Nos terra morabeza - mornas e coladeiras as noites inteiras
Publicado por Fernando Peixeiro 20 Maio 2007 em Cabo Verde.Caro amigo,
como tu dizias e muito bem hoje é dia de folguedo. E por isso mesmo não te vou maçar muito. Quero apenas contar-te que este fim-de-semana, aqui na Praia, não se dorme. Pelo menos de noite! São mornas e coladeiras as noites inteiras, da praia da Praia para todas as ilhas. E quem vive perto ainda que queiria também não prega olho. Por isso, se não os podes vencer e não és surdo, junta-te a eles. Ic!
Pois é caro amigo. Porque a vida são três dias e trabalhar custa, a Câmara da Praia organiza todos os anos, por esta altura, o festival da Gambôa: exactamente três dias, ou melhor três noites, de música ao ar livre, na praia da capital.
Começou sexta-feira com o grupo Bulimundo. T-shirts brancas com a frase “Nos identidade” na frente e “N bem di fora” nas costas, uma espécie de publicidade ao produto nacional, porque os Bulimundo são de cá. Depois vieram os Irmãos Verdade, de Angola, e depois Gylito, que tem por aqui um grande êxito chamado “Nos terra morabeza”.
E foi o princípio só. A festa começou altas horas, quase meia-noite, mas também só acabou com o raiar do dia, com o último grupo a actuar já com o sol nascido. Comida, principalmente pinchos, e muita bebida. Cervejas, grogue, ponche… tudo misturado com funaná, mornas, coladeiras, batuques, rap, hip hop e tudo o que possas imaginar. E o mar ali ao lado. E não é por se saber que a água está poluída que não vai um mergulho.
Aliás, deixa-me dizer-te, a partir das quatro da manhã vai tudo. Vale tudo. Por essa altura até me parece que muita gente já não está ali para ouvir a música. Está porque… ora… está porque sim. E há excessos? Claro que os há, meu amigo, naturalmente.
Voltarei a falar-te da Gambôa. Não agora. Não me apetece. Dói-me um pouco o estômago (não sei porquê), está na hora de começar mais uma noite de festa, faz calor e a música ouve-se de casa. Não distingo muito bem o que dizem, mas até jurava que já me chamaram algumas vezes.
Pode ser impressão, mas hoje também não estou muito bem dos ouvidos. Se calhar preciso de apanhar um pouco de ar fresco! “Nos terra morabeza”!
Um cansado abraço.
Fernando Peixeiro



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