Caro amigo
Lembras-te das italianas que mataram aqui na ilha do Sal? Há mais de um ano? Foi fácil localizar os responsáveis, que até confessaram, logo no dia seguinte, mas o julgamento ainda nem começou. Não se entende porquê mas que se parece muito à Justiça portuguesa lá isso parece.
Lembrei-me de te falar disso hoje porque finalmente parece se moveu, a Justiça, e o julgamento começa no mês que vem. A ver, porque a ser como aí ela faz lembrar Jabba the Hut, aquela personagem da Guerra das Estrelas grande, má, gorda e que mal se move, e que quando se move não sabes se não vai parar no momento seguinte ou se te vai matar sem dó nem piedade.
Por falar em matar sem dó nem piedade, e para o caso de não te lembrares bem, a 09 de Fevereiro do ano passado foram encontradas mortas e enterradas duas turistas italianas, Dália Saiani (33 anos) e Giórgia Busato (28), que há muitos anos viajavam para a ilha do Sal, onde inclusivamente já tinham casa.
As duas trabalhavam em turismo e no dia da morte (na noite de 08 para 09) estavam acompanhadas de uma amiga, Agnese Paci (17 anos), que conseguiu escapar com vida.
Tudo começou com um antigo namorado de Dália Saiani, Sandro do Rosário, a convidar a jovem para jantar em sua casa, na capital da ilha, Espargos, tendo esta decidido convidar também as duas amigas, Giorgia e Agnese, tanto mais que era público que as relações entre os dois ex-namorados já não eram boas.
Não houve jantar nenhum. Sandro não se dirigiu a casa, como estava previsto. Antes conduziu em direcção a Palmeira, perto de Espargos, onde alegadamente iria levar um amigo que com ele viajava.
Porém, pouco antes de chegar a Palmeira, Sandro desviou para a praia de Fontona, uma zona sem casas mas que tem a particularidade de ser das poucas da ilha que é arborizada.
Cerca de dois quilómetros mais à frente, numa estrada de terra batida e erma, Sandro, parou o carro e usou um spray para atordoar as jovens que viajam no banco de trás. Depois tirou Giórgia do carro e estrangulou-a e em seguida ele e o amigo mataram Dália, ou julgam matar, da mesma forma, enquanto avisavam Agnese que se saísse do carro lhe acontecia o mesmo.
Agnese ficou dentro do automóvel, enquanto as amigas eram colocadas numa cova aberta perto e aí agredidas na cabeça com uma pedra grande e pontiaguda.
Dália ainda estava viva quando começaram a despejar-lhe baldes de terra para cima. Sandro soube mas não se importou. Foi buscar Agnese, violou-a e bateu-lhe também com uma pedra na cabeça. A jovem ficou inconsciente mas não morta. E foi ela que conseguiu escapar e dar o alarme, e foi ela que levou Sandro e o tal amigo à cadeia.
Em Abril lá estará, no tribunal, a testemunhar contra o homem que, naquela noite, não podia ter feito o que fez.
Um abraço
Fernando Peixeiro

