Archive for the 'Portugal' Category
Regozijado Fernando,
venho propor-te hoje que levantes um copo e façamos um brinde a essa mulher corajosa chamada Ingrid Betancourt, libertada numa operação militar - daquelas que só costumam acontecer nos filmes - depois de mais de seis anos sequestrada por uma organização de guerrilheiros colombiana.O “crime” que cometeu? Ter sido candidata a presidente da República da Colômbia e recusar ceder às ameaças e à chantagem de quem a queria calar, evitando que denunciasse a corrupção instalada no país.
O carrasco dos pinheiros
0 comentários Publicado por António Martins Neves 2 Julho 2008 em Portugal.
Produtor florestal Fernando,
prepara-te para um dia voltares a Portugal e encontrares o país semi-careca. Como se já não bastassem os incêndios, um pequeno insecto está a levar a sério a tarefa de acabar com os pinheiros-bravos, que ocupam cerca de um terço da floresta nacional. O pequeno animal transporta consigo uns seres insignificantes especialistas em secar os pinheiros. Para o travar, a solução conhecida é cortar as árvores para evitar a propagação da doença. A continuarem a falhar as medidas de contenção da praga, lá se vai mais oito por cento da nossa floresta. Quem foi que falou em deserto?
Incrédulo Fernando,
vê-se e quase não se acredita: no dia em que terminou em Lisboa o Congresso Feminista, a televisão pública (RTP) brindou-nos com uma peça supostamente informativa no Jornal da Tarde que revela como o machismo vai continuar entranhado por muitos e longos anos na nossa sociedade. Não pelos protagonistas da suposta história, mas pela forma como foi tratada pelos jornalistas responsáveis pela sua emissão. Tudo porque um homem de 88 anos pôs um anúncio no jornal para arranjar uma companheira. O que tem isto de noticioso? Nada. Foi o primeiro da sua idade a fazê-lo? Não disseram. Mas, mesmo que fosse, tal não justificaria o exercício de descriminação sexista, violação de privacidade e “voyeirismo” do mais puro.
Querem que acreditemos na Justiça
0 comentários Publicado por António Martins Neves 25 Junho 2008 em Portugal.
Felizardo Fernando,
lembraste de ter falado no caso da adjudicação do sistema de transmissões para as forças de segurança e Protecção Civil? E de que o negócio tinha custado quase cinco vezes mais do que a comissão nomeada para aconselhar a adjudicação recomendara? Pois bem, o então ministro da Administração Interna que assinou o contrato com o grupo para o qual trabalhara antes nem foi ouvido pelo procurador-geral-adjunto encarregue de investigar se havia ilegalidades no negócio. O magistrado não encontrou matéria criminal para acusar. Foram-se 400 milhões de euros do erário público, mas isso não tem importância nenhuma. Temos que confiar na Justiça…
A peixeira de rua e a ASAE
0 comentários Publicado por António Martins Neves 22 Junho 2008 em Portugal.
Cronista Fernando,
não tem o dom da escrita, creio até que nem saberá ler, mas domina uma arte bem mais rara nos dias correm: iludir a ASAE, a polícia portuguesa dos comerciantes e de alguns costumes. Sem correr o risco de ser exagerado, acho que finta os inspectores com muito mais facilidade e naturalidade do que Germano de Almeida verte as suas histórias para o computador. Não excluo que possam mesmo conhecer-se. Ela até pode saber onde fica a Lajinha e gostar de afogar o olhar na baía do Mindelo. Tem ares de ter nascido por essas bandas. Mas não precisa de novas tecnologias. Basta-lhe uns baldes de tinta vazios, um alguidar ou dois, uma grande dose de coragem e um coração forte, para não precisar de andar sempre com ele nas mãos.
Informal Fernando,
há dias falei-te de medidas simples mas estruturais, que os governantes evitam como sarna, quando falei do incentivo do uso do gás GPL nos automóveis. Nestes dias recordei-me de outra ainda mais simples, quando vi uns homens engravatados nuns carros oficiais estacionados, de vidros fechados e com os motores a contribuírem afincadamente para o efeito de estufa.
A cereja em cima do melro
0 comentários Publicado por António Martins Neves 14 Junho 2008 em Portugal.Ambientalista Fernando,
subscrevo em absoluto a tua indignação com quem mata tubarões porque esses massacres continuam a render e fico também revoltado com o facto de haver gente que paga o que lhe pedirem para comer uma extravagância qualquer, mesmo que se trate de um capricho com consequências devastadoras como essa da sopa de barbatana. Ter muito dinheiro está cada vez mais a tornar-se sinónimo de ignorância. E mantém-se árdua a tarefa de combater a ideia antiga de que o dinheiro tudo compra e tudo paga. Puro engano! Vê para onde estamos a caminhar, porque se instituiu que as regras da sociedade devem ser determinadas por questões financeiras.
Perspicaz Fernando,
só posso concluir que estavas adivinhar o que iria dizer o Presidente da República quando me desafiaste a largar tudo e ir para aí. Anda uma pessoa a agarrar-se ao que pode para arranjar forças e continuar a enfrentar as contrariedades que nascem aqui debaixo de cada pedra e vem o Chefe de Estado dizer que vai comemorar o “dia da raça”? Era só mesmo o que estávamos a precisar: o mais alto magistrado da Nação a referir-se ao Dia de Portugal como o fazia o ditador Salazar. Bolas, o homem foi eleito, estamos em democracia e ele vem falar em raça? A palavra dita duas vezes, para que não restem dúvidas. Estou sentado à espera da explicação de uma afirmação que seria grave mas desculpável se saísse da boca do respeitoso empregado do come-em-pé ali do centro comercial. Mas de alguém que é o representante máximo do Estado português??? Assim terei mesmo que ir para aí…
Avisado Fernando,
saí de casa este domingo depois de ter a tua carta e a pensar nos dois assuntos: na fome e no Euro 2008. “Obrigações” paternais levaram-me para a Penha de França, o popular bairro onde deparei com a imagem que te envio e me pareceu fazer a síntese dos dois temas.
Estupefacto Fernando,
na véspera do pontapé de saída do Europeu de Futebol entrou em campo outro “jogador” de méritos firmados, neste caso pelos conhecidos dribles à justiça. É esse mesmo em que estás a pensar: João Vale e Azevedo, ex-presidente do Benfica, célebre por coleccionar processos judiciais por burla e por já ter cumprido vários anos de cadeia. Imagina que agora voltou a dar que falar porque acha, do alto da sua sapiência jurídica, que já cumpriu mais tempo de cadeia do que aquele a que foi condenado, “esquecendo-se” que tem uma pena efectiva de mais sete anos e tal por cumprir, e outros cinco prometidos. Ah, e anuncia que está em Londres.


