Cidade doce

Caro amigo

Dizia-me o Pedro, há dois dias já em Portugal, que Maputo é uma cidade doce. E apontava-me o sol, a temperatura amena, os dias e as noites sempre assim, tranquilos, mesmo quando chove. Parece verdade. Mas Maputo é tão pequeno, comparado com Moçambique!
Foi essa noção das distâncias a primeira que tive aqui. Vindo de Cabo Verde, onde andava menos de 70 quilómetros e estava do outro lado da maior ilha, parece-me agora estranho que se quiser ir à praia tenha de percorrer 200.
Como me parece estranho, longamente estranho, que se precisar ir de carro a uma província do norte do país tenha de percorrer uma distância como de Lisboa a Bruxelas, por exemplo.
A própria Maputo, habituado eu à aconchegante Praia, parece-me também grande demais para estes primeiros dias. Mas é muito bonita a cidade. Das acácias, como lhe chamam. E estão de facto por toda a parte. Uma cidade cheia de sombras, de verde, de árvores tratadas, robustas, bonitas, mais do que muitos dos edifícios, a implorar por uma olhadela, de um pintor por exemplo.
Maputo desce para o mar e para o rio, vive ao lado da água mas parece-me que fazendo por a ignorar, salvo nalgumas zonas. As praias não são aconselháveis mas os restaurantes à beira mar fazem esquecer esse pormenor. E, garanto-te, come-se muito bem aqui, especialmente comida portuguesa, incluindo o bacalhau. Na colina debruçada para o mar, na Av. Julius Nyerere, onde as traseiras dos andares estão viradas para o Índico, concentram-se os melhores locais para se beber uma cerveja, comer uma pizza, um gelado, um bife, uma salada, ou apenas tomar um café. E também há bom café, Delta, por todo o lado.
Para os lados da antiga baixa, hoje uma zona degradada, abriram nos últimos tempos novos espaços, com tanto de caros como de agradáveis. É por lá que ficam grandes jardins, belíssimos edifícios, ruas largas e as sempre presentes acácias. Só a estação de caminho de ferro, onde foi filmada uma parte de “Diamante de Sangue”, com o Leonardo DiCaprio, lembras-te?, merecia que eu ficasse aqui o resto do tempo a falar nela.
Tenho pena que esteja assim tão abandonada aquela parte da cidade. Não sei porque é que fazemos estas coisas às nossas cidades, porque por aí fizemos o mesmo. E espero que um belo dia acordem os que podem e decidam levar vida para ali.
Mas pronto, tirando isso Maputo é uma cidade normal, talvez mais do que isso, talvez especial, pelas ruas largas, pelo clima, pelas acácias. Há muito trânsito, infelizmente, mas parece-me que se vive ainda com alguma calma, devagar, sem stress. Sinto que a cidade ainda não sufoca os que cá vivem. Respira-se. E depois… o Pedro tem razão. É uma cidade doce.

Um abraço
Fernando Peixeiro


4 Responses to “Cidade doce”

  1. 1 gina

    ola fernando,,esse retrato da cidade ainda necessita de mais umas pintadelas ..mas tá bem,,pró principio tá bom,,o teu msn,,deve tar cheio de virus africanitos, e ainda por cima que mandam mensagens em ingles,,cuida do pc amigo,,bjss gina

  2. 2 Guinevere

    Curiosa visão essa de Maputo.
    Sabes o que senti? Uma cidade linda… mas sem vida… abandonada… de onde todos fugiram ou fogem diariamente.
    bjs

  3. 3 Miguel Fosneca

    Caro Peixeiro,

    Que saudades dessas acácias, dessas ruas largas, desse tempo magnífico. Qualquer dia encontramo-nos por aí.

    Abraços.

  4. 4 Ana Paula

    Saudades, Fernando. Tuas e daí. Muiitas. Não encontro as razões, mas sempre me senti em casa ai :) Até breve.