Belga e…coitado…caloteiro
Publicado por Fernando Peixeiro 27 Outubro 2007 em Cabo Verde.Caro amigo
Tens toda a razão no que dizes mas permite-me que discorde mais uma vez de ti. Os portugueses serão algo alarves mas não nos vejo como os maiores corruptos do mundo. Bons e maus há-os em todo o lado. Não foram os gregos que até utilizaram campos de futebol para montar tendas para acções de formação, tudo a pensar sacar dinheiro à Europa? Aqui nas ilhas fala-se de um grande caloteiro, que enganou toda a gente, e que é belga.
Pois é. Até os impolutos belgas! Se fosse português lá estaríamos nós a dizer que é típico, que os portugueses são uma vergonha de povo. Se fosse cabo-verdiano, ou brasileiro, também. Assim… como é belga… enfim…uma ovelha tresmalhada, coitado, porque o povo, esse, é sério. Pois esse homem sério, ao que conta um jornal, chegou aqui a São Vicente como empresário, sério, com projectos como criar uma empresa de montagem deautomóveis e outra de aviação.
Contratou funcionários, instalou-se nos melhores hotéis e num deles até fez uma proposta de compra do estabelecimento. Não só não comprou nada como não pagou asnoites que lá dormiu. E como é óbvio tão pouco criou as tais empresas. E nem sequer pagou aos funcionários. Pura e simplesmente foi-se embora. O homem devia ter dinheiro, vá lá saber-se através de que expediente. Deslocava-se em avião particular apesar de nunca ter pago as taxas de aeroporto ou o aluguer de um espaço (parqueamento) no local. E já agora também nunca pagou as contas de telefone, sem que o mesmo tenha sido cortado, um mistério, já que aqui quando as facturas não são pagas a Cabo Verde Telecom pura e simplesmente corta o serviço.
Ao que se diz, farto de chular os mindelenses o tal belga sério está agora por aqui, na Praia, a tentar fazer negócios com a companhia aérea nacional. Deverá ter-lhe cheirado a mais dinheiro e uma falcatrua daquelas de encher o olho. O olho e o bolso. Dele. A estratégia, dizem, não é nova por parte do senhor. Chega a um país, acena com milhares, alicia empresários locais, e depois pira-se com todo o dinheiro. Em Cabo Verde conseguiu o apoio de alguns, ostentando riqueza e prometendo investimentos no país na ordem dos 100 milhões de dólares americanos. Ele era montagem de automóveis, ele era transporte de contentores, ele era uma companhia de aviação, uma marina… Depois, conseguido aqui um estatuto especial e a parceria de empresários locais, esses sim boa gente, utilizava o nome do país e dos empresários para conseguir mais dinheiro num país terceiro. E depois…simples… caro amigo. Rumava a outro local, ostentando riqueza e poder. Em certos países de �?frica, onde sobra riqueza e faltam outras coisas, parece que já se deu bem. Aqui talvez nem tanto. Tudo isto para te dizer que os mau carácter, os mal formados e os corruptos, infelizmente, não são apanágio de um povo, andam por todos os lados, às vezes disfarçados de anjinhos. E visto assim sempre te digo, prefiro os chicos-espertos portugueses aos empresários belgas. São mais básicos e têm um espírito muito
Robin dos Bosques que me agrada: roubam aos ricos, do norte da Europa, para dar aos pobres do sul, eles próprios. E não achas tu que se em vez de um belga fosse um português pelo menos uma cadeia de roullottes de bifanas havia de abrir?
Um crédulo abraço.
Fernando Peixeiro



Belgas… eu sabia, pá, eu sabia que essa malta era… hummm… como dizer…belga!
Então não é, ao ler a tua prosa, me lembrei de um… belga, que, em 1997/8 ou 9, já não me recordo com pormenor de calendário gregoriano, chegou a Viseu com a mesma artimanha, encetou contactos com as autoridades locais, forças vivas da região e avançou com um projecto de criação de uma… companhia de aviação que incluia a montagem dos aparelhos.
Chegou ao ponto de se enfiar no salão nobre da câmara de Viseu um modelo do novo aerodromo(porto), os aviões, etc e tal.
Na altura eu ria-me que nem um perdido ao ouvir a apresentação do homem. Era o único. Percebi imediatamente que aquilo não jogava nem com a porca nem com a perdigota.
Mais, o tal belga ostentava umas calças vermelhas, com um casaco quase roda, uma gravava azul e uma camisa multicolor. Um espanto. As tais forças vivas da terra, incluíndo autarcas e outra parrilhada de notáveis, ouviam entusiasmados.
Lembro-me que na altura achei que a notícia mais importante era o esferovite e cartão do modelo, tipo cola e cuspo, e as cores garridas que o bicharoco trajava. Assim foi. E passou num qualquer desk. Foi uma risota. Sei que depois, o tal… hummmm… belga, desapareceu, e quando eu, mau como a fome, perguntava aos tais notáveis da terra por onde andava o… hummm… belga, a cara deles ficava da cor do casaco que o … belga tinha na altura.
Meu amigo, ou estamos perante uma agradável coincidência, que serve para definir os…hummm… belgas, ou o tipo do Mindelo já andou por Viseu!!! Seria giro esta coisada, man… mesmo muita giro.