Caro amigo
Quero pedir-te desculpa pelo meu prolongado silêncio mas também eu tenho andado aqui às voltas com piratas. Chamemos-lhe assim. Mas talvez ficassem melhor como terroristas, sabotadores, conspiradores, rambos de um filme ao melhor estilo 007. Mete polícia, crime, intriga internacional. Só falta mesmo uma pitada de sexo para a coisa ser em grande. Ainda assim a imprensa tem andado louca. Verdadeiramente.
Começou tudo na semana passada. Na pacata terça-feira de Maputo o porta-voz da polícia de Moçambique anuncia ao país e ao mundo que tinham sido presos, junto da barragem de Cahora Bassa, quatro tipos envolvidos numa trama para destruir a “jóia da coroa”, a encher a albufeira de um “produto altamente corrosivo”, capaz de destruir betão e ferro. Objectivo: destruir a barragem que ainda há dois anos os portugueses passaram para Moçambique. Quatro gajos, um deles português.
O país entrou em pânico. As embaixada também. E a de Portugal, não me disseram mas imagino, também, tanto mais que a imprensa destacou sempre a presença de um português no meio do grupo terrorista. Um português, um alemão, ex-militar, um piloto-aviador do Botsuana e um profeta da Africa do Sul.
E a pacata terça-feira da semana passada ficou assim, do dia para a noite, uma terça-feira negra, ainda mais quando falhou a luz em grande parte de Maputo, se calhar já por causa do atentado na hidroeléctrica. Imaginei as paredes da barragem a ceder, o betão a desfazer-se como um castelo de areia, os metais a derreterem, e aquele produto, saliva do Alien, a comer uma obra a que os moçambicanos chamam, carinhosamente, “a nossa barragem”.
Convém dizer-te, caro amigo, que os homens estavam presos havia já 15 dias, desde 21 de Abril. E a polícia, que alarma um país inteiro com a história de um atentado de ficção científica, não tinha interditado a barragem, permitindo que pessoas e animais continuassem a beber água dali, a transbordar de um produto altamente corrosivo, que destrói betão e metal mas é amiga dos estômagos.
A mesma polícia que nesses 15 dias não tinha tido ainda tempo de perguntar aos homenzinhos que diabos andavam eles a meter na água. É que se tivesse perguntado eles teriam dito o que disseram aos jornalistas. São adeptos do orgone!
Não sabes o que é? Eu também não sabia mas agora posso explicar-te.
O orgone é um produto que supostamente cria boa energia e que foi inventado/descoberto por Wilhelm Reich, um cientista que nasceu em 1897 em Dobryzcynica, na actual Ucrânia, e que morreu nos Estados Unidos em 1957. Na prisão, desacreditado pela comunidade científica, que nunca o levou a sério.
O homem defendeu até morrer que o orgone é uma energia cósmica e que funciona como princípio orientador da natureza, determinando por exemplo o estado do tempo e até a formação de galáxias.
O homem morreu mas as suas crenças permaneceram até hoje e são seguidas por milhares de pessoas no mundo inteiro. Um senhor chamado Don Croft, também cientista, desenvolveu uma forma de converter o orgone existente na atmosfera em orgone positivo e há por aí gente empenhada em disseminar essa energia positiva. Era o que os quatro estavam a fazer na barragem quando foram apanhados. Estão presos há três semanas.
O que eles meteram na água foram, em linguagem simples, máquinas de produzir boa energia. São muito simples: um bocadinho de resina, umas aparas de alumínio, e um pequeno cristal de quartzo. Junta-se tudo, deixa-se a resina de polyester secar e aí tens uma bela e lustros máquina de produzir boas energias.
Era isto que eles andavam a fazer, a levar boa energia para a barragem. Claro que se a coisa funciona ou não é discutível. Mas já não há dúvidas que a polícia se precipitou em acusá-los de terroristas.
E depois… convenhamos… alguém que me explique se existe algum produto neste nosso mundo que metido na água de uma albufeira faça derreter o betão de uma obra concebida, no caso, para aguentar terramotos de grau sete na escala de Richter.
Mas devias ver as primeiras páginas de alguns jornais e os seus artigos, vergados à verdade policial, ao absurdo da acusação. Honra seja feita ao Savana, um semanário, que na edição da semana passada pôs os pontos nos is: uma fotografia da barragem e o título “Ridículo!”.
Completamente. E se as teorias dos quatro, da energia cósmica… do orgone… podem ser ridículas para alguns, mais ridículo é ter quatro homens presos há três semanas por causa disto.
Olha, ficamos por aqui. Estou cansado do orgone, tresando a orgone. E confesso-te aqui que as teorias da polícia não me cansam menos. Meus senhores, tenham juízo.
Um cansado abraço
Fernando Peixeiro



Essa é bem melhor que as descobertas anuais de petróleo que acontecem em Cabo Verde. Não te lembras daquela que aconteceu na Terra Branca, no ano passado, em que durante as obras de calcetagem descobriram ouro negro ali mesmo debaixo de uma pedrinha. E depois foram analisar melhor e eram só os detritos de uma oficina que ficava ali perto. Brilhante!
Sempre um prazer ler-te.
Catarina
ai ai,e a bruxaria continua,mais sofisticada,,mas vai dar ao mesmo,que raio foi essa ideia de mandar um produto pra barragem,,boa energia devia ser aproveitar a beleza envolvente da barragem,,fico á espera que relates que tem alguma,se ainda n foste lá..faz favor de ir ver como é aquilo.ao vivo.e olha.se a barragem não tiver paisagem bonita á volta,deve haver alguma em algum lugar dessas bandas,,,beijos e abraços,gina
Olha lá, manda a receita do orgone! Boa energia é o que mais falta neste mundo… Imagina tu que até resulta?!…
Olha, compras um tubo de resina, daquela com que se fazem os barcos, arranjas aí numa serralharia uns pedacitos de metal e arranjas um cristal de quartzo, mesmo pequeno. Isso é que não sei onde. metes o cristal e as limalhas numa forma, cobres com a resina e deixas secar. Está pronto. É mais fácil do que fazer um bolo. Agora se funciona ou não… se funcionar diz-me que eu dedico-me aqui à industria do orgone.
eles foram alvo dos verdadeiros terroriistas, entretanto as energias positivas teram de acompanha-los para dentro da prisão, pois nao deve ser fácil de conviver com esses terroristas por perto.