Archive for the 'Moçambique' Category

Se calhar vou matar uma vaca

Caro amigo Não tem sido fácil a minha vida, por aqui, neste último mês. Inundações, avarias, e depois mais inundações e avarias. A minha casa a meter água porque sim, dois computadores doidos porque sim, o carro e a máquina de filmar. Agora, para terminar em beleza, roubaram-nos mais um computador à hora de almoço. [...]

Macabra

Caro amigo Falei-te na última carta de vidas tristes e bairros igualmente tristes aqui de Maputo e venho hoje dar-te conta de mais algumas tristezas. A tristeza de dois rapazes, presos há dois meses, a tristeza de uma cabra violada, e a tristeza dos seus donos, que não sabem o que fazer com uma cabra [...]

Vidas tristes

Caro amigo Tenho andado um pouco arredio, não que me tenha esquecido de te escrever mas porque o trabalho tem sido muito e ando há uns dias com uma dorzinha chata de estômago, que me tira a paciência para tudo. Nada comparado com as vidas de pessoas que conheço aqui, que recebem antiretrovirais de graça [...]

Caro amigo O Eugénio trabalha comigo. Ontem, disse-me, estava um pouco triste: tinha recebido um telefonema durante a tarde, uma sobrinha tinha morrido. “De cobra”. O curandeiro disse que ela morreu porque mataram a cobra depois de ela ter atacado a sobrinha, explicou ele. Não me disse quantos filhas tinha, só me disse “vai para [...]

Caro amigo Duas semanas em três cidades tipicamente europeias e aqui estou eu de novo em Maputo, a “minha África”, a minha casa. Não te vou falar da África do Sul, de como os campos são bonitos e bem tratados, das paisagens maravilhosas, dos parques, da vida selvagem. Nem sequer da simpatia do povo, que [...]

Um grande país

Caro amigo É quase meia-noite em Pretória. Uma noite fresca e sem chuva, como foi o dia de hoje em Joanesburgo. Estou há quase uma semana pelas terras do Rand e escrevo-te em formato bilhete-postal, que a esta hora estou cansado e amanhã é mais um dia cheio de trabalho.

Uma ou duas semanas

Caro amigo Imagino-te aí saturado de tanta água, como eu quando aí estive, mas ao escrever-te é o calor que me aflige mas também a falta dela. O Verão está ao rubro em Maputo e a cidade continua bonita, agora já de acácias vermelhas e amarelas, às vezes colorindo só os passeios, outras as bancas [...]

Caro amigo Falei-te de uma mulher na minha última carta, não resisto hoje a falar-te de outra. Tal como a Suzana Custódio é, deve ser, tem de ser, uma força da natureza. Ao contrário da Suzana não passei com ela uma manhã mas apenas 10 minutos de uma manhã. E não me falou de quantas [...]

Caro amigo Quem vê Susana Custódio dificilmente a imagina a chorar. É alta, forte, uma torre de mulher e um sorriso permanente na cara grande. Ar decidido, voz ainda mais e nós a sentir que ao pé dela estamos protegidos dos males do mundo. Susana Custódio criou uma aldeia. É uma força da natureza.

Caro amigo Quando tu viste aí em Lisboa os apoiantes de Isaltino Morais e Marcos Perestrelo pegarem-se de razões deves ter corado um bocadinho. De vergonha. Eu acho que corei, e estou a 10 mil quilómetros. Pois bem, para que não te falte nada aqui fica mais uma carta de consolo.




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