Investigador Fernando,
hoje venho lançar-te o desafio de saber quem foram as duas pessoas que tiveram acidentes aí em Cabo Verde no ano passado causados por bananas, muito provavelmente por terem escorregado nas cascas dos populares e adorados frutos. É a estatística que o diz. E nos tempos que correm é quase essa ciência que nos reconforta o estômago todos os dias, citada a propósito do défice, do crescimento económico, das exportações, do desemprego, uffff. Pior que bananas.
E ficam literalmente abananados, mas é com números e da fruta nem cheiro. Mas é mesmo de bananas que venho falar hoje e não de política. Não porque tenha escorregado em qualquer casca daquele apreciado fruto sem caroço, mas porque li no jornal que, em 2001, na Grã-Bretanha, 300 pessoas sofreram acidentes causados por bananas. A maioria, presume o jornal The Guardian citado pelo Público, por terem escorregado nas cascas das ditas…Dizem eles, porque com as aplicações que já ouvi atribuírem àqueles frutos a que os árabes chamavam dedo (banan), não sei se terão sido mesmo escorregadelas daquelas de uma criatura ficar esparrameirada no chão. Adiante.
Pus-me a fazer contas e, estabelecidas as diferenças entre as respectivas populações, diz a estatística que aqui em Portugal serão 50 as vítimas anuais do inofensivo fruto, ainda por cima um prodígio da natureza. Diz a Wikipédia que é o quarto alimento mais produzido no mundo, a seguir ao arroz, trigo e milho, mas muito mais completo do ponto de vista nutritivo que qualquer daqueles cereais, ocupando mesmo a lista dos produtos comestíveis mais ricos que a terra nos oferece. Só que não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe e as bananas também gostam de pregar as suas partidas. Aqui, é largar despudoradamente uma casca na rua e esperar ouvir o apito aflito das viaturas da Emergência Médica. De acordo com as estatísticas, claro. Haverá ainda outros acidentes não identificados, mas isso os jornais não esclarecem. As malditas cascas, que curiosamente são usadas nalguns países para fazer doce, é que pagam a despesa toda.
E Cabo Verde, obviamente, não podia fugir à regra…da estatística. Haverá sempre um momento em que faltará uma cabra ou um porco por perto para se deliciar com a casca, uma criatura come o miolo e deita fora o “invólucro”, atrás segue outro transeunte distraído e pimba, chão com ele, sabe-se lá com que maleitas. As contas dizem que serão dois por ano aí a terem esse azar abananado. Sem metáforas. Porque se formos por aí, há milhares de vítimas, aí, aqui, em todo o mundo, a caírem nessa esparrela da casca da banana. Com tudo isto, Fernando, fica claro que as bananas não fazem sentir o seu “peso” apenas nas repúblicas. Também há monarquias das bananas! Os ingleses queixam-se…
Um frutuoso abraço.


