Caro amigo

Duas semanas em três cidades tipicamente europeias e aqui estou eu de novo em Maputo, a “minha África”, a minha casa. Não te vou falar da África do Sul, de como os campos são bonitos e bem tratados, das paisagens maravilhosas, dos parques, da vida selvagem. Nem sequer da simpatia do povo, que a tem, ou da insegurança de Joanesburgo, que também a tem. Fixo-me no João, engenheiro, trabalha em Pretória.
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Um grande país

Caro amigo

É quase meia-noite em Pretória. Uma noite fresca e sem chuva, como foi o dia de hoje em Joanesburgo. Estou há quase uma semana pelas terras do Rand e escrevo-te em formato bilhete-postal, que a esta hora estou cansado e amanhã é mais um dia cheio de trabalho.
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Uma ou duas semanas

Caro amigo

Imagino-te aí saturado de tanta água, como eu quando aí estive, mas ao escrever-te é o calor que me aflige mas também a falta dela. O Verão está ao rubro em Maputo e a cidade continua bonita, agora já de acácias vermelhas e amarelas, às vezes colorindo só os passeios, outras as bancas de vendedores ou quem dorme à sua sombra, coisa normal nas ruas desta cidade. E no entanto tenho já saudades de Lisboa.
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Caro amigo

Falei-te de uma mulher na minha última carta, não resisto hoje a falar-te de outra. Tal como a Suzana Custódio é, deve ser, tem de ser, uma força da natureza. Ao contrário da Suzana não passei com ela uma manhã mas apenas 10 minutos de uma manhã. E não me falou de quantas vezes chorou. Mas devem ter sido muitas, imensas.
Continue reading ‘E tu? Davas-lhe o tal abraço?’

Caro amigo

Quem vê Susana Custódio dificilmente a imagina a chorar. É alta, forte, uma torre de mulher e um sorriso permanente na cara grande. Ar decidido, voz ainda mais e nós a sentir que ao pé dela estamos protegidos dos males do mundo. Susana Custódio criou uma aldeia. É uma força da natureza.
Continue reading ‘Suzana, a construtora’

Caro amigo

Quando tu viste aí em Lisboa os apoiantes de Isaltino Morais e Marcos Perestrelo pegarem-se de razões deves ter corado um bocadinho. De vergonha. Eu acho que corei, e estou a 10 mil quilómetros. Pois bem, para que não te falte nada aqui fica mais uma carta de consolo.
Continue reading ‘Uma carta de desabafo’

Perspicaz Fernando,

em momentos como o actual, entram-nos todos os dias pela casa dentro caras e vozes a tentar-nos convencer que são de uns predestinados capazes de nos salvar do apocalipse. É quase sempre assim antes de eleições. Um desfile de líderes políticos a suarem por nos fazer crer que o nosso bem estar é a sua maior preocupação, que se lhe dermos o voto, é desta que o país irá onde nunca foi. O costume há mais de 30 anos. Nada habitual é alguém comportar-se como tendo uma missão a cumprir sem dar por isso, justificá-la numa frase com meia-dúzia de palavras e ninguém encontrar a mais remota explicação para um comportamento só registado pelos mais atentos.

Continue reading ‘História do homem que anda’

Caro amigo

Tenho acompanhado de longe, claramente de longe, a campanha eleitoral aí mas imagino que a ti não te passa pela cabeça o que por aqui vai. A campanha começou no mesmo dia que por essas bandas mas só acaba a 25 de Outubro. E hoje, quase duas semanas depois, ainda não se sabe ao certo quantos são os partidos concorrentes. A política é uma coisa muito gira não é?
Continue reading ‘Uma carta de consolo’

Maputo de novo

Caro amigo

Há um polícia com frio, as pêra abacate em flor e uma bomba de água que morreu durante as minhas férias. Um dia quente, outro cinzento e ventoso e um homem a quem os pais não tinham nome para lhe dar que anda no meu sótão às voltas com a tal bomba.

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Flash de um 15 de Agosto

Tarde de Verão

Refastelado Fernando,
no dia mais animado do ano, enquanto te imagino espojado nos areais de Santo André ou lá por perto, nessas merecidas férias à beira de casa, há momentos que fazem a diferença aqui em Lisboa, donde a maioria dos habitantes desertou para locais ditos de férias e a cidade pode ser vivida de modo mais intenso do que no resto do ano. Registei o quadro que te envio.

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PARCEIROS