Amo-te Mindelo
Publicado por Fernando Peixeiro 19 Março 2008 em Cabo Verde.Caro amigo
Aos domingos a banda toca no coreto, vestida de branco, e as pessoas passeiam pelo jardim. Pela baía andam barcos de pesca, alguns iates e um grande navio de cruzeiros. As pessoas são muito mais simpáticas, “muito dadas”, como dizia alguém aqui. Tens de vir ao Mindelo.
Lamento não ter tempo, nem condições técnicas, para te falar desta cidade mas na próxima semana por certo que o farei. Hoje vou só contar-te que o Mindelo, ao contrário da Praia, é uma cidade limpa e bonita, voltada para o mar, alegre e descontraída.
Passar uma tarde no atelier de uma pintora, Luísa Queirós, a falar de tudo um pouco e a ver o mar, do outro lado da rua, é uma experiência quase religiosa, como diria Iglésias.
Depois irei falar-te disso. Hoje, em estilo telegráfico, digo-te só que estou a adorar o Mindelo e que hoje, a esta hora que me lês, já devo de estar em Santo Antão, a ilha gigante ao lado.
Dela te falarei depois, provavelmente só no sábado. Desculpa-me a inconsistência das minhas cartas mas aqui as coisas não são fáceis, apesar da boa vontade do António.
Ah. Já sei por que lhe oiço o coração. Fez uma operação “a uma válvula que andava fraquinha”, aí em Lisboa, e ficou assim. Diz que enquanto o for ouvindo é bom sinal, é porque está a bater.
Um rápido abraço
Fernando Peixeiro



OI Fernando!
tens toda a razão em amar o Mindelo. A cidade é bonita, as pessoas são simpáticas e a vida flui num ritmo próprio, que só os mindelenses sabem como fazer.
Acho que vir a Cabo Verde e não conhecer Mindelo, é um pecado imperdoável.
Fico á espera da crónica sobre santo Antão, que também é linda e merece ser muito amada.
Gostei! Já sinto saudades das caminhadas no final do dia depois do dia de trabalho, bem ralaxado, pela marginal. Sabes sentir aquele ar fresco,que às vezes não cheira bem confesso, mas mesmo assim. O objectivo da caminhada é ver gente, carros a vida a começar a ganhar o ritmo da noite e chegar na praia da Laginha. Ali confesso a toda a gente “É o meu orgasmo vivo”.
Depois dali, ia sempre para o Fortinho, namorar um pouco as montanhas de Santo Antão e seguia para a Praça-Nova, comer o algodão doce e conversar sobre a vida.
se continuasse aqui a escrever diria tudo o que me faz sentir de Mindelo e ser dali de um beijo suave dos extremos (pai =Brava/mae= Santo Antão)