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As opiniões são como as vaginas at Atlântico expresso



As opiniões são como as vaginas

Caro amigo

Pois devo dizer-te, a propósito do caruncho e dos “nossos” deputados que pouco fazem, que já vi por Cabo Verde muito boa gente especialista em não fazer nada. A única diferença é que ganham muito menos. Mas isto de ser mandrião parece ser consanguíneo. Do outro lado do mundo há mais uma ilha assim.
É verdade caro amigo. Não estou a falar dos deputados cabo-verdianos, porque desconheço se trabalham muito ou pouco para estar para aqui com conversas. Mas garanto-te que nunca vi em tão curto espaço tanta gente prontinha a ganhar dinheiro procurando não fazer rigorosamente nada.
Dou-te um exemplo: da janela do local onde trabalho vejo uma construção, uma simples construção que não passa desse estádio, construção, desde que cheguei a Santiago, há sete meses. Em sete meses vi aquelas dezenas de empregados horas infinitas por ali a fingir que trabalhavam, na brincadeira, sentados placidamente, a discutir questões importantes para o futuro da pátria como o futebol português, ou de enxada às costas a fazer a ronda ao perímetro.
Faz-me alguma impressão aquela lassidão, tema de discussão (com tanto ão deves pensar que a seguir voltam os cães) de resto com os meus amigos. Será do calor ou faz mesmo parte da… digamos… maneira de ser? Não posso deixar de me lembrar do Zé Lai, que em Timor-Leste, um dia, quando me queixava da falta de vontade dos timorenses para trabalhar, me disse: “Oh senhor!!! O timorense é como o português… gosta é de beber a sua cervejinha com os amigos, ao fim da tarde, o timorense não gosta de trabalhar”.
Pronto. O que ele me estava a dizer é que se o timorense não é trabalhador é culpa do português. Portanto, seguindo este raciocínio, se aquela dúzia de alminhas está há sete meses para acabar a obra, a culpa é do português.
Cá, em Portugal, elogiam as capacidades de trabalho dos cabo-verdianos. Lá também me dizem que em todos os países são elogiados como bons trabalhadores. Pois, digo eu, os portugueses também estão bem vistos no estrangeiro, e cá não primam por gostar muito de “vergar a mola”. E sem esquecer os brasileiros, que embora nunca tenha ido ao Brasil não sei porque tenho a ideia que também preferem a sua cervejinha.
Não sei na verdade. Também há quem me diga lá nas ilhas que o cabo-verdiano é um povo trabalhador e quem não faz nenhum são os do continente africano.
Na verdade, os cabo-verdianos não se consideram sequer africanos e nisso eu até concordo: em termos sociais, culturais, históricos, são de facto muito mais europeus do que africanos.
Opiniões. Também conheço em Cabo Verde várias pessoas que defendem convictamente ter sido um erro o país ter-se tornado independente de Portugal, e que estaria agora muito melhor com um estatuto idêntico ao dos Açores e Madeira.
Bem… o José Saramago não defende uma união ibérica?
São opiniões. Como diria o Herman José “as opiniões são como as vaginas: cada mulher tem a sua e quem quiser dá-la, dá-la”. E não precisas de me lembrar. Eu sei que cada homem também tem a sua. Opinião, claro.

Um opinioso abraço

Fernando Peixeiro