Ó Nuuuuuunes!!!!

Caro amigo

Hoje vou continuar à volta do mesmo assunto da carta passada. E vem a propósito que está cá, desde ontem, o presidente da ASAE, António Nunes, que vem aqui assinar uns protocolos de cooperação. Chegou ontem, mas se tivesse poderes para isso acho que ainda estaria no aeroporto, para aí no terceiro livro de multas.
E isto porque eu acho, e já te disse, que fazia falta aqui uma brigada do tipo da ASAE mas assim do género com poderes alargados, que multasse as pessoas que atiram garrafas de vidro para a estrada, as que se atrasam mais do que uma hora, vá lá, duas, e as que prometem fazer uma coisa e depois fazem de conta que não é nada com elas.
Vou dar-te só dois ou três, tristes, exemplos, para já não falar daquele que já te falei que levou a que demorássemos quatro horas para ver um filme de hora e meia.
Um deles vai tocar-me já amanhã. Pois imagina tu que aqui onde vivo paga-se seis mil escudos cabo-verdianos (50 euros, mais coisa menos coisa) de condomínio, para termos luz no exterior, elevadores, seguranças e essas mordomias todas que, como deves imaginar, são para quem cá mora, sem excepção. Pois há umas alminhas aqui que se julgam superiores às outras e decidiram que isso de condomínio era para os parvos. E pura e simplesmente nunca pagaram, nem estão a pensar pagar.
E o resultado disto? Pois bem, vão cortar-nos a electricidade já amanhã. Da rua e das escadas, bem se vê, porque o que consumo aqui em casa sou eu que pago, e isso está em ordem. E o problema maior, além de andarmos de vela nas escadas e ser perigoso porque este país não está para graças, é que sem luz as bombas de água não funcionam e, portanto, vamos ficar sem água nas nossas belas casinhas.
Sábado passado marcaram uma reunião de urgência do condomínio. Diga-se que era para começar às 17:00 mas a essa hora estava lá eu e mais uma senhora, com ares infelizes, a olhar um para o outro e para o relógio. Quem marcou a reunião chegou meia hora depois e os moradores, quando tive de me ir embora, eram menos de 20, num universo de 80. Ainda hoje não sei se apareceram os devedores e pagaram os 600 e tal euros que é preciso para não ficarmos às escuras. Ora diz-me lá tu! Não mereciam uma bela multa?
É esta irresponsabilidade que grassa aqui. Agravada com a impunidade. Na sexta-feira, o tal festival da Gambôa atrasou mais de uma hora porque a criatura que devia ir lá ao palco dizer umas graçolas e gritar “Gambooooaaa” apareceu uma hora depois. Os músicos estavam todos lá, de mãos nos bolsos, à espera.
Na quinta foi Mário Lúcio, cantor, que deu um concerto sem um dos músicos que, olha, decidiu não dar cavaco. Assim. Nem um telefonema, nem uma cartinha. Não foi e pronto.
Quando estive no Sal trabalhei no primeiro dia com um fotógrafo local. Pedi-lhe que ele estivesse no mesmo local, o tribunal, às 14:00 e apareceu às 14:30. Pedi-lhe que ficasse até às 17:30 e pirou-se. E não me atendeu mais o telefone. Noite dentro lá atendeu. Com muita diplomacia passei por cima do caso e combinamos para o dia seguinte às 08:30, porque precisava de mais fotografias. Lá estarei, assegurou-me. Não apareceu nem me atendeu mais o telefone. Também não lhe paguei.
E isto são só alguns casos. Que mereciam umas multas? Ah, pois mereciam. Agora se o Nunes andar por aí uns dias… produtos fora de validade, falsificados, marcados a um preço e vendidos a outro, não marcados, sem qualquer higiene, rótulos que não existem… Já o imagino, extasiado, língua de fora, caneta em riste. Pudesse ele! Por mim vamos todos fazer uma forcinha! Ó Nuuuuuuuunes!!!!

Um abraço
Fernando Peixeiro


1 Response to “Ó Nuuuuuunes!!!!”

  1. 1 ricardo

    O meu nome é Nunes, em pequenino chamavam-me de Funes, aquele da memória pantagruélica. Bem, uma coisa é certinha como o relógio da minha terrinha, se bem me amemóro, o desgraçado do Peixeiro vai mesmo ficar como dos poucos a pagar o tal condomínio mas não vai ficar sem água. Vai uma aposta!? É que, se bem me presêncio, lá pelo tal sítio deve morar uma prima do senhor doutor que é amigo de um primo do director geral das Pescas que conhece bem o porteiro da Electra. E o problema resolve-se… como sempre! Cabo Verde é um país fantástico por muitas coisas, mas a que mais me impressiona, para além da eficácia com que alguns tipos espetalhaços sacam umas massas ao patetas ex-colonialistas, é que nada funciona tão bem como quando, ao abrigo das referências europeias, nada devia funcionar. Como é disso exemplo a aguinha do Peixeiro que não vai faltar por mais atrasos que estejam os pagamentos do comdomínio.

    Nunes, o Funes, cheio de Memórias.

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