Corre sereno Cabo Verde

Caro amigo

Por aqui a vida política segue muito mais calma do que aí, e que no Brasil por certo também. Que se saiba não há falcatruas nem grandes sinais de corrupção. Aproximam-se as autárquicas e as câmaras descobriram que afinal até têm dinheiro e andam a distribui-lo magnanimamente, naturalmente. E fazem obras, também. De resto corre sereno Cabo Verde. Ah! O Presidente é que poderá ter sido eleito com votos falsos. Corre sereno Cabo Verde.
Sereno mesmo quando se põe a hipótese de, afinal, Pedro Pires ter perdido as eleições presidenciais de 2001. Que teriam sido ganhas por Carlos Veiga. Agora não há nada a fazer. Pedro Pires foi Presidente até 2006 e nesse ano ganhou outra vez, desta com uma vitória sem margem para dúvidas.
A história apareceu agora, depois de ter saído da cadeia um ilustre cidadão que esteve preso acusado de ter viciado as eleições presidenciais de 2001. É que, conta, ficou à espera que lhe dessem o dinheiro que lhe prometeram por ter posto mais 18 votos para o “Presidente” e como o dinheiro não apareceu decidiu meter a boca no trombone, como há quem diga.
Ora se Pedro Pires “ganhou” a Carlos Veiga, nessa altura, por 12 votos… é só fazer as contas.
Esta semana os jornalistas apanharam o Presidente e, claro, fizeram-lhe a pergunta. E a resposta também não foi a mais feliz nem contribuiu para dissipar dúvidas sobre a nuvem negra que Eduardo Fortes, da Covoada, ilha de São Nicolau, lançou sobre a política das ilhas.
“Estamos em 2008 e vocês querem trazer para a discussão factos que aconteceram em 2001. Para mim é uma questão encerrada, um assunto morto, portanto não comento”. E mais não disse. Mas repara bem na frase. Ele diz “factos que aconteceram”. Será uma distracção de linguagem? Ou sem querer assumiu que houve de facto aquilo que o tal cidadão despeitado anda a dizer na imprensa?
O primeiro-ministro também já comentou mas esse deu a resposta politicamente correcta: é um caso de tribunal. E depois mandou umas bocas à oposição, que só levanta estes assuntos em tempo de campanhas e quer semear guerras, ódios e desconfianças porque não tem mais nada para dizer.
Mas a oposição, MpD, diz que não tem nada a ver com o assunto. Até porque o tal senhor da Covoada ao que parece era do PAICV, o mesmo partido de Pedro Pires. E digo era que se calhar agora já não é.
E Carlos Veiga, claro, também já veio falar de sua justiça. E o que é que ele disse? Ora vê: “Fiquei, logo no dia seguinte às eleições, com a noção clara da fraude organizada em larga escala que havia sido montada e estava (estou) convencido que até já vinha das legislativas”.
Ai ai! Ficamos à espera que o tal homem da Covoada diga quem lhe prometeu o dinheirinho. Em Março chega a Primavera e isto vai aquecer. Corre sereno Cabo Verde.

Um abraço

Fernando Peixeiro


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