Caro amigo

Sabes que uma encomenda enviada de Lisboa para aqui demora quase um mês a chegar? E sabes que os correios de Cabo Verde têm a lata de te abrir o correio? E sabes que a alfandega, de forma prepotente e irracional, te quer obrigar a pagar mais do dobro do valor do que te foi enviado? É verdade! O único direito que tens aqui é o de recusar o que te enviaram.
Vou contar-te, em breves palavras, o que aconteceu comigo, para que vejas que não estou a inventar nem tão pouco a fazer acusações infundadas.
Há mais de um mês, um amigo meu, professor da Universidade da Algarve, pediu-me se podia enviar-me um pacote com nove máquinas fotográficas descartáveis, que eu faria o favor de, depois, fazer chegar a uma aldeia piscatória, para com elas os pescadores poderem fotografar, se fosse possível, tartarugas.
Esse meu amigo está a desenvolver, aqui, um trabalho de investigação sobre as tartarugas que vêm pôr os ovos nas praias do país, por esta altura. Os pescadores estavam avisados e preparados para receber as máquinas, que foram compradas no Algarve a cerca de 8  euros cada uma.
Bem. Ele lá mandou a encomenda, uma caixinha dos correios de Portugal, com as 9 máquinas muito bem acomodadas, e foi depois perguntando-me, por mail, se já as tinha recebido. A resposta foi sempre negativa. Ele entretanto, no fim do mês passado, viajou para Cabo Verde, começou a desenvolver o seu trabalho, e da caixinha nada.
Na semana passada recebi, finalmente, uma nota dos correios de Cabo Verde, indicando que só eu poderia levantar a tal caixinha. Puro engano! Quando fui aos correios disseram-me que só através de um despachante. Porquê, perguntarás tu. Não soube na altura e não sei ainda hoje. E provavelmente nunca irei saber!
Mas enfim, confesso que me senti aliviado por saber que a encomenda, um mês depois, tinha chegado a Cabo Verde. Fraco alívio. Na semana passada pedi para me tratarem da encomenda todos os dias e nada. E esta semana começamos logo na segunda-feira a caminhar para o despachante para, na quarta-feira “inventarem” que só me davam a encomenda mediante prova de compra. Absurdo! Eu não comprara nada!
Ontem, com o dono das máquinas, lá fomos de novo ao despachante. O expedidor e o receptor, para explicar tudo e tentar perceber o que se estava a passar. O despachante, muito simpaticamente, acompanhou-nos aos correios. O remetente, o recebedor e o despachante.
E que é que os três ficámos a saber? Que os correios de Cabo Verde, tinham aberto a caixinha, ou que a tinham dado à alfandega para abrir. E ficámos também a saber que alguém muito inteligente daquele edifício avaliou cada máquina fotográfica descartável em 50 euros. E até conseguiu fazer as contas: estavam ali 450 euros e eu, para levantar o material, teria de desembolsar quase 200, mais ou menos o triplo do real valor da coisa.
Para concluir, caro amigo, devo dizer-te que afinal estive com a caixinha na mão, ao lado do meu amigo que me a tinha enviado. Estava violada, claro está. E sabes para quê estive com ela? Para escrever a palavra “recusado” e assinar.
A caixa vai voltar para o Algarve e os pescadores bem podem esperar pelas máquinas. Um alívio para as tartarugas. Assim já não têm de se preocupar com o visual.

Um honesto abraço

Fernando Peixeiro


5 Responses to “O erro de confiar nos correios de Cabo Verde”

  1. 1 ricardo

    onomatopeia!!!!!!!!!!!!!!

  2. 2 julio bueno

    Peixeiro. A história que contas é de estarrecer. Arrepia-me todos os cabelçes e pelos do corpo só de pensar em tal situação. um abraço

  3. 3 Hamiton Rodrigues

    É sem dúvida uma situação ridícula, mas devo dizer-lhe já passei
    aqui em Lisboa, por situações muito parecidas.
    No meu caso era um livro de selos de Macau e tive de pagar direitos
    mais IVA.
    Numa forma geral, diria que situações semelhantes ocorrem em todo o mundo, pois com a minha experiência de viajar por este mundo, já
    tive casos semelhantes em outros países, mesmo com peças para
    reparação de equipamentos médicos de pouco valor;
    diga-se cêrca de USD $ 15.00 e foi em Angola.
    Em geral os funcionários aduaneiros são como os cavalos; têm visaeiras
    e só vêm em frente, nada para os lados.

  4. 4 indira

    eu sou cabo verdiano e acredito que eles fazem isso mesmo abrindo caixas que nao lhes pertecem.

  5. 5 carlos

    Interessante ! Eu no dia 13 de Julho de 2009 enviei duas encomendas, uma no valor de 280 euros e outro no valor de 700euros ( 3 telemoveis e um Smartphone mais 7 oculos de natação) para uns amigos, para minha supresa depois de 9 dias dizem a minha mãe que só chegou uma encomenda( a de 280euros). fui ao correio de viana do castelo (portugal) e eles tiveram que recorrer a internet para que eu possa acreditar que as duas encomendas sairam juntas daqui de portugal e que o erro só pode ser dos correios de Cabo Verde.