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	<title>Comentários em: Conte-me como foi</title>
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	<description>Um mar de palavras e memórias</description>
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		<title>Por: António Martins Neves</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/portugal/conte-me-como-foi/2008/06/comment-page-1#comment-4941</link>
		<dc:creator>António Martins Neves</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 14:02:22 +0000</pubDate>
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		<description>Caro João,

a história poderia até passar na televisão mas num daqueles programas da manhã ou da tarde em que se enchem chouriços e se fala tudo e o mais que ocorrer para &quot;entreter&quot;. Nunca num noticiário. E mesmo assim acho que o ângulo devia ser a questão da solidão, de como ela afecta mais as pessoas seniores e o caso apontado como uma solução e um exemplo a seguir. Mas se calhar seria mesmo melhor pegar no casal e levá-lo ao estúdio e ter uma conversa com  eles. Agora, tratado desta forma, exacerbando valores machistas, não acho aceitável.
E o machismo que me preocupa não é o do homem, que viveu 88 anos a pensar daquele modo e já não se espera que consiga ver o mundo com os outros olhos, nem da mulher conformada. É de quem nos conta a história, que a apresenta do pior ângulo possível, vista à luz dos valores dos protagonistas, dando um cunho sensacionalista e entrando pela vida das pessoas só porque eles deixaram.
Quanto ao feminismo: se olhares bem à volta, constatarás que a igualdade de género é algo que está ainda muito distante. E não temos o exclusivo. Basta atender ao número de mulheres presidentes ou chefes de governo dos quase 200 países do planeta. Os dedos das duas mãos devem sobrar para as contar. E as mulheres são pelo menos metade da população mundial...

Abraço</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro João,</p>
<p>a história poderia até passar na televisão mas num daqueles programas da manhã ou da tarde em que se enchem chouriços e se fala tudo e o mais que ocorrer para &#8220;entreter&#8221;. Nunca num noticiário. E mesmo assim acho que o ângulo devia ser a questão da solidão, de como ela afecta mais as pessoas seniores e o caso apontado como uma solução e um exemplo a seguir. Mas se calhar seria mesmo melhor pegar no casal e levá-lo ao estúdio e ter uma conversa com  eles. Agora, tratado desta forma, exacerbando valores machistas, não acho aceitável.<br />
E o machismo que me preocupa não é o do homem, que viveu 88 anos a pensar daquele modo e já não se espera que consiga ver o mundo com os outros olhos, nem da mulher conformada. É de quem nos conta a história, que a apresenta do pior ângulo possível, vista à luz dos valores dos protagonistas, dando um cunho sensacionalista e entrando pela vida das pessoas só porque eles deixaram.<br />
Quanto ao feminismo: se olhares bem à volta, constatarás que a igualdade de género é algo que está ainda muito distante. E não temos o exclusivo. Basta atender ao número de mulheres presidentes ou chefes de governo dos quase 200 países do planeta. Os dedos das duas mãos devem sobrar para as contar. E as mulheres são pelo menos metade da população mundial&#8230;</p>
<p>Abraço</p>
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		<title>Por: Joao Vasco Almeida</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/portugal/conte-me-como-foi/2008/06/comment-page-1#comment-4939</link>
		<dc:creator>Joao Vasco Almeida</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Jun 2008 13:16:25 +0000</pubDate>
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		<description>À excepção da Maria Teresa Horta e da sua claque brasileira, que se indignam com uma piada d&#039;O Inimigo Público, as manifestações de feminismo têm aquela força tamanha da manifestação do benfiquismo ou do santanismo.
Polemizando: o feminismo tem o objectivo torto. Sinceramente não compreendo como se luta ainda por direitos iguais quando, neste momento, as senhoras deviam lutar sim por deveres iguais. Há uma estranha diferença nestas duas atitudes, e raramente se nota que a mulher, hoje, tem os mesmos direitos mas acumula os católicos e serôdios deveres de antanho.
Que o &quot;senhor&quot; e a &quot;Manuela&quot; se casem, que vão devagar nos encontros a sós e que tenham uma boa vida pela frente é algo que, sinceramente, nos deve deixar ternos mas indiferentes. Que o &quot;senhor&quot; tenha imposto condições é também irrelevante. Como mais à frente se vê no texto, ela já começa a ser sobranceira, uma vez que o &quot;senhor&quot; &quot;falhou&quot; na primeira tentativa de estarem &quot;a sós&quot;. 
Ora, que resta então?
A validade da história, claro. A sua importância para um canal de televisão. Mas sobre isto, perdoai meu bom António, mas algo me preocupa - porventura em demasia - por estes dias. E não são os casamentos e os congressos de senhoras. O que me irrita é que, invariavelmente, desde que começou este tempo morto de Verão, ao minuto 16 de cada noticiário apareça uma notícia de futebol.
Estas sim, irritam-me. Mas essa seria outra e mais longa conversa.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>À excepção da Maria Teresa Horta e da sua claque brasileira, que se indignam com uma piada d&#8217;O Inimigo Público, as manifestações de feminismo têm aquela força tamanha da manifestação do benfiquismo ou do santanismo.<br />
Polemizando: o feminismo tem o objectivo torto. Sinceramente não compreendo como se luta ainda por direitos iguais quando, neste momento, as senhoras deviam lutar sim por deveres iguais. Há uma estranha diferença nestas duas atitudes, e raramente se nota que a mulher, hoje, tem os mesmos direitos mas acumula os católicos e serôdios deveres de antanho.<br />
Que o &#8220;senhor&#8221; e a &#8220;Manuela&#8221; se casem, que vão devagar nos encontros a sós e que tenham uma boa vida pela frente é algo que, sinceramente, nos deve deixar ternos mas indiferentes. Que o &#8220;senhor&#8221; tenha imposto condições é também irrelevante. Como mais à frente se vê no texto, ela já começa a ser sobranceira, uma vez que o &#8220;senhor&#8221; &#8220;falhou&#8221; na primeira tentativa de estarem &#8220;a sós&#8221;.<br />
Ora, que resta então?<br />
A validade da história, claro. A sua importância para um canal de televisão. Mas sobre isto, perdoai meu bom António, mas algo me preocupa &#8211; porventura em demasia &#8211; por estes dias. E não são os casamentos e os congressos de senhoras. O que me irrita é que, invariavelmente, desde que começou este tempo morto de Verão, ao minuto 16 de cada noticiário apareça uma notícia de futebol.<br />
Estas sim, irritam-me. Mas essa seria outra e mais longa conversa.</p>
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