Três tiros por… amor?
Publicado por Fernando Peixeiro 11 Dezembro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Anda bravo isso aí pelo norte, onde se leva uns tiros como se muda de camisa. Nada como uma coisa assim para a malta instalar umas câmaras nas ruas. Quando a coisa chegar a Lisboa e quando eu aí estiver a ver se não me esqueço de andar bem penteadinho (como se fosse possível), para não ficar mal no filme. Aqui deviam instalar umas mas era na cadeia. Queres saber porquê? Então abre lá o resto do texto.
Já aqui estás? Ora ainda bem. Então na cadeia? Pois! É que na semana passada um preso levou aqui, na cadeia da Praia, três tiros, disparados por outro preso, imagina tu que com uma pistola igual à que os guardas prisionais usam. Giro não é?
A vítima foi um rapaz bem parecido de nome Carlos Moreira, conhecido por Caló, que em Agosto do ano passado foi apanhado com a boca na botija, ou melhor, com a mão na coca, quando fazia um voo da Praia para a Holanda. O Caló era comissário de bordo dos TACV, as linhas aéreas de Cabo Verde, e foi, naturalmente, preso de imediato, pelos dois quilinhos de cocaína que transportava.
Caló nem esteve um mês preso porque conseguiu fugir e só foi encontrado, já em meados de Setembro, na ilha da Boa Vista. Foi recambiado para a cadeia de S. Martinho, onde esteve até à passada quinta-feira.
Segundo a imprensa daqui o jovem já se tinha queixado de que andavam a tentar matá-lo e que até o tinham tentado envenenar. O pessoal interroga-se agora como é que o outro preso conseguiu ter uma Walter dentro da cadeia, igual à dos guardas, como é que teve tempo de disparar uma, duas, três vezes contra o Caló, sem que ninguém mexesse uma palha.
Ao que parece o ex-comissário era uma peça fundamental para esclarecer uma investigação de tráfico de droga e estava em prisão preventiva, porque ainda nem sequer tinha ido a julgamento.
Um jornal aqui, A Semana, conta que o homem que lhe forneceu a droga também está preso, em São Vicente, desde que foi extraditado de Portugal em Junho. E suspeita-se que esse pertence a uma rede internacional de tráfico de droga e lavagem de capitais.
Já o que atirou na semana passada em Caló está a cumprir uma pena de 19 anos de prisão por ter sido considerado o autor de assassinatos violentos aqui na Praia, há dois anos. Eu não estava cá mas falaram-me disso, quando várias pessoas apareceram assim, mortas, como essas aí no Porto. Aqui falou-se de ajustes de contas relacionados com tráfico de droga.
Quanto ao Caló, até agora, as autoridades nem piaram. Nem polícia, nem judiciária, nem serviços prisionais, nada. Só o ministro da Administração Interna é que já disse qualquer coisa, quase arrancada a ferros, mas do género que o governo fará tudo para esclarecer o caso. Obrigadinho senhor!
Por aí a guerra parece ser entre seguranças da noite. E vão seis mortos. Por aqui? Por aqui… por aqui… olha… um crime passional é que não deve ter sido!
Um seguro abraço
Fernando Peixeiro



E vão seis mortos… mas a coisa está por pouco… de acordo com o director nacional da PJ, estes homicídios estão a acabar. “Isto vai acabar”, disse ele, mais ou menos.
Vai sim, a este ritmo, isto acaba depressa. Deixará de haver seguranças da noite… pelo menos… vivos!!!
Aliás, se a polícia resolver tão depressa este caso como o da Maddie ou o das outras crianças desaparecidas parece-me bem que quem prime o gatilho vai ter de mudar de alvo.
E, vai-se a ver, com a história da desertificação do Alentejo até pode ser que isto por aqui vire um “farwest” (será que é assim que se escreve).
Upsss!!!! Se calhar até já é!!!!