva como lisboetas que se disponibilizaram a decidir por quem querem ser liderados. Um em cada três abdicou desse papel e deixou serem os outros a decidir. Se estivesse em causa as maçarocas de milho e as vagens de feijão, como aí, outro voto aconteceria.
Mas ganhar não significa tudo e o vencedor não vai ter vida fácil, pois precisa de mais três vereadores para juntar aos seis que elegeu de modo a conseguir fazer passar as suas propostas nas reuniões. Retive uma mensagem do vencedor: em 01 de Setembro vai começar uma operação generalizada de limpeza da cidade, que bem precisa. Se queres que seja franco, devia começar lá pela autarquia, varrendo as largas dezenas de assessores que por lá pululam à custa dos nossos impostos só porque têm cartão partidário, estão desempregados e, na grande maioria dos casos, ninguém os quer sequer para fazer sombra. De resto, a cidade precisa ser limpa, lavada, por dentro e por fora. E não pode esperar, como aí, pela chuva. Tem que ir à barrela mesmo se não chover. Ou devia. Muito sinceramente, mais depressa acredito que esses pontos coloridos, como lhes chamas, vão colher uma belas maçarocas com as chuvadas que o céu vai mandar para aí do que Lisboa cai nas mãos de gente séria a pensar no interesse público.
Um apático abraço.
António Martins Neves

