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	<title>Comentários em: O preço de um escravo</title>
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	<description>Um mar de palavras e memórias</description>
	<pubDate>Thu, 04 Dec 2008 19:43:53 +0000</pubDate>
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		<title>Por: ricardo</title>
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		<dc:creator>ricardo</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Jun 2007 11:47:45 +0000</pubDate>
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		<description>Maria João, serás tu quem eu penso que sejas!!?
Se fores, olha, deixa que te diga que até fiquei comovido a olhar para o que escreves. Nãopelo dito, mas pelo lembrado!
Pois é, minha querida, pois é... e a história desta gente, os tais novos escravos, ainda está agora a começar. Quando andei pela costa, em Nouadhibou há um imenso bairro, Sherka, onde mais de 25 mil(ao certo ninguém sabe quanto) malianos, guineenses, senegaleses, nigerianos(Niger)... aguardam vez para partir. Outros vão chegando! Ninguém teme a partida, ninguém teme o mar, mesmo aqueles que o olham pela primeira vez. E sabes, não creio que na Europa já tenham percebido que esta gente não é o inimigo! Que a sua vontade de partir é tão absurdamente legítima que custa entender como se lhes barra o acesso ao "el dorado". Têm uma máxima, esta gente, sacada de experiências passadas por outros. Dizem-no em Holof, mas em português sera algo como isto: Barcelona ou a morte! E vão continuar a partir... e vão continuar a ser rechaçados. A morrer no mar, a morrer na terra deles e delas... Em conversa há dias com o Peixeiro, falavamos na noção partilhada de que há quem se habitue aos olhares vagamente mortos, vagamente vivos, daqueles que atracam nas Canárias ou em Cabo Verde, quando o mar para lá os atira. Vi centenas, alguns já cadáveres, mas nunca me habituei, espero nunca me habituar... O Peixeiro também não! Mas, o que maos me fode, para te dizer a verdade, é que os jornais, tv´s etc... passam páginas e horas a falar da infortunada miúda inglesa que desapareceu do Algarve. Quando a tragédia negra, que no seu gigantismo, vai enegrecendo sorrateiramente a Europa de brancos costumes, está aqui já, sob uma espessa camada de sofimento, mas também de coragem, uma coragem a que essa tal Europa de brancos costumes já não está habituada. Melhor, já não consegue descodificar. E eles, aos milhares, estão lá, em Sherka, em Nouakchott, na costa do Senegal, da Guiné-Bissau, da Gâmbia, pelo menos até Outubro, enquanto o mar anda calmo, distráido com os cardumes de atum que por esta altura rumam, também, para norte, à espera de uma oportunidade. O velho Joseph N´Dyaie diz algo que é tão certo como certo é o êxodo africano estar agora a começar: Diz ele que são escravos por opção! Caramba, quando se é escravo por opção, o que não estará por detrás?? Tenho apenas uma certeza, quem decide em BRuxelas ou Madrid enviar barcos patrulha para interceptar as pequenas pirógas cheias de corajosos africanos, é porque toma estas decisões em climatizados gabinetes sem janelas para a realidade sobre a qual incidem as suas coordenadas. Até mais ver, rapariga!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Maria João, serás tu quem eu penso que sejas!!?<br />
Se fores, olha, deixa que te diga que até fiquei comovido a olhar para o que escreves. Nãopelo dito, mas pelo lembrado!<br />
Pois é, minha querida, pois é&#8230; e a história desta gente, os tais novos escravos, ainda está agora a começar. Quando andei pela costa, em Nouadhibou há um imenso bairro, Sherka, onde mais de 25 mil(ao certo ninguém sabe quanto) malianos, guineenses, senegaleses, nigerianos(Niger)&#8230; aguardam vez para partir. Outros vão chegando! Ninguém teme a partida, ninguém teme o mar, mesmo aqueles que o olham pela primeira vez. E sabes, não creio que na Europa já tenham percebido que esta gente não é o inimigo! Que a sua vontade de partir é tão absurdamente legítima que custa entender como se lhes barra o acesso ao &#8220;el dorado&#8221;. Têm uma máxima, esta gente, sacada de experiências passadas por outros. Dizem-no em Holof, mas em português sera algo como isto: Barcelona ou a morte! E vão continuar a partir&#8230; e vão continuar a ser rechaçados. A morrer no mar, a morrer na terra deles e delas&#8230; Em conversa há dias com o Peixeiro, falavamos na noção partilhada de que há quem se habitue aos olhares vagamente mortos, vagamente vivos, daqueles que atracam nas Canárias ou em Cabo Verde, quando o mar para lá os atira. Vi centenas, alguns já cadáveres, mas nunca me habituei, espero nunca me habituar&#8230; O Peixeiro também não! Mas, o que maos me fode, para te dizer a verdade, é que os jornais, tv´s etc&#8230; passam páginas e horas a falar da infortunada miúda inglesa que desapareceu do Algarve. Quando a tragédia negra, que no seu gigantismo, vai enegrecendo sorrateiramente a Europa de brancos costumes, está aqui já, sob uma espessa camada de sofimento, mas também de coragem, uma coragem a que essa tal Europa de brancos costumes já não está habituada. Melhor, já não consegue descodificar. E eles, aos milhares, estão lá, em Sherka, em Nouakchott, na costa do Senegal, da Guiné-Bissau, da Gâmbia, pelo menos até Outubro, enquanto o mar anda calmo, distráido com os cardumes de atum que por esta altura rumam, também, para norte, à espera de uma oportunidade. O velho Joseph N´Dyaie diz algo que é tão certo como certo é o êxodo africano estar agora a começar: Diz ele que são escravos por opção! Caramba, quando se é escravo por opção, o que não estará por detrás?? Tenho apenas uma certeza, quem decide em BRuxelas ou Madrid enviar barcos patrulha para interceptar as pequenas pirógas cheias de corajosos africanos, é porque toma estas decisões em climatizados gabinetes sem janelas para a realidade sobre a qual incidem as suas coordenadas. Até mais ver, rapariga!</p>
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		<title>Por: Maria João</title>
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		<dc:creator>Maria João</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jun 2007 07:23:17 +0000</pubDate>
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		<description>Parabéns a Ricardo Bordalo e a Olmar Camilo. Não conheço o Omar, mas o Ricardo, conheço-o dos tempos de Viseu, da Revista Plágio, da Vagabundagem de Poetas com o Rebocho e das celebrações do Correio Beirão em Moimenta da Beira, com o nosso querido Rui Bondoso. Um abraço para o Ricardo e parabéns aos dois e à Agência.
Nunca é demais contar as histórias daquelas que perseguem um sonho, assim tão indefesos e explorados. Nunca é demais acusar os responsáveis e repeti-lo, repeti-lo até à exaustão.
Johnny</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Parabéns a Ricardo Bordalo e a Olmar Camilo. Não conheço o Omar, mas o Ricardo, conheço-o dos tempos de Viseu, da Revista Plágio, da Vagabundagem de Poetas com o Rebocho e das celebrações do Correio Beirão em Moimenta da Beira, com o nosso querido Rui Bondoso. Um abraço para o Ricardo e parabéns aos dois e à Agência.<br />
Nunca é demais contar as histórias daquelas que perseguem um sonho, assim tão indefesos e explorados. Nunca é demais acusar os responsáveis e repeti-lo, repeti-lo até à exaustão.<br />
Johnny</p>
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