SICJornalista Fernando,
o escritor e conhecido jornalista Armando Batista-Bastos (BB) vai sentar-se no banco dos réus de um tribunal da Madeira acusado de ter insultado o homem que lidera aquele arquipélago há 30 anos e chamou quase tudo a quase todos, com destaque para os jornalistas que escrevem notícias que lhe desagradam. Quando BB estiver a ser julgado, vou sentir-me ao seu lado.
A questão tem sido pouco badalada, por estranho que pareça. Um homem que já chamou “senhor Silva” ao actual Presidente da República, que diz o que lhe dá na real gana  a quem se atravessa no seu caminho, nunca teve ninguém que lhe levantasse a mão e dissesse: basta! Ironia das tristezas, quando alguém o classifica de acordo com o que diz, atira-lhe com uma queixa-crime que colhe junto do juiz de Instrução e Batista-Bastos vai ser julgado, pela primeira vez numa longa carreira de jornalista que irá já nos 50 anos, digo eu, que me ia cruzando com ele na redacção do extinto Diário Popular. Tinha saído há pouco tempo quando fui para lá estagiar. Era uma espécie de estrela e se calhar abusava desse estatuto, eu sei, talvez com galões a mais, mas  um repórter respeitado, ao lado de outro com quem privei, esse sim, e que me ajudou a dar aqueles passos primeiros de quem quer contar o que importa e não está ali à frente dos olhos: César da Silva.
Retomando o caso do “senhor” da Madeira. A verdade é que nunca ninguém apresentou uma queixa-crime contra Jardim. Nem quando ele insultou ao mais baixo nível os jornalistas “do Continente” e lhes atirou um impropério qualquer “para não lhes chamar filhos da puta”. 
Todos comemos e calámos. Batista-Bastos achou que a criatura tinha ultrapassado os limites quando se referiu a cidadãos de outras nacionalidades que se haviam fixado na Madeira. Indignou-se e escreveu um artigo de opinião no Jornal de Negócios. O homem que se deixou fotografar de cuecas no Carnaval, acha que tem sempre razão e gosta de se mostrar em orgias estivais de imperial e marisco em Porto Santo, ficou agastado. Como fica com o Tribunal de Contas e outras instituições que garantem o regime democrático onde vivemos, mas contra as quais atira pedras e petardos sempre que pode. Quer um estatuto especial para aquelas duas ilhas, para que – é isso que sugere – disponha sem intromissões dos poderes da República que vão além da Defesa e dos Negócios Estrangeiros.
Batista-Bastos falou-lhe à letra, adjectivou como Jardim costuma fazer, mas este não aceitou um dedo apontado ao nariz, apesar de habituado a dar “bofetadas” a quem lhe aparece pela frente.
Por tudo isto, Batista-Bastos merece que, pelo menos os jornalistas, lhe manifestem solidariedade. Parece-me bem que o Sindicato da classe o faça e que todos os que se sentiram insultados pelo presidente do Governo Regional da Madeira se solidarizem com BB. Ele precisa e merece o apoio dos jornalistas e dos que se batem pela democracia.

Um justo abraço.

António Martins Neves 


1 Response to “Ao lado de BB no banco dos réus”

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