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	<title>Comentários em: Gostava muito de acreditar</title>
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	<description>Um mar de palavras e memórias</description>
	<pubDate>Tue, 06 Jan 2009 00:48:52 +0000</pubDate>
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		<title>Por: ricardo</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/gostava-muito-de-acreditar/2007/11#comment-116</link>
		<dc:creator>ricardo</dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Nov 2007 11:27:53 +0000</pubDate>
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		<description>Meu caro e bom amigo Peixeiro.
Rápido a pensar e arguto a intuir, vais, depressa, perceber que não falo do alto de uma vaga experiência para dizer o que vou escrever a seguir.
Mas, que fique claro, estou, seguramente, no grupo dos teus leitores que melhor apreende o que procuras clarear. E sublinho a perspicácia. Mas para o teu cerca de um ano na Praia.
Não me vou alongar muito, porque o retrato que fazes é a fotografia que não fica mal em nenhuma parede de quem conhece Cabo Verde a a sua capital.
Mas, ó Peixeiro, e digo-o em tom ensolarado, acho que colocas mal a questão ou as questões.
Explico porquê: Cabo Verde são 10 calhaus(alguns com musgo - é metáfora -, como Santo Antão e mesmo Santiago) no meio do mar, secos, areados, rudes, desertificados... Não há petróleo nem diamantes. Por pocuo tempo, consta!! 
Logo, antes do esbugalhado olhar sobre as incoerências do dito, eu prereriria perguntar: Como é que um país que nada tem(descontando a emigração e outros pormenores que "passam" pelo arquipélago), chegou ao que chegou. O topo, em África, do IDH do PNUD. A escolariazação da população(fraca aqui e ali, melhor ali e acolá), a saúde minimamente decente, uma democracia quase a passar a fasquia da maturidade, um sistema judicial que, apesar de tudo, vai funcionando e é muito bom em termos comparativos continentais(...) etc. etc. etc.
Ou seja, saber o que existe e procurar a fórmula usada para o explicar, é mais importante que questionar o que é prometido e desconstruir as suas pontas soltas. O caso da energia eléctrica é por demais evidente. Não vai dar para tudo!!! Já não dá para o que existe...
Que se está a enfiar o carro para lá do focinho das animálias, sem dúvida, mas que o percurso feito até agora só foi possível com o carro devidamente colocado antes do cu dos bois, também me parece óbvio.
Mas custa, custa de facto entender a ligeireza com que esses bilionários investimentos são atirados, como pó di terra ou bruma seca para os olhos das pessoas.
Enfim, Peixeiro, o que eu acho que é que essa malta vai querendo muito porque sabe, de experiência feita, que conseguir o pouco já é muito bom para um país com essas condições. 
Eu estou em crer que na fala de petróleo e diamantes, apesar de os chineses já terem dito que queriam o gás natural dos seus mares, Cabo Verde deve o que é aos poços de saber que foram escavando, enfim, às suas idiossicráticas elites.
Olha... abraços companheiro.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Meu caro e bom amigo Peixeiro.<br />
Rápido a pensar e arguto a intuir, vais, depressa, perceber que não falo do alto de uma vaga experiência para dizer o que vou escrever a seguir.<br />
Mas, que fique claro, estou, seguramente, no grupo dos teus leitores que melhor apreende o que procuras clarear. E sublinho a perspicácia. Mas para o teu cerca de um ano na Praia.<br />
Não me vou alongar muito, porque o retrato que fazes é a fotografia que não fica mal em nenhuma parede de quem conhece Cabo Verde a a sua capital.<br />
Mas, ó Peixeiro, e digo-o em tom ensolarado, acho que colocas mal a questão ou as questões.<br />
Explico porquê: Cabo Verde são 10 calhaus(alguns com musgo - é metáfora -, como Santo Antão e mesmo Santiago) no meio do mar, secos, areados, rudes, desertificados&#8230; Não há petróleo nem diamantes. Por pocuo tempo, consta!!<br />
Logo, antes do esbugalhado olhar sobre as incoerências do dito, eu prereriria perguntar: Como é que um país que nada tem(descontando a emigração e outros pormenores que &#8220;passam&#8221; pelo arquipélago), chegou ao que chegou. O topo, em África, do IDH do PNUD. A escolariazação da população(fraca aqui e ali, melhor ali e acolá), a saúde minimamente decente, uma democracia quase a passar a fasquia da maturidade, um sistema judicial que, apesar de tudo, vai funcionando e é muito bom em termos comparativos continentais(&#8230;) etc. etc. etc.<br />
Ou seja, saber o que existe e procurar a fórmula usada para o explicar, é mais importante que questionar o que é prometido e desconstruir as suas pontas soltas. O caso da energia eléctrica é por demais evidente. Não vai dar para tudo!!! Já não dá para o que existe&#8230;<br />
Que se está a enfiar o carro para lá do focinho das animálias, sem dúvida, mas que o percurso feito até agora só foi possível com o carro devidamente colocado antes do cu dos bois, também me parece óbvio.<br />
Mas custa, custa de facto entender a ligeireza com que esses bilionários investimentos são atirados, como pó di terra ou bruma seca para os olhos das pessoas.<br />
Enfim, Peixeiro, o que eu acho que é que essa malta vai querendo muito porque sabe, de experiência feita, que conseguir o pouco já é muito bom para um país com essas condições.<br />
Eu estou em crer que na fala de petróleo e diamantes, apesar de os chineses já terem dito que queriam o gás natural dos seus mares, Cabo Verde deve o que é aos poços de saber que foram escavando, enfim, às suas idiossicráticas elites.<br />
Olha&#8230; abraços companheiro.</p>
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