O erro de confiar nos correios de Cabo Verde
Publicado por Fernando Peixeiro 21 Julho 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Sabes que uma encomenda enviada de Lisboa para aqui demora quase um mês a chegar? E sabes que os correios de Cabo Verde têm a lata de te abrir o correio? E sabes que a alfandega, de forma prepotente e irracional, te quer obrigar a pagar mais do dobro do valor do que te foi enviado? É verdade! O único direito que tens aqui é o de recusar o que te enviaram.
Vou contar-te, em breves palavras, o que aconteceu comigo, para que vejas que não estou a inventar nem tão pouco a fazer acusações infundadas.
Há mais de um mês, um amigo meu, professor da Universidade da Algarve, pediu-me se podia enviar-me um pacote com nove máquinas fotográficas descartáveis, que eu faria o favor de, depois, fazer chegar a uma aldeia piscatória, para com elas os pescadores poderem fotografar, se fosse possível, tartarugas.
Esse meu amigo está a desenvolver, aqui, um trabalho de investigação sobre as tartarugas que vêm pôr os ovos nas praias do país, por esta altura. Os pescadores estavam avisados e preparados para receber as máquinas, que foram compradas no Algarve a cerca de 8 euros cada uma.
Bem. Ele lá mandou a encomenda, uma caixinha dos correios de Portugal, com as 9 máquinas muito bem acomodadas, e foi depois perguntando-me, por mail, se já as tinha recebido. A resposta foi sempre negativa. Ele entretanto, no fim do mês passado, viajou para Cabo Verde, começou a desenvolver o seu trabalho, e da caixinha nada.
Na semana passada recebi, finalmente, uma nota dos correios de Cabo Verde, indicando que só eu poderia levantar a tal caixinha. Puro engano! Quando fui aos correios disseram-me que só através de um despachante. Porquê, perguntarás tu. Não soube na altura e não sei ainda hoje. E provavelmente nunca irei saber!
Mas enfim, confesso que me senti aliviado por saber que a encomenda, um mês depois, tinha chegado a Cabo Verde. Fraco alívio. Na semana passada pedi para me tratarem da encomenda todos os dias e nada. E esta semana começamos logo na segunda-feira a caminhar para o despachante para, na quarta-feira “inventarem” que só me davam a encomenda mediante prova de compra. Absurdo! Eu não comprara nada!
Ontem, com o dono das máquinas, lá fomos de novo ao despachante. O expedidor e o receptor, para explicar tudo e tentar perceber o que se estava a passar. O despachante, muito simpaticamente, acompanhou-nos aos correios. O remetente, o recebedor e o despachante.
E que é que os três ficámos a saber? Que os correios de Cabo Verde, tinham aberto a caixinha, ou que a tinham dado à alfandega para abrir. E ficámos também a saber que alguém muito inteligente daquele edifício avaliou cada máquina fotográfica descartável em 50 euros. E até conseguiu fazer as contas: estavam ali 450 euros e eu, para levantar o material, teria de desembolsar quase 200, mais ou menos o triplo do real valor da coisa.
Para concluir, caro amigo, devo dizer-te que afinal estive com a caixinha na mão, ao lado do meu amigo que me a tinha enviado. Estava violada, claro está. E sabes para quê estive com ela? Para escrever a palavra “recusado” e assinar.
A caixa vai voltar para o Algarve e os pescadores bem podem esperar pelas máquinas. Um alívio para as tartarugas. Assim já não têm de se preocupar com o visual.
Um honesto abraço
Fernando Peixeiro



onomatopeia!!!!!!!!!!!!!!
Peixeiro. A história que contas é de estarrecer. Arrepia-me todos os cabelçes e pelos do corpo só de pensar em tal situação. um abraço
É sem dúvida uma situação ridícula, mas devo dizer-lhe já passei
aqui em Lisboa, por situações muito parecidas.
No meu caso era um livro de selos de Macau e tive de pagar direitos
mais IVA.
Numa forma geral, diria que situações semelhantes ocorrem em todo o mundo, pois com a minha experiência de viajar por este mundo, já
tive casos semelhantes em outros países, mesmo com peças para
reparação de equipamentos médicos de pouco valor;
diga-se cêrca de USD $ 15.00 e foi em Angola.
Em geral os funcionários aduaneiros são como os cavalos; têm visaeiras
e só vêm em frente, nada para os lados.