A melhor estrada é o mar

Aventureiro Fernando,

podias ter partido de uma praia assim. Ou chegado. Quase ninguém saberá onde é. Mas foste por um caminho assim, azul. Decididamente descobriste, numa fase muito positiva da tua vida, que o mar é a melhor estrada. Da primeira vez avançaste cauteloso até às ilhas de Cabo Verde. Provaste, gostaste e já tinhas saudades muito antes de partir. Com essa confiança que te transmitiu essa gente que levarás contigo para sempre, desceste o Atlântico. Foste no Expresso e ele vai continuar a dar-me novas de ti e a levar-te o que houver por aqui. Foi o cabo Bojador, depois a Boa Esperança, viraste à esquerda nas turbulências ao lado do Cabo e chegaste à tua nova casa pelo Índico. És quase um marinheiro, de oceanos, navios e botes também. Maputo espera por ti, que já levavas cores dos trópicos. Da pacatez da Praia para a urbe moçambicana, paredes meias com o colosso sul-africano. E uma imensidão de terra para descobrir. E mar, sempre muito mar. Sei que vais escrever lá de cima, de Cabo Delgado, irás a Nampula, Inhambane e onde a força e as pernas te levarem. Fico à espera desses relatos de andar noutro mundo, com as novas gentes que te vão aparecer no caminho, com os amigos que nunca te hão-de faltar, com as causas que nunca te hão-de abandonar. Cá espero pelas grandes histórias que me trarás e a que te responderei como melhor puder, aqui onde os mares e oceanos pouco mais são que imaginação.

Até breve,

António Martins Neves