<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	>

<channel>
	<title>Atlântico expresso</title>
	<atom:link href="http://atlantico-expresso.net/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://atlantico-expresso.net</link>
	<description>Um mar de palavras e memórias</description>
	<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 09:00:29 +0000</pubDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.6.2</generator>
	<language>en</language>
			<item>
		<title>Uma semana e litro e meio</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-semana-e-litro-e-meio/2008/10</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-semana-e-litro-e-meio/2008/10#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 05 Oct 2008 09:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<category><![CDATA[Adicionar nova tag]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=594</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo
Espero que esta carta que te vá encontrar limpinho e de saúde, junto dos teus, que eu cá vou felizmente. Tenho comido bem, bebido muito que tem feito muito calor, e trabalhado, que é para isso que me pagam. Estou sem água há uma semana mas isso é só um pormenor. Toma banho no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Espero que esta carta que te vá encontrar limpinho e de saúde, junto dos teus, que eu cá vou felizmente. Tenho comido bem, bebido muito que tem feito muito calor, e trabalhado, que é para isso que me pagam. Estou sem água há uma semana mas isso é só um pormenor. Toma banho no mar, dirás tu. É o que faço. Já criei escamas.<br />
<span id="more-594"></span>Bem… isto das escamas era a brincar. Mas da água é verdade. Ainda esta semana, logo no início, a ministra da Economia deu uma conferência de imprensa para dizer que a famosa Electra, que distribui água e energia, está a viver uma situação crítica, porque ao que parece ninguém quer pagar as facturas.<br />
Eu fui lá. E ouvi a senhora dizer que só aqui na Cidade da Praia, onde vivo, 13 por cento da energia consumida é roubada, o equivalente a todo o consumo das ilhas do Fogo, Brava, Maio e Boa Vista.<br />
Aqui na Praia, disse a ministra, rouba-se descaradamente, até nos prédios novos já se faz a coisa de maneira a que depois a ligação eléctrica seja fraudulenta. Disse a ministra que isto não pode continuar e que o governo vai agir. Se calhar ainda ninguém lhe disse mas o que circula por aqui é que quem faz essas ligações manhosas são os próprios funcionários da Electra.<br />
Ora estava eu a ouvir a senhora ministra e a lembrar-me que nessa manhã tinha tomado banho com litro e meio de água, despejada pela metade devagarinho pela cabeça abaixo, depois um bocadinho de gel, e depois o resto da água. E estava a lembrar-me que tinham cortado a luz duas horas antes e que não sabia quando voltaria ela, se ainda a tempo de não me descongelar as coisitas do frigorífico (não te digo o quê para depois não ter de ouvir o Ricardo Bordalo). Dizia eu que estava a pensar estas coisas e a imaginar o prazer que teria se pudesse enganar a filha de sua mãe que é a empresa Electra.<br />
Há dois anos, disse a ministra, a energia roubada custou aos senhores o equivalente a 2,7 milhões de euros. E contou-nos também, o mesmo é dizer a todo o país e arredores, que desde 2003/04 que as autarquias deixaram de pagar a iluminação pública. A pouca que há. Quem é que paga? Ninguém. Quanto é que se deve? Qualquer coisa como 3,5 milhões de euros. E mesmo os que têm contadores, particulares, empresas e Estado pagam? Hummm, têm dias. Quanto é que devem? Vários milhões. Já me esqueci quanto. O governo vai obrigar as autarquias a pagar? Não. Então como é? O povo é que paga.<br />
Nem mais. Como é que o governo vai resolver a crise? Pôr fiscais na rua, com poderes reforçados, para acabar com as falcatruas e o resto cria-se uma taxa para cobrir as dívidas.<br />
Agora diz-me lá, que estás num país onde faltar a luz uma manhã que seja é notícia de primeira página, que vontade é que as pessoas têm de pagar um serviço que é péssimo? Que o digam os moradores de Achada Grande, onde se passam semanas sem uma pinga de água. De algumas zonas, quase todas, da Achada de Santo António. Que o digam os moradores da Brava, onde falta luz semanas inteiras. Que o digam os moradores do Maio, onde tudo se estraga pela mesma razão, pelo mesmo tempo de falta de um serviço que o Estado devia prestar.<br />
Ninguém pode exigir que o respeitem se não se sabe dar ao respeito. Aqui em Cabo Verde se há instituição que ninguém respeita é a Electra. E digo-o com conhecimento de causa. Nos quais dois anos que levo daqui nunca, mas nem uma única e salutar vez, uma alminha da Electra foi educada a um telefonema meu a perguntar humildemente quando é que estavam a pensar ligar a luz outra vez. Pior, ou melhor, na maior parte das vezes ninguém atende. E se o fazem é para dizerem, com maus modos, que não sabem porque não há luz ou água e não sabem quando voltam.<br />
No momento em que te escrevo esta já longa carta, um sábado à noite, não tenho água. E como amanhã é domingo vai ser assim o dia todo. E como segunda-feira tenho de sair bastante cedo isso quer dizer que faço nesse dia exactamente uma semana de banhos de litro e meio.<br />
E pronto, caro amigo, despeço-me que já deves estar cansado de me ler. Se assim é deixo-te uma boa notícia: vou estar uns dias ausente, a partir de segunda-feira, enfiado numa rocha de sete quilómetros, sem uma única árvore e basicamente sem nada. Lá não há comunicações, nem sequer telemóvel, daí o meu silêncio anunciado. Pelo menos tem uma coisa boa. Duas. Não há Electra. E já estou habituado a tomar banho com litro e meio de água.<br />
O que vou lá fazer? Depois te contarei.<br />
Um abraço e até breve</p>
<p>Ah. Hoje choveu muito cá. Irónico não?</p>
<p class="MsoNormal"><span> </span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-semana-e-litro-e-meio/2008/10/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>O bandido sou eu?</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/portugal/o-bandido-sou-eu/2008/10</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/portugal/o-bandido-sou-eu/2008/10#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 02 Oct 2008 09:30:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>António Martins Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/portugal/o-bandido-sou-eu/2008/10</guid>
		<description><![CDATA[Descansado Fernando,
o exclusivo das histórias insólitas não consegue ser teu. E se são reveladores esses retratos que envias daí. Mas hoje trago-te um para a troca, e acho que vais ter que te esforçar para arranjares um cromo equivalente a este para a nossa colecção: o departamento da Polícia Judiciária portuguesa que combate a maior [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://www.correiomanha.pt/imagedownload.aspx?schema=ca967162-b341-4feb-88dd-fecb0766bf67&amp;channel=738D42D9-134C-4FBE-A85A-DA00E83FDC20&amp;content_id=063701DF-8AD4-45CE-A4E1-989DE451F9CC&amp;field=img_detalhe_noticia&amp;lang=pt&amp;ver=1&amp;filetype=jpg" align="left" width="164" height="219" />Descansado Fernando,<br />
o exclusivo das histórias insólitas não consegue ser teu. E se são reveladores esses retratos que envias daí. Mas hoje trago-te um para a troca, e acho que vais ter que te esforçar para arranjares um cromo equivalente a este para a nossa colecção: o departamento da Polícia Judiciária portuguesa que combate a maior bandidagem que por cá existe foi assaltado por um toxicodependente solitário, que entrou lá de noite por escalonamento. Uma ocorrência com contornos inacreditáveis, anunciado em comunicado oficial. O resto do folhetim são as divergências nos relatos da Imprensa, algo que só encaixa no surrealismo em que o jornalismo daqui se está a afundar.<br />
<span id="more-591"></span>A Direcção Central de Combate ao Banditismo da Judiciária, designada de uma forma íntima pelos jornalistas “especialistas” muitas vezes apenas por DCCB aparenta ser um dos locais mais protegidos deste país. Tem uns blocos de cimento à frente que impedem a investida de viaturas, o acesso ao estacionamento inferior tem barras de ferro que parecem intransponíveis, na frontaria abundam as grades, tudo parece um bunker. Pela frente&#8230;pela rectaguarda um toxicodependente entrou lá sem grandes dificuldades numa noite destas. Casa de ferreiro, esteio de pau, no melhor pano cai a nódoa. Sobram os ditados para ilustrar um episódio destes. Inquéritos foram instaurados, o homem ficou em prisão preventiva. Da polícia “atacada” é tudo o que se sabe. Nem mais um pormenor, disseram oficialmente.<br />
Agora, vejamos os jornais do dia seguinte.  O Público, que não disponibiliza o texto na Internet, diz que o homem não fazia ideia do local onde entrou, citando uma fonte da polícia. Depois relata que ele se assustou quando chegaram as mulheres da limpeza e desatou a correr pelos corredores. Apanharam-no na rua cheio de suores e de mãos vazias. Terá conseguido apenas conseguido matar a fome com pêssegos que encontrara na secretária de um inspector da polícia.<br />
Sobre a mesma “ocorrência”, o <a href="http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=BF0A4796-7DB0-41D9-80A8-DFF256B7C32D&amp;channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010">Correio da Manhã </a>confirma que o assaltante não fazia ideia de que aquele edifício era a sede dos polícias que combatem a criminalidade mais violenta em Portugal e terá furtado três computadores portáteis e duas pistolas. Neste caso, o texto nunca cita qualquer fonte, sendo da autoria de dois jornalistas, um dos quais  da direcção do diário.<br />
O <a href="http://jn.sapo.pt/paginainicial/policia/interior.aspx?content_id=1020317">Jornal de Notícias </a>cita uma fonte da PJ e diz que alguns dos objectos roubados, sem dizer quais, foram detectados quando já estavam à venda da Feira da Ladra. Tu lês isto em três dos principais diários nacionais e acreditas em quê, Fernando? Deve ser no mesmo do que eu: fazer jornalismo assim é fácil. Ao que parece, trata-se da reprodução de fontes anónimas que dizem o que lhes convêm com a cobertura de jornalistas. Isto para ser positivo. Porque se algum dos escribas em causa  foi, porventura, confrontado com as regras básicas do jornalismo sabe que a identificação das fontes é imprescindível para credibibilzar as notícias. Contar “histórias” assim é fácil. Basta ter onde as escrever. E ter quem acredite nelas. Mas em quais? Depois queixam-se que os jornais não vendem&#8230;E os papas da deontologia, que falam apenas nos momentos que lhes convêm, ficam mudos nestas alturas. Porque será, Fernando? Será que o bandido sou eu?</p>
<p>Um deontológico abraço.</p>
<p>António Martins Neves</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/portugal/o-bandido-sou-eu/2008/10/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Uma estranha proibição?</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-estranha-proibicao/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-estranha-proibicao/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Sep 2008 09:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-estranha-proibicao/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo
Acharás tu estranho que os coveiros do cemitério da Cidade da Praia tenham proibido as pessoas de ir lá limpar as campas das famílias, um hábito de cá, como de lá e de muitos outros países? Crês que a partir de agora fica ao abandono esse local de culto? Não aches. Não creias. Cabo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv7.jpg" align="left" width="300" height="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv9.jpg" align="left" width="300" height="250" />Caro amigo</p>
<p>Acharás tu estranho que os coveiros do cemitério da Cidade da Praia tenham proibido as pessoas de ir lá limpar as campas das famílias, um hábito de cá, como de lá e de muitos outros países? Crês que a partir de agora fica ao abandono esse local de culto? Não aches. Não creias. Cabo Verde é assim!<br />
<span id="more-590"></span>Sabes, que eu já o disse bastas vezes por aqui, que chove muito pouco, demasiado pouco, nas ilhas. Agora, como sabes também, elas estão verdes e a erva cresceu por todo o lado, galgando ruas e passeios, invadindo canteiros, bermas e valados, quintais e caminhos, encostas e vales.<br />
Mas eu sei, todos sabem, que é de pouca dura. O sol inclemente vai em breve ressequir a erva e o verde passa a castanho em menos de um mês. E depois as ilhas ficam assim, agrestes, áridas, tristes, sequiosas, até Junho ou Julho do próximo ano.<br />
Por isso agora há que aproveitar. Semeia-se e recolhe-se o milho, o feijão, as abóboras, rega-se, vende-se barato o tomate e a batata, espera-se que cresça saudável o amendoim e a banana.<br />
Ainda este fim-de-semana andei a ver esta azáfama. O grande vale antes de chegar a Pedra Badejo luxuriante, a terra ainda fresca, as culturas a prometer mesa farta. Ou S. Lourenço dos Órgãos e os seus grandes tanques cheios de água, onde dezenas aproveitam para se refrescar, embora, confesso-te, aquela cor já não seja muito convidativa. Ou Rui Vaz, já perto do pico d`Antónia, o ponto mais alto da ilha, de onde se vê o verde e o azul, do mar, e dos poucos locais onde às vezes se sente frio.<br />
É bonito. Mas é perene. E sabemos que logo logo é preciso apanhar aquele verde todo e deixá-lo secar, para que os animais tenham que comer nos próximos longos meses.<br />
É por isso que os coveiros andam atentos às visitas. Porque quem limpa as campas também apanha a erva à volta. E eles querem-na bem crescidinha e lustrosa, para depois a cortar. E vender. Porque aqui, como em todo o mundo, a necessidade aguça o engenho.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-estranha-proibicao/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Os meninos das mamãs</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/portugal/os-meninos-das-mamas/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/portugal/os-meninos-das-mamas/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Sep 2008 10:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>António Martins Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/portugal/os-meninos-das-mamas/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[Remediado Fernando,
tive um professor que no final da adolescência decidiu sair de casa dos pais, assim como um navio que solta a amarra do porto para se poder fazer ao mar. Claro que não deitou contas e o que ele esperava ser um idílio começou a ganhar contornos de pesadelo. Pagar o quarto e comer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/a-ver-a-ponte.bmp" align="left" width="330" height="290" />Remediado Fernando,<br />
tive um professor que no final da adolescência decidiu sair de casa dos pais, assim como um navio que solta a amarra do porto para se poder fazer ao mar. Claro que não deitou contas e o que ele esperava ser um idílio começou a ganhar contornos de pesadelo. Pagar o quarto e comer exigiam dinheiro que não tinha suficiente. Sabedora disso, a mãe ia levar-lhe as refeições, que ele aceitava mas recebia em tom de protesto:”Lá vem a burguesia dar de comer ao proletariado”.<br />
<span id="more-587"></span>Recordei-me desta história - passada nos calores da Revolução de Abril e vivida por um barbudo e aguerrido militante da extinta UDP - a propósito da crise financeira que atravessa os Estados Unidos e vai atacar também aqui pelo Velho Continente como uma grande epidemia sem controlo.<br />
Ele fez o que o fervor do momento lhe impôs, mas esqueceu-se que era necessário sobreviver para disfrutar a suposta liberdade que almejava. Com as grandes financeiras norte-americanas a história tem uma moral semelhante, só que tudo em grande, como de costume. O jovem tirou a carta mal fez 18 anos, os papás compraram-lhe um descapotável logo a seguir, mais um apartamento, dinheiro com fartura, ele deslumbrou-se, pensou que a vida era só e apenas um mar de rosas e um belo dia espetou-se com o espadalhão contra uma palmeira em Beverlly Hills e acabou a gemer, todo engessado, nos cuidados intensivos do hospital.<br />
Os paizinhos, ai o meu rico menino, maldita palmeira, não saíam da cabeceira noite e dia e mal ele abriu a pestana sussuraram-lhe, para o animar, que já tinham encomendado outro carro, desta vez uma viatura mais segura, para andar mais protegidinho.<br />
Com as financeiras também foi assim. Empanturraram-se de dinheiro e foram sempre por ali fora, a querer ganhar mais e mais, como uma corrida louca pela auto-estrada, sempre mais e mais acelerador, mais e mais lucros sem olhar a meios e&#8230;pum! Espetaram-se&#8230; Quem devia ter visto, assobiou para o lado, quem alertou para a postura suicida foi desdenhado e insultado. Agora, são todos os contribuintes que vão ter que pagar a conta que meia dúzia de criaturas apelidadas de inteligentes contraíram para encher ainda mais os cozes a uma mão cheia de milionários. A propósito desta triste fábula, recomendo-te a leitura do que escreve sobre o assunto o que considero um dos mais eloquentes e sensatos comentadores da nossa praça, <a href="http://ruitavares.net/textos/nao-e-defeito-e-feitio/">Rui Tavares</a>.<br />
E que nos resta, Fernando? Ficar a ver o aperto cada vez mais agudo e insuportável, porque quem manda – e nós elegemos, há que o dizer – decidiu que este era o caminho a trilhar. Bom, também podes contrapôr que só de quatro em quatro anos é que se lembram de nós, porque de resto é um punhado de milionários, “eleitos” apenas e só pelo dinheiro que impõem a regras a quem diz que nos governa. Valha-nos a possibilidade de ir protestando, batendo o pé, gritando, em cartas como esta e recorrendo a meios verdaeiramente democráticos como a net. Para além disso, teremos que ficar a ver onde este caminho nos leva.</p>
<p>Um descrente abraço.</p>
<p>António Martins Neves</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/portugal/os-meninos-das-mamas/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Toma lá uma caretta</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/toma-la-uma-caretta/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/toma-la-uma-caretta/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 24 Sep 2008 09:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/toma-la-uma-caretta/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo
Esses pontinhos que vês na foto são tartarugas. Falei-te aqui várias vezes delas, se calhar demasiadas, de como as matam nestas ilhas quando chegam às praias para desovar. Falei-te de morte, hoje falo-te de vida. E mostro-te, ainda que a imagem não seja a melhor, que nem tudo é mau para o lado dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv22.jpg" align="left" height="220" width="300" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv28.jpg" align="left" height="220" width="300" />Caro amigo</p>
<p>Esses pontinhos que vês na foto são tartarugas. Falei-te aqui várias vezes delas, se calhar demasiadas, de como as matam nestas ilhas quando chegam às praias para desovar. Falei-te de morte, hoje falo-te de vida. E mostro-te, ainda que a imagem não seja a melhor, que nem tudo é mau para o lado dos bichinhos de carapaça.<br />
<span id="more-585"></span>São as “caretta caretta” essas que vês aí. É certo que ainda vivem muitas, mas também é verdade que se uma tartaruga põe no mínimo meia centena de ovos não quer dizer, nem de longe, que daí saiam outras tantas tartarugas marinhas, que voltarão às costas de Cabo Verde daqui por 20 anos.<br />
Por exemplo, as chuvas dos últimos dias terão matado algumas, ainda nos ovos, outras foram destruídas por cães, outras ainda por pura maldade e mais algumas por desleixo, incúria ou ignorância. Falo das que morrem esmagadas por aquelas motas de quatro rodas, que já se vão vendo, demasiado, pelas praias do Sal e da Boa Vista.<br />
E depois ainda que muitas vão para o mar é baixa a percentagem das que atingem a idade adulta. São demasiado pequenas e o mar grande de mais.<br />
Mas, caro amigo, devias de vê-las. Ainda assim é o mar que buscam mal conseguem sair da casca. Não sei se estão cegas, não sei se ouvem, mas sei que não se desviam por nada até as primeiras ondas as atingirem, as empurrarem para trás como se naquele mundo não tivessem cabimento. Podem perder por momentos o tino, podem dar cambalhotas, mas lá continuam, teimosas, mar dentro. Até as perderes de vista. Em direcção ao seu destino.<br />
Do grupo que fotografei e filmei na semana passada provavelmente nenhuma escapou. Porque são muitos os predadores e elas tão frágeis e tão sozinhas. É que, ao contrário das crenças de muitos ainda por aqui, as mães e os pais não as esperam ao largo para as proteger debaixo das barbatanas.<br />
Ainda assim fiquei muito contente por assistir àquele momento. Porque o destino assim se cumpriu. E é preciso que se cumpra com muitas centenas para que dessas centenas algumas dezenas voltem cá dentro de um quarto de século.<br />
E, confesso-te, gosto de acreditar que alguma daquelas que vi, que toquei, esteja ainda aí, lá fora, algures neste mar, a fazer-se à vida. E que um dia regresse. Para cumprir o seu destino.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/toma-la-uma-caretta/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Toma lá uma garça</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/portugal/toma-la-uma-garca/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/portugal/toma-la-uma-garca/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Sep 2008 09:30:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>António Martins Neves</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/portugal/toma-la-uma-garca/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[Verdejante Fernando,
andava eu a falar-te de episódios mais ou menos banais de umas férias sem história, apesar de boas, e eis se não quando sou quase massacrado com essa artilharia verde, vindo de onde eu já conheci, por tua causa, pessoas, lugares e modos, mas donde não esperava sinceramente um reviravolta assim. Um rochedo, uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/21_09_2008_19_22_00.jpg" align="left" width="337" height="450" />Verdejante Fernando,<br />
andava eu a falar-te de episódios mais ou menos banais de umas férias sem história, apesar de boas, e eis se não quando sou quase massacrado com essa artilharia verde, vindo de onde eu já conheci, por tua causa, pessoas, lugares e modos, mas donde não esperava sinceramente um reviravolta assim. Um rochedo, uma montanha de lava arrefecida há milhares de anos, verdejantes, numas ilhas que não conseguem livrar-se dessa condição de ficarem no enfiamento do maior deserto do mundo.<br />
Andei por aqui a remoer que te tinha que te responder à altura. Com uma faena dessas registada aqui, que trouxesse o país nas nuvens,  nós todos esquecidos das desventuras. Procurei, investiguei, ouvi, li e o melhor que encontrei para poder ombrear com essa autêntica provocação foi que aqui perdemos menos verde este ano. Assim mesmo!</p>
<p><span id="more-581"></span>Os fogos queimaram menos floresta e mato até agora, somando-se os valores mais baixos de que há memória. Imagina um quadrado com dez quilómetros de lado. Foi o que ardeu aqui até à entrada do Outono e numa altura em que já começa a chover. Foi o tempo, foram os políticos, foram os bombeiros. Terão sido todos juntos. Mas produziram o facto mais importante deste Verão. Ainda bem e só cumpriram a obrigação, os homens. Terão sido competentes como para tal são pagos, outros decidiram como deles não se esperava diferente e a coisa correu bem. Vai haver quem nivele por baixo e vá cobrar isso. Simples como estarmos em ano que antecede eleições para tudo. Um pormenor apenas.<br />
Muito mais significativa e carregada de significado é essa paisagem que enviaste do campo de futebol semeado de milho. Esvaiu-se-me por completo a esperança de te fazer chegar algo semelhante. Só que não me dei por derrotado. E hoje tirei a bicicleta da parede, equipei-me minimamente a rigor e decidi que haverias de ficar a saber o que se passa aqui à beira de Lisboa, a um palmo dos nosso olhos, e que pouca gente conhece e a maioria ignora por nunca lhe terem ensinado a ver a Natureza como ela tem que ser olhada.<br />
Peguei numa maquienta nova que tenho aqui e fiquei a saber que de minha casa à foz do rio Trancão - que separa os concelhos de Lisboa e de Loures, e que desagua no rio Tejo umas centenas de metros acima da Ponte Vasco da Gama - são 8,3 quilómetros. É um tiro de bicicleta, o melhor transporte do mundo, como já te dissera. A maquineta, a dar ares de quase perfeita, ainda me fez saber que levaria 25 minutos a chegar lá. Deixei-a em casa. Ajudou-me, dá-me indicações, mas queda-se por aí. Lá fui e lá estavam os que eu esperava ver. Aos pés de Lisboa, na maré-baixa, a vida fervilha no lodo, pelos vistos menos poluído, que nestas coisas os animais são maisee xigentes e mais difícieis de se adapatarem à porcaria do que nós. Flamingos, sim, aqueles pernaltas cor-de-rosa, patos selvagens, uns bandos daqueles passarinhos pequeninos que parecem uma companhia de tropas especiais voando sempre em formatura e aterrando todos no mesmo local , e as distintas <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gar%C3%A7a-real-europ%C3%A9ia">garças-reais</a>. Confesso-te que foi delas que eu fui à procura, para te mostrar como a dignidade pode encarnar numa ave. Que não parece nada de extraordinário, pernas altas, pescoço comprido, corpo mediano, mas que se extravasa quando abre as asas para aqueles curtos voos de pesqueiro em pesqueiro, a prescrutar a vida que anda ali a um palmo de profundidade e que ela colhe com golpes lancinantes e muito bem estudados, com doses de paciência e imobilidade de que só os seres distintos são capazes.<br />
E foi assim, Fernando, dos fogos não mostro nada porque isso seria o verde que sobreviveu quase incólume. Mas deixo-te uma garça-cinzeta. Vi algumas sete, elas que são solitárias e não se misturam nem gostam de grupos. Se calhar um destes dias ainda te posso dizer que o Tejo deixou de ser aquele conhecido esgoto. E nas garças eu acredito.</p>
<p>Um abraço optimista.</p>
<p>António Martins Neves</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/portugal/toma-la-uma-garca/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>E as nuvens passam serenas</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-as-nuvens-passam-serenas/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-as-nuvens-passam-serenas/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 09:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-as-nuvens-passam-serenas/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo
Fim-de-semana. Máquina fotográfica nova, claro. Lá fui eu, com gente amiga, dar uma volta pela ilha, para te confirmar aqui que Santiago está mesmo verde, embora a falta de chuva possa matar parte desta gigantesca plantação de milho e feijão onde estamos a viver. Aqui é mesmo assim. Chove, semeia-se febrilmente, continua a chover, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv8.jpg" align="left" height="220" width="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv12.jpg" align="left" height="220" width="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv16.jpg" align="left" height="220" width="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv25.jpg" align="left" height="220" width="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/cv46.jpg" align="left" height="220" width="250" />Caro amigo</p>
<p>Fim-de-semana. Máquina fotográfica nova, claro. Lá fui eu, com gente amiga, dar uma volta pela ilha, para te confirmar aqui que Santiago está mesmo verde, embora a falta de chuva possa matar parte desta gigantesca plantação de milho e feijão onde estamos a viver. Aqui é mesmo assim. Chove, semeia-se febrilmente, continua a chover, a ilha veste-se de verde, chove um pouco mais, as plantas crescem, a alegria também, e a esperança. E um belo dia as nuvens ficam só aí à volta, nós cá na terra de nariz para o ar, a farejar cheiro a água, e de ela nada. Rodeiam a ilha, metem um ar pesado, escurecem o céu, ameaçam uma bela bátega, e depois passam serenas, como se o milho não merecesse mais uma hipótese e tenha de morrer assim, a meio de crescer. Alguns tiveram sorte, semearam cedo. Ainda ontem vi umas espigas já “espigadotas” e há dois dias experimentei a colheita do ano.<br />
Outros, como os que semearam todo o campo de futebol ali para os lados de Pedra Badejo, talvez vejam a colheita morrer se não chover por estes dias.<br />
Passei por lá ontem e já se nota que a teimosia das nuvens vai dar maus resultados.  Mas depois do Tarrafal regressei a casa pela serra, onde o verde ainda é viçoso e se calhar a maior parte da colheita já se salva. Há milho. Há milho. Com as nuvens a escassear cada vez mais valha-nos isso, porque este povo, como já uma vez aqui te disse, também bem o merece.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-as-nuvens-passam-serenas/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Uma normalidade preocupante</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-normalidade-preocupante/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-normalidade-preocupante/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Sep 2008 09:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-normalidade-preocupante/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo
Sabes os furacões? Quando passam, destruindo tudo, e depois de repente pára o vento e a chuva e tudo fica muito calmo? Dizem que é o olho, o centro do furacão. É só uma calma aparente, preocupante, porque sabe-se que a seguir vem outro tanto. Aqui em Cabo Verde vive-se uma “normalidade preocupante”. Coisas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Sabes os furacões? Quando passam, destruindo tudo, e depois de repente pára o vento e a chuva e tudo fica muito calmo? Dizem que é o olho, o centro do furacão. É só uma calma aparente, preocupante, porque sabe-se que a seguir vem outro tanto. Aqui em Cabo Verde vive-se uma “normalidade preocupante”. Coisas de ministro. Normalidade não sei se vive, mas que é preocupante… ah lá isso é.<br />
<span id="more-574"></span>Ontem de manhã, depois de uns tempos conturbados especialmente aqui na Cidade da Praia, com assaltos frequentes e alguns bastante violentos, com mortes até, o ministro da Administração Interna, Lívio Lopes, deu uma conferência de imprensa para anunciar medidas para combater a crise, porque é de uma crise, de segurança, ou falta dela, que se trata.<br />
Questionado pelos jornalistas Lívio Lopes disse que não, que o país, e a Praia, não estão assim tão mal e que em Cabo Verde a situação é “de normalidade”. Ai sim? Então como é que se explica que as pessoas tenham deixado de sair de casa à noite? Que as notícias sobre assaltos se multipliquem? Que bairros inteiros se queixem?<br />
E diz o ministro: “não deixo de reconhecer que a situação é preocupante, mas não digo que é caótica”.<br />
Ora bem, aqui tens. Uma situação normal preocupante. À primeira vista se a situação é normal não devia ser preocupante. Mas vendo bem o que não faltam por aí são situações preocupantes e consideradas normais, normalmente preocupantes, preocupantemente normais.<br />
Aflige-me que de repente se comece a achar normal que um motorista de um transporte público seja morto em pleno trabalho, ao volante, que um guarda prisional leve uns tiros quando está para chegar a casa. Que um residente na zona nobre da capital tenha sido assaltado esta semana duas vezes. Que as pessoas deixem de sair, ir jantar fora ou a uma festa, por medo.<br />
Aflige-me que não cheguem os mais 180 polícias ontem anunciados, o combate às armas ligeiras, mais luz nas ruas, e tudo o que foi prometido. Que uma pessoa não possa ter um furo durante a noite que logo é assaltada.<br />
“Assistimos hoje, particularmente nos principais centros urbanos, Praia, Mindelo, Sal, Santa Catarina e São Filipe, a ocorrências criminais preocupantes, complexas e diversas, normalmente protagonizadas por grupos de jovens, comummente rotulados por +thugs+, que exigem (…) novas formas de actuações, firmes e imediatas”. Lívio Lopes. Também, como vês, está preocupado, apesar de lá ir dizendo que tudo está normal.<br />
Pois, se não estivesse também não tinha mandado ir a tropa para as ruas da Praia, como acontece desde ontem. Isso mesmo caro amigo, desde ontem temos, aqui na Praia, capital de Cabo Verde, os militares a patrulhar as ruas. Daqui por uns dias já a coisa será vista como normal. Pois… uma normalidade preocupante.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/uma-normalidade-preocupante/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>Verde</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/verde/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/verde/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Sep 2008 09:00:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/verde/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[
Caro amigo
Tanto silêncio faz-me pensar que ainda andas tu aí de férias, aproveitando se calhar estes últimos dias de calor, segundo o calendário. Por aqui a temperatura, felizmente, baixou. Não tem chovido, mas quero que vejas o que as águas fizeram por cá. Santiago, claro, mas ao que parece todas as ilhas. Até a Boa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/imagem1.jpg" align="left" width="300" height="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/imagem3.jpg" align="left" width="300" height="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/imagem2.jpg" align="left" width="300" height="250" /><img src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/imagem4.jpg" align="left" width="300" height="250" /></p>
<p>Caro amigo</p>
<p>Tanto silêncio faz-me pensar que ainda andas tu aí de férias, aproveitando se calhar estes últimos dias de calor, segundo o calendário. Por aqui a temperatura, felizmente, baixou. Não tem chovido, mas quero que vejas o que as águas fizeram por cá. Santiago, claro, mas ao que parece todas as ilhas. Até a Boa Vista e o Maio, bafejadas com belas praias mas onde em (des) compensação a chuva  ainda escasseia mais. O Fogo, pelo que me dizem, parece uma ilha dos Açores. E imagino como devem estar lindos os vales de S. Vicente e  as montanhas de Santo Antão&#8230; Aqui, por Santiago, o milho já nasceu e as vacas e cabras andam com um ar feliz e saudável. Respira-se melhor, há menos pó e a esperança de um bom ano agrícola cresce, como as plantas, todos os dias mais um bocadinho. Mando-te sem mais umas fotos raras, de Cabo Verde verde.</p>
<p>Um abraço e espero em breve novas tuas</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/verde/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
		<item>
		<title>O lusco e o fusco</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-lusco-e-o-fusco/2008/09</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-lusco-e-o-fusco/2008/09#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 11 Sep 2008 09:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-lusco-e-o-fusco/2008/09</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo
Cheguei uma noite destas, já madrugada. Saí de fininho, sem ninguém me perguntar se queria ajuda nas malas ou se precisava de táxi, coisa rara. E percebi que os dias que aí vinham não iam ser fáceis, pelo calor e humidade que se agarraram a mim mal deixei o avião. Ainda cá andam.
É por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img rel='domelhor'  src="http://atlantico-expresso.net/ficheiros/imagem-10.jpg" align="left" height="164" width="250" />Caro amigo</p>
<p>Cheguei uma noite destas, já madrugada. Saí de fininho, sem ninguém me perguntar se queria ajuda nas malas ou se precisava de táxi, coisa rara. E percebi que os dias que aí vinham não iam ser fáceis, pelo calor e humidade que se agarraram a mim mal deixei o avião. Ainda cá andam.<br />
<span id="more-561"></span>É por isso que ainda ontem, por exemplo, num bar ao fim da tarde, onde me encontrei com um amigo, pedimos dois cafés e uma garrafa de litro e meio de água fresca. Bebo litros e litros de água por dia e desespero quando me dizem que enquanto não voltar a chover o tempo vai ficar assim. Estamos condenados por aqui a andar ensopados, de uma maneira ou de outra.<br />
Mas de resto, caro amigo, tudo continua calmo por aqui. Percebi também isso quando, na noite que cheguei, liguei aliviado o ar condicionado do carro e a rádio começava a passar uma música de Joe Cocker, Up Where We Belong. Lembras-te? Aquela do filme Oficial e Cavalheiro, coisa para noites que não acontece nada, melosa e com 400 anos, a dizer-me que se me lembro dela e do filme é porque já não sou propriamente um jovem.<br />
Serve-me de consolo que aqui, com esta temperatura, somos todos iguais, novos ou velhos, transpirando que nem loucos, e já agora indefesos perante a violência que continua por cá. Ainda ontem, pela noitinha, foi alvejado mortalmente o motorista de um autocarro, sem aparente motivo, se é que alguma vez pode haver um motivo para coisas destas.<br />
A Praia, para quem acaba de chegar de Lisboa, é uma cidade escura. A maior parte das ruas estão mal iluminadas ou nem sequer estão, e quando chega o lusco-fusco as pessoas de bem refugiam-se em casa. A noite, cada vez mais, parece-me, é quando os maus saem à rua, a noite é deles e a Praia caminha com passinhos curtos para uma cidade perigosa e indefesa.<br />
Sei que por aí, por Portugal, as coisas não vão bem igual. Espero que aqui não se caminhe para pior. Porque o calor às vezes faz mal à cabeça das pessoas. Amolece-as. Embrutece-as. Confunde-as. Baralha-as. Tolda-as. E o lusco-fusco não resolve nada porque faz tanto calor de dia como de noite. Ainda assim tenho para mim que eles não estão inocentes. Porque a maior parte dos disparates acontecem quando chegam. Só ainda não descobri quem é o mau. Se o lusco se o fusco. Se souber digo-te.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-lusco-e-o-fusco/2008/09/feed</wfw:commentRss>
		</item>
	</channel>
</rss>
