Caro amigo
Às vezes ainda me espanto como o tempo é relativo. Como um minuto pode parecer horas ou como semanas passam num instante. Os últimos dois anos foram assim. Curtinhos. Parece que foi ontem que cheguei a Cabo Verde e hoje já de lá vim. E que fiz eu um dia nas ilhas? Foi boa a festa pá.
E tão boa que quando há duas semanas me despedi dos meus amigos prometi a todos que lá voltaria, e que num outro instantinho nos voltaríamos a ver. Quero acreditar que vai ser assim, tanto mais que Cabo Verde fica tão perto que não te perdoo não teres por lá aparecido, como não me vou perdoar a mim se não regressar.
Acredito que quando lá voltar as ilhas estarão diferentes, tal é o ritmo de crescimento, de construção, de novas casas, ruas e bairros. Mas acredito também que continuarão todas a ser simpáticas, simples e acolhedoras, como as deixei.
Quero voltar a Santo Antão, percorrer as rua marginal de Porto Novo, descansar numa esplanada a ver o mar depois de ter chegado de um dia inteiro pelo outro lado da ilha, o lado verde, para os lados da Ribeira Grande, olhos cheios ainda da esplêndida Ponta do Sol, da estrada cortada entre penhascos que mete medo, as fábricas de grogue ali ao lado e um peixe grelhado com vista para os montes e um vale tão bonito que apetece ficar ali uma semana.
Santo Antão, tens de conhecer, é imponente. Tão bonita a ilha. Tão diferente das outras, até de S. Vicente, ali ao lado, à distância de um canal. Porque Cabo Verde é assim. O que cada ilha tem de igual só mesmo os cabo-verdianos. Será? Perguntas tu. É. Digo-te eu. A Boa Vista, por exemplo, é, ao contrário, plana, com areal a perder de vista e praias tão bonitas que apetece que sejam só tuas e assim, para sempre. De tal maneira te apetece que não consegues disfarçar a irritação que te causa o saberes que em breve vão ali construir mais um hotel de várias estrelas e com tantas camas que precisarias de 13 anos e sete meses para as experimentar todas.
Gostava de voltar a Santa Mónica e aquela praia ainda ser virgem, como as praias do Maio, gostava que Santa Maria, no Sal, já fosse uma vila segura, com ruas onde apetece passear, com luz e restaurantes agradáveis, e já agora que a Praia também. Só que fosse metade do agradável do que é o Mindelo já seria muito bom. É certo que a Praia não tem aquela baía, mas escusava de por isso virar as costas ao mar, ignorando até o ilhéu frente ao centro, antiga leprosaria e hoje um lugar com tantas potencialidades.
E quero dar um saltinho de novo ao Fogo, almoçar a ver a Brava, ir até aos Mosteiros e depois subir a Chã das Caldeiras. Se o fizer nos próximos anos talvez ainda tenha pernas, força e vontade para subir ao vulcão. As nuvens debaixo dos teus pés e o mar imenso à tua volta.
E quero aproveitar para ir à Brava. E S. Nicolau, que desta vez me escapou. E Santiago, pois então, Pedra Badejo, Tarrafal, Serra Malagueta, Ribeira da Barca…
Falava verdade há duas semanas. Um dia volto.
Um abraço
Fernando Peixeiro


espero que a troca de mensagens continue, mesmo que por outras paragens!
Que pena tenho não te ter ido visitar. Mas a vida aparece com algumas supresas que nos obrigam a alterar os planos… e muitas vezes o seu próprio rumo.
Agora que estás por cá… e antes de voltares a partir… gostava que me desses um dos teus abraços.
Bjs
Oi Peixe. Eu nãi tinha percebido (e acho que as ilhas também não) o quanto gostaste de aqui estar . Mas acredito que sabes que nós (os ilhéus) adoramos a tua passagem por aqui e espero que voltes. Alías, espero não, exigo que voltes. Para conhecer São Nicolau que com as suas ruas estreitas e casas antigas convida a ficar, para a ilha Brava cheia de flores, de nevoeiros e gente bonita, mas também para a Praia (a mal amada dos ilheus) que te espera com carinho.
um beijo cheio de saudades.