A cereja em cima do melro
0 comentários Publicado por António Martins Neves 14 Junho 2008 em Portugal.Ambientalista Fernando,
subscrevo em absoluto a tua indignação com quem mata tubarões porque esses massacres continuam a render e fico também revoltado com o facto de haver gente que paga o que lhe pedirem para comer uma extravagância qualquer, mesmo que se trate de um capricho com consequências devastadoras como essa da sopa de barbatana. Ter muito dinheiro está cada vez mais a tornar-se sinónimo de ignorância. E mantém-se árdua a tarefa de combater a ideia antiga de que o dinheiro tudo compra e tudo paga. Puro engano! Vê para onde estamos a caminhar, porque se instituiu que as regras da sociedade devem ser determinadas por questões financeiras.
Martelo, azul, branco, gata, tigre, baleia
1 comentário Publicado por Fernando Peixeiro 12 Junho 2008 em Cabo Verde.Caro amigo
Lembras-te de te ter falado há tempos das tartarugas marinhas, que o pessoal aqui faz questão de matar mal põem uma barbatana em terra? E das cagarras, em extinção, que também matam assim aos milhares, só porque querem? Hoje venho falar-te dos tubarões, exterminados desalmadamente porque, azar, têm barbatanas, e os asiáticos, azar também, dinheiro para as pagar.
Perspicaz Fernando,
só posso concluir que estavas adivinhar o que iria dizer o Presidente da República quando me desafiaste a largar tudo e ir para aí. Anda uma pessoa a agarrar-se ao que pode para arranjar forças e continuar a enfrentar as contrariedades que nascem aqui debaixo de cada pedra e vem o Chefe de Estado dizer que vai comemorar o “dia da raça”? Era só mesmo o que estávamos a precisar: o mais alto magistrado da Nação a referir-se ao Dia de Portugal como o fazia o ditador Salazar. Bolas, o homem foi eleito, estamos em democracia e ele vem falar em raça? A palavra dita duas vezes, para que não restem dúvidas. Estou sentado à espera da explicação de uma afirmação que seria grave mas desculpável se saísse da boca do respeitoso empregado do come-em-pé ali do centro comercial. Mas de alguém que é o representante máximo do Estado português??? Assim terei mesmo que ir para aí…
Dez camiões cheios de sorte
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 10 Junho 2008 em Cabo Verde.Caro amigo
Vem para cá. Estás convidado. Trás a família. Os amigos. Venham todos.
Avisado Fernando,
saí de casa este domingo depois de ter a tua carta e a pensar nos dois assuntos: na fome e no Euro 2008. “Obrigações” paternais levaram-me para a Penha de França, o popular bairro onde deparei com a imagem que te envio e me pareceu fazer a síntese dos dois temas.
Caro amigo
Hoje é domingo, Portugal ganhou aos turcos lá no Europeu e aí, pelas minhas contas, até deve estar um belo dia. Não quero chatear-te muito, só partilhar contigo uma preocupação, a de que, amanhã, meio mundo não tenha que comer. Perante isto o dia devia ficar cinzento e a vitória de Portugal ser um pormenor. Não fica. Não é. Ainda que não sei quantas crianças tenham morrido de fome no tempo que levas a ler isto.
Estupefacto Fernando,
na véspera do pontapé de saída do Europeu de Futebol entrou em campo outro “jogador” de méritos firmados, neste caso pelos conhecidos dribles à justiça. É esse mesmo em que estás a pensar: João Vale e Azevedo, ex-presidente do Benfica, célebre por coleccionar processos judiciais por burla e por já ter cumprido vários anos de cadeia. Imagina que agora voltou a dar que falar porque acha, do alto da sua sapiência jurídica, que já cumpriu mais tempo de cadeia do que aquele a que foi condenado, “esquecendo-se” que tem uma pena efectiva de mais sete anos e tal por cumprir, e outros cinco prometidos. Ah, e anuncia que está em Londres.
Nas dunas da Boa Vista, a 80 quilómetros por hora
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 6 Junho 2008 em Cabo Verde.Caro amigo
Às 13:45 de quarta-feira passada estava quase bêbado. Não que tivesse acabado de almoçar e bebido vinho ou cerveja. Pelo contrário. Sentado a uma mesa de uma casa com vista para o mar, na Cidade Velha, sem ter almoçado, acompanhava o meu anfitrião, 81 anos, num aperitivo, whisky, enquanto ele me falava da sua paixão por motas.
Politizado Fernando,
quero dar-te conta de um acontecimento político que ocorreu em Lisboa na terça-feira à noite e que me parece ir marcar o futuro próximo. Ficou conhecido como o comício das esquerdas e reuniu gente deste quadrante político descontente com a governação socialista do primeiro-ministro, José Sócrates, com excepção do PCP, que não alinhou, como sucede sempre que não controla as iniciativas públicas. O deputado socialista Manuel Alegre, segundo classificado na corrida à Presidência da República ganha por Aníbal Cavaco Silva, foi a estrela da noite. E deve ter provocado pesadelos a muitos adversários políticos, a começar no seu próprio partido e alargando-se ali para as bandas de Belém, onde o chefe de Estado deve ter percebido que a sua reeleição está longe das habituais favas contadas como sucedeu com todos os seus antecessores democraticamente eleitos.
Caro amigo
Tenho seguido o folclore que em Portugal é o aumento, quase diário, do preço dos combustíveis. Parece-me que subida mais rápida só mesmo a inflação no Zimbabué. Aqui, um país totalmente dependente do petróleo, tivemos um aumento há meses e depois a coisa estagnou, como se tivesse sido encontrado um poço ali no bairro de Terra Branca. Mas ontem veio o governo e pimba. Sete escudos de aumento em cada litro. Para tapar buracos.


