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	<title>Comentários em: Acordos e guerras na Prainha</title>
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	<description>Um mar de palavras e memórias</description>
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		<title>Por: ricardo</title>
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		<dc:creator>ricardo</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Oct 2007 10:05:00 +0000</pubDate>
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		<description>Naturalmente que percebo a parcimónia com que o Peixeiro trata as animálias com que está obrigado a conviver. Passei três anos naquele especioso zoológico e, no fim de todas as parcelas somadas, jamais me foi possível dizer que tinha ganho uma guerra que fosse, excepto se se contabilizar que eu sobrevivi, prova disso mesmo é que estou aqui a escrevinhar esta prosa, e, se bem me lembro, pelo caminho ficaram uns milhares de baratas, uns milhões de mosquitos, formigas não as matava, nem aranhas, mas ratos, os tais pequenos e vivaços, só de uma vez, com um tubo de cola enfiado em dois ou três pedaços de cartão, eu, a Arlinda e o Eduardo, que aos quatro anos já era um especialista em desratizações e desbaratizações, despachamos uns 12. Foi um fartote, mas já não havia pachorra para tanto barulho ao longo da noite. A coisa chegava ao ponto de os maltrapilhos estarem especados algures à espera que a mala saisse para ir, de um salto bem aviado, despachar uns restos de migalhas que ficavam pelas imediações. Curioso era ver uma pessoa que eu cá sei mas não digo o nome, a trepar para cima da cadeira quando um vivaço aparecia e o Eduardo, corria logo para a cozinha em busca da vassoura. Risadas. Mas o pior foi quando, nos bons tempos em que ainda havia TV Cabo lá em casa, a National Geographic dizia, assim, sem mais nem menos, que um tipo vulgar engolia, em média, 10 aranhas enquanto dormia, ao longo da vida. Eu devo ter dado cabo desta média apenas em três anos. Claro que a malta não se sente bem a matar os tais vivaços de cara simpática. Não resisto a contar isto: uma altura houve em que a casa, agora do Peixeiro, por pouco temo, já se encherga, estava toda ela repleta de uma espécie de vias únicas erguidas com recurso a cadeiras deitadas, cartões, etc etc, em direcção à porta aberta da rua, e, depois, com tachos a bater, lá se dirigiam os tipos para a rua. A coisa funcionava. E assim umas dezenas sairam. O problema foi quando se descobriu, a custo, com pesada factura, que por via aérea e em sentido contrário, a mosquitada se instalava onde melhor se sentia. Nos quartos. Noites desgraçadas.

Boas mudanças, camarada Peixeiro!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Naturalmente que percebo a parcimónia com que o Peixeiro trata as animálias com que está obrigado a conviver. Passei três anos naquele especioso zoológico e, no fim de todas as parcelas somadas, jamais me foi possível dizer que tinha ganho uma guerra que fosse, excepto se se contabilizar que eu sobrevivi, prova disso mesmo é que estou aqui a escrevinhar esta prosa, e, se bem me lembro, pelo caminho ficaram uns milhares de baratas, uns milhões de mosquitos, formigas não as matava, nem aranhas, mas ratos, os tais pequenos e vivaços, só de uma vez, com um tubo de cola enfiado em dois ou três pedaços de cartão, eu, a Arlinda e o Eduardo, que aos quatro anos já era um especialista em desratizações e desbaratizações, despachamos uns 12. Foi um fartote, mas já não havia pachorra para tanto barulho ao longo da noite. A coisa chegava ao ponto de os maltrapilhos estarem especados algures à espera que a mala saisse para ir, de um salto bem aviado, despachar uns restos de migalhas que ficavam pelas imediações. Curioso era ver uma pessoa que eu cá sei mas não digo o nome, a trepar para cima da cadeira quando um vivaço aparecia e o Eduardo, corria logo para a cozinha em busca da vassoura. Risadas. Mas o pior foi quando, nos bons tempos em que ainda havia TV Cabo lá em casa, a National Geographic dizia, assim, sem mais nem menos, que um tipo vulgar engolia, em média, 10 aranhas enquanto dormia, ao longo da vida. Eu devo ter dado cabo desta média apenas em três anos. Claro que a malta não se sente bem a matar os tais vivaços de cara simpática. Não resisto a contar isto: uma altura houve em que a casa, agora do Peixeiro, por pouco temo, já se encherga, estava toda ela repleta de uma espécie de vias únicas erguidas com recurso a cadeiras deitadas, cartões, etc etc, em direcção à porta aberta da rua, e, depois, com tachos a bater, lá se dirigiam os tipos para a rua. A coisa funcionava. E assim umas dezenas sairam. O problema foi quando se descobriu, a custo, com pesada factura, que por via aérea e em sentido contrário, a mosquitada se instalava onde melhor se sentia. Nos quartos. Noites desgraçadas.</p>
<p>Boas mudanças, camarada Peixeiro!</p>
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