Não há coincidências
Publicado por Fernando Peixeiro 23 Novembro 2007 em Cabo Verde.
Caro amigo
Partilho contigo as tuas opiniões sobre a falta de carácter que assola a classe política mas confesso que me deixou mais preocupado, muito mais, a mortandade de golfinhos aqui nas ilhas. Foram 265 em dois dias. Uma espécie de suicídio colectivo. Ou homicídio. E se calhar nunca vamos saber a verdade.
A coisa começou domingo, aqui na ilha da Boa Vista. De repente, sem ninguém saber porquê, começaram a dar à costa dezenas de golfinhos. Os populares, alguns, ainda tentaram salvá-los, empurrá-los para dentro de água, mas foi impossível. Não estive lá mas, esse sim, deverá ter sido um “espectáculo dantesco”, uma frase que nós, jornalistas, tanto gostamos de usar.
Mas a coisa continuou para segunda-feira e na quarta alguns ainda rondavam a ilha, como se esta fosse uma atracção irresistível, a atracção do abismo, a atracção da morte. Foram 265 em pouco mais de 48 horas, espalhados pela praia, enterrados ali mesmo, alguns, outros, imagina tu, levados pelos populares para os comerem. Tal foi que quando ontem responsáveis do Ministério do Ambiente queriam um para análise não havia.
Agora, e não sei se para sempre, desconhecem-se as causas do desastre. Diz-se, por aqui, que há situações em que quando os golfinhos perdem o líder podem ter reacções destas, ou então esse líder, ou lideres, é que ficam loucos e dirigem-se para a morte, sendo seguidos pelo resto do grupo.
Mas também se diz, há pelo menos quatro anos, que os cetáceos podem ser afectados pelos sonares dos barcos, especialmente dos submarinos, os grandes submarinos, equipados com as mais sofisticadas tecnologias.
Em 2003, a revista “Nature” publicou um estudo no qual alertava que os sonares dos navios militares poderiam estar na origem de uma doença nos cetáceos, atribuindo a essa causa a morte de 14 baleias na zona das Canárias em 2002, quando se realizava ali um exercício naval internacional.
Segundo a “Nature”, os sintomas da doença são semelhantes aos que apresentam os mergulhadores quando sujeitos a variações bruscas de pressão e levam ao encalhe nas praias e morte dos animais, com congestões vasculares e pequenas hemorragias nos órgãos vitais.
Os sinais acústicos transmitidos pelos sonares, segundo esta teoria, não matam os animais mas sim deixavam-nos desorientados, levando-os a emergir muito rapidamente. Assim aconteceria aos golfinhos aquilo que acontece a um mergulhador que sobe para a superfície muito rapidamente.
A acreditar nisto, os golfinhos não procuraram a praia para nela se suicidarem, os golfinhos já estavam a morrer quando ali chegaram.
Falta dizer-te uma coisinha. Na semana passada esteve aqui no porto do Mindelo um desses grandes submarinos, o USS Annapolis, dos Estados Unidos. O submarino fez-se ao mar no sábado e os golfinhos começaram a morrer no domingo.
Em 2003 parece que já aconteceram aqui outras mortandades de golfinhos, nas ilhas de Santa Luzia e do Maio. As autoridades dizem que não havia na área qualquer USS Annapolis. Mas terão a certeza? Será tudo uma mera coincidência? Eu não sei, mas confesso que neste momento só me vem à memória o título de um livro da Margarida Rebelo Pinto: “Não há coincidências”.
Um triste abraço
Fernando Peixeiro



fernando,
triste imagem, de facto.
das mais tristes que vi hoje, (só hoje), digo-o sem ironia.
cumprimentos atlânticos.
fernando,
estava eu a ler o texto até ao fim, coisa que só fiz depois de postar o comentário à foto, quando tropeço no exacto final. «só me vem à memória o título de um livro da Margarida Rebelo Pinto: “Não há coincidências”.»
caríssimo:
não conheço os seus gostos literários, mas o que até aqui li de si mostra-me coisa diferente da nossa mrp. Afinal há mesmo coincidências ou nem por isso?
abraço na mesma.
rvn
E cá estou eu outra vez. Espreita aqui
http://setevidascomoosgatos.blogspot.com/ , no post Cabo Negro.
Abraço.
Boa noite, meu nome é Cristiane, sou brasileira, e este fenômeno está acontecendo em todo o mundo por uma razão.Quer voces queiram ou nao acreditar, isso se deve à experiências como o projeto H.A.A.R.P. Podem comprovar pela internet. Grandes massas de radiação eletromagnetica (microondas) estão afetando os cetáceos e também os pássaros, e eles esão preferindo se matar. E isso é a ponta do iceberg, gente. Por favor se informem, e passem esta informação ao maior numero de pessoas possíveis. Obrigada pela atenção, façam sua parte divulgando. Desculpe mas prefiro nao me identificar melhor.