<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Atlântico expresso &#187; Cabo Verde</title>
	<atom:link href="http://atlantico-expresso.net/arquivo/cabo-verde/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://atlantico-expresso.net</link>
	<description>Um mar de palavras e memórias</description>
	<lastBuildDate>Tue, 01 May 2012 13:20:49 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.2</generator>
		<item>
		<title>Foi ontem</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-ontem/2009/03?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=foi-ontem</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-ontem/2009/03#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2009 09:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=835</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo No dia da minha partida de Cabo Verde o Omar, fotógrafo, meu amigo, ofereceu-me um CD com imagens minhas dos últimos dois anos. Vi-as ainda no aeroporto, enquanto esperava o avião. E fiquei emocionado. Por recordar momentos dos últimos dois anos mas também pelas pessoas a eles associadas. Hoje, quando estou prestes a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>No dia da minha partida de Cabo Verde o Omar, fotógrafo, meu amigo, ofereceu-me um CD com imagens minhas dos últimos dois anos. Vi-as ainda no aeroporto, enquanto esperava o avião. E fiquei emocionado. Por recordar momentos dos últimos dois anos mas também pelas pessoas a eles associadas.<br />
Hoje, quando estou prestes a iniciar outro trabalho, tenho, como te disse há dias, a sensação de que tudo passou depressa de mais. Parece que foi ontem.<br />
<span id="more-835"></span>Que foi ontem que o Ricardo me esperava nas chegadas do aeroporto da Cidade da Praia, que me levou ao Tarrafal com a Isabel e o Pascoal, uma estrada que eu depois haveria de percorrer dezenas de vezes, que me apresentou as mesmas pessoas que eu, agora, apresentei ao Zé, de quem eu sinto agora inveja por estar na Praia, 20 graus à noite e Quebra Canela ali ao lado.<br />
Parece que foi ontem que a Carla me entrou escritório dentro, ar circunspecto, a dizer “eu é que sou a Carla” quando eu a olhava tipo “quem será esta?”. Que foi ontem que bebemos os nossos cafés matinais na Achada de Santo António, que discutimos entusiasmados ou enfastiados trabalhos futuros, alguns que nunca chegámos a fazer, que falámos dos nossos ódios e amores de estimação, que nos rimos e que nos chateámos e que fomos, assim, ficando os amigos que somos hoje.<br />
Ou que ontem mesmo conheci a Paula e a sua voz doce, que me ri quando ela contou a história da sua viagem a um país do continente e do hotel onde dormiu, que com a irmão dela e com a Ani discutimos política autárquica. Que com o Pascoal, com a Isabel e com o José, da embaixada, passamos uma tarde no vale do Germano, entre bananeiras e fruta-pão.<br />
Que subi ao vulcão do Fogo, a parte final quase de gatas, e desci a correr pela jorra, que comi uma sopa quente e me deitei ao sol frio de Chã das Caldeiras. Que fugi das ondas em Santa Mónica e fiz desenhos na areia com o Lourenço. Que com ele, o Zé e a Teresa fizemos castelos de areia na praia de Chaves, também na Boa Vista.<br />
Parece que foi ontem que comi carpaccio de atum com os pés enterrados na areia da praia de Santa Maria, que me sentei a ver as ondas e os surfistas de Ponta Preta, o João Barbosa entre eles, e me horrorizei com a cova onde enterraram as duas italianas, em Fontona.<br />
Que foi ontem que me ri com os porcos a tomar banho em Porto Mosquito, que fotografei os miúdos a dar saltos para a água no Tarrafal, que ouvi música no forte de S. Filipe. Que entrevistei um Codé di Dona já com um copito mas que mesmo assim tocou e cantou debaixo de uma acácia, em S. Francisco. Que andei com o Nuno e companhia pelas praias da Achada Baleia e de Praia Baixo, à procura de tartarugas. Que foi ontem a noite que lá passamos, com o Miguel e a Vera. Ou que foram agora as noites do ilhéu Raso, a lua cheia e as cagarras, os lagartos e as calhandras, o peixe assado nas rochas e os cigarros lá encima, na falésia, a ouvir o mar e o vento.<br />
Foram ontem os beijos da Adelaide, o sabor a grogue, as gargalhadas com o Omar e a Nair, os jantares, os almoços, as cervejas, na casa deles. Foi de ontem a alegria de encontrar Raul e a Margarida, a Catarina, o meu amigo Jean e os nossos jantares.<br />
Foi ontem que passeei com a Paula pelas praias do Maio, que mergulhei em S. Francisco, que fumei um cigarro com a Isadora na estrada a caminho do Tarrafal, que almocei feijoada e cachupa em Praia Baixo, em casa da Paula, batucadeira e grande cozinheira, que levei a Gina à Cidade Velha, que passei a tarde na Prainha com o Pedro, que a Isabel lanchou com o Zezinho enquanto eu corria desvairado atrás de umanotícia. Ou que tomei café com a Isabel da RTP, ao fim do dia, os melhores cafés do mundo.<br />
Tudo isso foi ontem. E amanhã vou ter saudades de ligar o rádio e ouvir Bulimundo, de comer a comida feita pela Arlinda, de jantar no Poeta, de me irritar com os meus amigos lavadores compulsivos de carros, que me lavavam o carro 4 e 5 vezes por dia, de “mandar bocas” ao Zé Mário e ao Levy, do sorriso do Zé pela manhã e das tantas viagens que fizemos.<br />
Foi ontem e foi muito bonito. Gostava de dentro de dois anos te estar por esta altura a falar também de coisas bonitas!</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Ffoi-ontem%2F2009%2F03" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-ontem/2009/03&text=Foi ontem" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-ontem/2009/03/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Foi boa a festa pá</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-boa-a-festa-pa/2009/03?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=foi-boa-a-festa-pa</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-boa-a-festa-pa/2009/03#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2009 09:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=829</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo Às vezes ainda me espanto como o tempo é relativo. Como um minuto pode parecer horas ou como semanas passam num instante. Os últimos dois anos foram assim. Curtinhos. Parece que foi ontem que cheguei a Cabo Verde e hoje já de lá vim. E que fiz eu um dia nas ilhas? Foi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Às vezes ainda me espanto como o tempo é relativo. Como um minuto pode parecer horas ou como semanas passam num instante. Os últimos dois anos foram assim. Curtinhos. Parece que foi ontem que cheguei a Cabo Verde e hoje já de lá vim. E que fiz eu um dia nas ilhas? Foi boa a festa pá.<br />
<span id="more-829"></span>E tão boa que quando há duas semanas me despedi dos meus amigos prometi a todos que lá voltaria, e que num outro instantinho nos voltaríamos a ver. Quero acreditar que vai ser assim, tanto mais que Cabo Verde fica tão perto que não te perdoo não teres por lá aparecido, como não me vou perdoar a mim se não regressar.<br />
Acredito que quando lá voltar as ilhas estarão diferentes, tal é o ritmo de crescimento, de construção, de novas casas, ruas e bairros. Mas acredito também que continuarão todas a ser simpáticas, simples e acolhedoras, como as deixei.<br />
Quero voltar a Santo Antão, percorrer as rua marginal de Porto Novo, descansar numa esplanada a ver o mar depois de ter chegado de um dia inteiro pelo outro lado da ilha, o lado verde, para os lados da Ribeira Grande, olhos cheios ainda da esplêndida Ponta do Sol, da estrada cortada entre penhascos que mete medo, as fábricas de grogue ali ao lado e um peixe grelhado com vista para os montes e um vale tão bonito que apetece ficar ali uma semana.<br />
Santo Antão, tens de conhecer, é imponente. Tão bonita a ilha. Tão diferente das outras, até de S. Vicente, ali ao lado, à distância de um canal. Porque Cabo Verde é assim. O que cada ilha tem de igual só mesmo os cabo-verdianos. Será? Perguntas tu. É. Digo-te eu. A Boa Vista, por exemplo, é, ao contrário, plana, com areal a perder de vista e praias tão bonitas que apetece que sejam só tuas e assim, para sempre. De tal maneira te apetece que não consegues disfarçar a irritação que te causa o saberes que em breve vão ali construir mais um hotel de várias estrelas e com tantas camas que precisarias de 13 anos e sete meses para as experimentar todas.<br />
Gostava de voltar a Santa Mónica e aquela praia ainda ser virgem, como as praias do Maio, gostava que Santa Maria, no Sal, já fosse uma vila segura, com ruas onde apetece passear, com luz e restaurantes agradáveis, e já agora que a Praia também. Só que fosse metade do agradável do que é o Mindelo já seria muito bom. É certo que a Praia não tem aquela baía, mas escusava de por isso virar as costas ao mar, ignorando até o ilhéu frente ao centro, antiga leprosaria e hoje um lugar com tantas potencialidades.<br />
E quero dar um saltinho de novo ao Fogo, almoçar a ver a Brava, ir até aos Mosteiros e depois subir a Chã das Caldeiras. Se o fizer nos próximos anos talvez ainda tenha pernas, força e vontade para subir ao vulcão. As nuvens debaixo dos teus pés e o mar imenso à tua volta.<br />
E quero aproveitar para ir à Brava. E S. Nicolau, que desta vez me escapou. E Santiago, pois então, Pedra Badejo, Tarrafal, Serra Malagueta, Ribeira da Barca…<br />
Falava verdade há duas semanas. Um dia volto.</p>
<p>Um abraço<br />
Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Ffoi-boa-a-festa-pa%2F2009%2F03" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-boa-a-festa-pa/2009/03&text=Foi boa a festa pá" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/foi-boa-a-festa-pa/2009/03/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A ilha dos gatos</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/a-ilha-dos-gatos/2009/03?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=a-ilha-dos-gatos</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/a-ilha-dos-gatos/2009/03#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 09:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=827</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo Das nove ilhas habitadas de Cabo Verde não pude conhecer duas, Brava e S. Nicolau. Também não conheci Santa Luzia, habitada, desabitada, de novo habitada e hoje sem ninguém. Passei ao lado, fumei um cigarro a apreciar as extensas praias, mas não pus lá os pés. A história que te conto hoje foi-me [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Das nove ilhas habitadas de Cabo Verde não pude conhecer duas, Brava e S. Nicolau. Também não conheci Santa Luzia, habitada, desabitada, de novo habitada e hoje sem ninguém. Passei ao lado, fumei um cigarro a apreciar as extensas praias, mas não pus lá os pés. A história que te conto hoje foi-me também contada assim.<br />
<span id="more-827"></span>Santa Luzia fica entre S. Vicente e S. Nicolau, mais perto de S. Vicente, e não é atractiva porque não tem água. A última pessoa que lá viveu foi um pastor solitário que terá morrido há cerca de 12 anos. Contaram-me que segundo o médico legista o homem morreu de morte natural, mas também me disseram que pouco tempo antes ele tinha descoberto um carregamento de haxixe lá escondido e que desatou a vender o produto para pessoal de S. Vicente. Era um corrupio de barcos a caminho de Santa Luzia, pelo que me disseram. As mesmas pessoas que admitiram que a morte natural podia ter sido um bocadinho forçada.<br />
Mas passemos à frente. O homem, a bem ou a mal, morreu há uns aninhos e ponto final. E quando isso aconteceu, ao que parece, a família meteu-se num barco, ou em vários, e foi lá buscar tudo a que tinha direito. O burro, as ovelhas e as cabras, as galinhas… enfim… tudo o que valesse a pena.<br />
Mas, por acaso ou não, deixaram inquilinos. Três gatos, donos e senhores de uma ilha cheia de lagartos, algumas aves, e um pescador ou outro de vez em quando.<br />
Os anos passaram assim e hoje, contam-me, os gatos reproduziram-se e os lagartos desapareceram. E não terá sido por magia.<br />
Mas depois aconteceu outra coisa curiosa. Os gatos, naturalmente, tornaram-se selvagens e adaptaram-se de tal maneira que a própria pelagem se tornou da cor do terreno. Podem estar a poucos metros de ti que nem os vês, ao que me disseram.<br />
E conta quem viu que aconteceu ainda esta coisa fantástica. Os gatos, que por norma gostam menos de tomar banho e de água do que os povos do norte da Europa, e que são pouco amigos de alinhar em grupos, aprenderam a pescar nas lagoas e fazem-no em conjunto.<br />
Se durante o dia não lhes pões os olhos encima, quando chega a noite deslocam-se em matilhas até às lagoas, entram nelas, e em grupo cercam as tainhas, que apanham à boa maneira dos ursos, basicamente à sapatada, ou à patada, porque a evolução ainda não chegou a tanto.<br />
Repito que não vi estes estranhos gatos. Mas achei a história interessante para te contar, tanto mais agora que se comemoram os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e que tanto se fala e vai falar do homem e da teoria da selecção natural.<br />
E quando voltar a Cabo Verde, além da Brava e de S. Nicolau, lá terei de ir a Santa Luzia. Se os gatos entretanto não criarem barbatanas e guelras. Ou asas.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fa-ilha-dos-gatos%2F2009%2F03" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/a-ilha-dos-gatos/2009/03&text=A ilha dos gatos" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/a-ilha-dos-gatos/2009/03/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Saudades do presente</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/saudades-do-presente/2009/02?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=saudades-do-presente</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/saudades-do-presente/2009/02#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 09:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=816</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo A dois dias de me ir embora aqui de Cabo Verde não se esgota o que tenho ainda para te falar deste país. Mas hoje, agora, quero apenas dizer-te o que me vai na alma. Se Armando Zeferino Soares fosse vivo ia desculpar-me que dedicasse a sua música a todos os meus amigos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>A dois dias de me ir embora aqui de Cabo Verde não se esgota o que tenho ainda para te falar deste país.<br />
Mas hoje, agora, quero apenas dizer-te o que me vai na alma. Se Armando Zeferino Soares fosse vivo ia desculpar-me que dedicasse a sua música a todos os meus amigos cabo-verdianos. E se lhe dissesse que tenho saudades do presente também me iria entender.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
<p>Quem mostro&#8217;b<br />
Ess caminho longe?<br />
Quem mostro&#8217;b<br />
Ess caminho longe?<br />
Ess caminho<br />
Pa São Tomé<br />
Sodade sodade sodade<br />
Dess nha terra d’São Nicolau<br />
Si bo t&#8217;screve&#8217;m<br />
M’ta screve&#8217;b<br />
Si bo t&#8217;squece&#8217;m<br />
M’ta squece&#8217;b<br />
Até dia<br />
Ke bo volta<br />
Sodade sodade sodade<br />
Dess nha terra d’São Nicolau</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fsaudades-do-presente%2F2009%2F02" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/saudades-do-presente/2009/02&text=Saudades do presente" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/saudades-do-presente/2009/02/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O homem das pedrinhas</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-homem-das-pedrinhas/2009/02?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=o-homem-das-pedrinhas</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-homem-das-pedrinhas/2009/02#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 09:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=812</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo É raro o dia em que não vejo um homem na subida para a Achada de Santo António a esgaravatar a calçada e a apanhar pequenas pedras, que limpa e sopra, e volta a soprar, para as guardar depois. Está lá sempre, o dia todo, mesmo à hora de maior calor, escolhendo as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>É raro o dia em que não vejo um homem na subida para a Achada de Santo António a esgaravatar a calçada e a apanhar pequenas pedras, que limpa e sopra, e volta a soprar, para as guardar depois. Está lá sempre, o dia todo, mesmo à hora de maior calor, escolhendo as suas preciosas pedras. São os loucos de Lisboa, caro amigo, mas são também os loucos da Praia. E não só.<br />
<span id="more-812"></span>Este de quem te falo, ainda jovem, conheço-o há muito dali, por onde passo pelo menos quatro vezes por dia. Já o vi algumas vezes na praia, a passear pela areia à beira mar, conversando sozinho, às vezes rindo, e de tempos a tempos dando uma valente chapada nele próprio. Ontem, pela primeira vez, vi-o de noite. Debaixo de um candeeiro, agachado, unhas cravadas no chão, buscando pedrinhas, fazendo horas extraordinárias.<br />
Dirijo até casa a pensar nele. Onde irá depois que sai dali? Onde dorme? O que come? Que vidas são estas que a noite da Praia esconde e onde se escondem? Não tem família? Amigos? Alguém que olhe por ele?<br />
E leva-me isto a falar-te de outras vidas que a Praia esconde, idênticas às que tu aqui há dias me falavas, quando me contavas do frio que fazia aí. São os que vivem na rua, que dormem em qualquer vão de escada, que comem o que calha e que o futuro é só sobreviver.<br />
O caso do Da Guiné. Não sei o nome dele porque todos lhe chamam Da Guiné. Porque veio para Cabo Verde quando a Guiné-Bissau entrou em guerra e por cá ficou. Lava carros, pede dinheiro, desenrasca-se. “Eu durmo além, naquela casa”. Apontou para a casa mas queria dizer a entrada, ali perto de um bar do Plateau, no centro da Cidade, onde ronda a entrada e saída de turistas, contando histórias tristes para os amaciar e tornar mais gorda a esmola.<br />
Cabo Verde, disse-me ainda há bem poucos dias a presidente do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente, Marilena Baessa, tem cada vez mais crianças abandonadas, agora fruto de um fenómeno novo: filhas de mães invisíveis, mulheres que dão nomes e moradas falsas na maternidade e que depois saem de fininho deixando o bebé e nunca mais dão sinal de vida.<br />
São jovens que engravidaram por acaso, que esconderam a maternidade, que têm filhos a mais e comida a menos.<br />
Aqui na Praia, só no ano passado, o Centro de Emergência Infantil acolheu 109 crianças. Mais 38 do que em 2007 e a maior parte vítimas de abandono.<br />
Marilena espanta-se. Com este fenómeno de mães invisíveis, que nunca mais ninguém encontra. Com a passividade da sociedade civil que não denuncia casos de crianças abandonadas, de crianças sem registo de nascimento, de crianças violadas, até sexualmente.<br />
Porque ela acha que os casos de abusos sexuais estão a aumentar, ainda que as denúncias tenham diminuído na mesma proporção com que aumentou o interesse da imprensa por casos desses. Porque ela acha que por ser Cabo Verde um meio pequeno é muito fácil estigmatizar uma pessoa. Porque ela acha que quem é estigmatizado é sempre a vítima e porque acontece com demasiada frequência a impunidade do violador.<br />
“Há alguns que defendem que seja uma questão cultural&#8230; Abuso sexual, pedofilia, incesto… não é questão cultural é doença da sociedade”. É a indignação de Marilena Baessa, que quer até ao fim de Março ter aqui na Praia uma casa para acolher crianças de rua, mais de 100, segundo os últimos dados disponíveis.<br />
Não é só o Da Guiné. Rondam o cais, andam pela porta do supermercado, circulam pelo mercado de Sucupira. Estou farto de as ver. Porque de dia são tão visíveis como o homem das pedrinhas.</p>
<p>Um abraço<br />
Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fo-homem-das-pedrinhas%2F2009%2F02" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-homem-das-pedrinhas/2009/02&text=O homem das pedrinhas" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/o-homem-das-pedrinhas/2009/02/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Vou para África</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/vou-para-africa/2009/02?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=vou-para-africa</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/vou-para-africa/2009/02#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 09:00:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=803</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo Fixo-me na tua última frase, da tua última carta. Continua aí por África. Cabo Verde, como sabes, como muita gente comenta, como até se sente, se vê, não é bem África. É uma mistura entre África e Europa, ou não fossem os cabo-verdianos o povo deste continente com mais sangue europeu, como em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Fixo-me na tua última frase, da tua última carta. Continua aí por África. Cabo Verde, como sabes, como muita gente comenta, como até se sente, se vê, não é bem África. É uma mistura entre África e Europa, ou não fossem os cabo-verdianos o povo deste continente com mais sangue europeu, como em tempos, recordas-te, te contei. Pois bem, caro amigo, não vou continuar por África. Vou para África. Este mês.<br />
<span id="more-803"></span> Já há algum tempo que sabia, que se falava, mas não tinha ainda colocado nestas nossas cartas a mudança, a transferência, a novidade. Dentro de precisamente um mês estou em Moçambique, de onde espero podermos continuar a nossa correspondência.<br />
De Cabo Verde restam-me mais duas semanas. Se parto com pena ou não depois te direi, te farei um balanço destes 25 meses. Mas quero agora apenas dizer-te que são difíceis estes últimos dias, perdido que estou entre as ilhas e a outra terra do lado de lá do continente. Já cá não estou mas também não estou em Moçambique. Estou aqui à espera de estar lá sabendo que quando estiver lá vou estar aqui.<br />
E à medida que passa cada dia vou pensando em coisas que é o Zé, que vai ocupar a “minha” casa, quem vai fazer, e vou imaginando outras que ainda não sei que existem mas que serei eu a tomar conta delas.<br />
É começar tudo de novo. E não é fácil. Dá sempre um friozinho no estômago, mesmo quando não é a primeira vez que se começa tudo de novo.<br />
E é começar a fechar portas, sem saber se alguma vez mais as vais abrir. É cada coisa simples a fazer-me lembrar que tenho de partir. Que já não vou comprar mais pasta de dentes ou sabonete, que as idas ao mercado do peixe, ao sábado pela manhã, acabaram, que a próxima revisão do carro já não é da minha conta.<br />
E é também, acho eu, outra maneira de olhar para a Praia, para as pessoas, para o sol e para o vento forte, as acácias, as ruas empedradas, a praia de Quebra Canela, a Achada de Santo António, a Cruz do Papa, os cafés no Trópico… as ruas do Plateau… a praia de S. Francisco…já pensei que às vezes era preferível o que aconteceu a um grande amigo que aqui arranjei: soube que ia embora dois dias antes da data de partida.<br />
Ou não. Assim tenho tempo de saborear devagarinho os últimos dias de Cabo Verde.<br />
Vou continuar a falar-te dele até à minha partida. Para África.</p>
<p>Um abraço cabo-verdiano</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fvou-para-africa%2F2009%2F02" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/vou-para-africa/2009/02&text=Vou para África" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/vou-para-africa/2009/02/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Porto Madeira</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/porto-madeira/2009/01?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=porto-madeira</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/porto-madeira/2009/01#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Jan 2009 09:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=794</guid>
		<description><![CDATA[Se é pam vivê na es mal De ca tem Quem que q´rem, Ma´n q´re morre sem luz Na nha cruz, Na es dor De dâ nha bida Na martírio de amor! (Morna Aguada, Eugénio Tavares) Caro amigo Imagina que vais milheiral fora e dás de caras com um busto, em pedra, e logo a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se é pam vivê na es mal<br />
De ca tem<br />
Quem que q´rem,<br />
Ma´n q´re morre sem luz<br />
Na nha cruz,<br />
Na es dor<br />
De dâ nha bida<br />
Na martírio de amor!</p>
<p>(Morna Aguada, Eugénio Tavares)</p>
<p>Caro amigo</p>
<p>Imagina que vais milheiral fora e dás de caras com um busto, em pedra, e logo a seguir com uma estátua a simbolizar uma deusa da antiguidade. Que segues uma estrada poeirenta, a caminho de sítio nenhum, e encontras uma árvore feita de ferro, a fazer lembrar a árvore do Ténéré, e que mais adiante te aparece uma instalação feita apenas de sapatos de múltiplas cores. Porto Madeira é assim.<br />
<span id="more-794"></span>Porto Madeira fica aqui na ilha de Santiago e é uma pequena aldeia de casas dispersas que os habitantes estão a pouco e pouco a transformar no primeiro projecto de turismo cultural do arquipélago, onde em cada esquina ou caminho há esculturas, pinturas ou instalações.<br />
Por ali moram nem chega a 500 pessoas, que há oito anos embarcaram num projecto que lhes apresentou uma filha da terra e que eles abraçaram, com o mesmo calor com que abraçam quem os visita. Senti esse carinho quando andei por lá. Sorrisos francos. Convites para entrar. Beber um copo de água, falar, descansar um pouco.<br />
As pessoas, é certo, fazem da aldeia um lugar especial. Mas não só. Por caminhos de terra chegamos a casas normais, pequenas e humildes, com pinturas nas fachadas, seguimos por um atalho de árvores pintadas e passamos por um anfiteatro feito de pedra e ladeado de palha.<br />
Andar em Porto Madeira é uma descoberta, uma surpresa em cada curva do caminho. É querer voltar com mais tempo, passar ali um dia, um fim-de-semana, uma semana talvez.<br />
Na verdade foi isso que quis Maria Isabel Alves, conhecida por Mizá (já te falei dela), também ela artista, pintora, antiga emigrante mas que viveu a infância na aldeia, numa casa que hoje está preparada para receber artistas e que se chama precisamente “Casa do Artista”.<br />
Fazer de Porto Madeira um lugar de artistas, um turismo para a cultura, onde as pessoas possam aproveitar a paisagem, entre a montanha e o mar, descansar, e, porque não, deixar um pouco da sua arte.<br />
Por ali, entre os restos dos milheirais do Verão passado, entre casinhas a ser reabilitadas, 10 ao todo, cada uma a representar uma ilha, há vestígios dessas inspirações.<br />
Mizá diz que também está a ser feita uma biblioteca, que vai haver espaço para receber muitos turistas artistas, que é preciso abrir um parque de estacionamento. Fala com entusiasmo da aldeia, do que é e do que vai ser, do “O Vale do Amor”, uma zona de esculturas de cada continente dedicadas à mulher, do “Caminho Poético”, quatro quilómetros com obras de 30 em 30 metros a terminarem numa estrutura com textos de poetas de todos os continentes.<br />
Quer “fazer de Porto Madeira uma plataforma de arte contemporânea”, um “projecto único em Cabo Verde e no Mundo, porque o Mundo não tem uma aldeia livre, com a sua população, a sua juventude, com um cruzamento de culturas, capaz de potenciar as capacidade dos artistas”.<br />
Fala sem parar. Ouvindo-a vejo já Porto Madeira daqui a uns anos, instalações, pinturas, esculturas, uma escola de arte. E acredito. Porque já hoje Porto Madeira é uma aldeia especial.<br />
Não é só Porto Madeira. Cabo Verde é especial. E Mizá não me deixa perguntar porquê.<br />
È o único país do Mundo onde um poema de amor ilustra uma nota de banco.</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fporto-madeira%2F2009%2F01" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/porto-madeira/2009/01&text=Porto Madeira" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/porto-madeira/2009/01/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>E o tio armou a tenda</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-o-tio-armou-a-tenda/2009/01?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=e-o-tio-armou-a-tenda</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-o-tio-armou-a-tenda/2009/01#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 09:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=783</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo Quando telefonámos ao tio para ir lá fazer uma entrevista ele perguntou porque não íamos a um domingo, que sempre almoçávamos e tínhamos mais tempo para conversar. Recusámos porque para domingo ainda faltava muito e tínhamos pressa. Agora acho que devia ter passado um domingo com o tio. O “tio” é Honório Fragata, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Quando telefonámos ao tio para ir lá fazer uma entrevista ele perguntou porque não íamos a um domingo, que sempre almoçávamos e tínhamos mais tempo para conversar. Recusámos porque para domingo ainda faltava muito e tínhamos pressa. Agora acho que devia ter passado um domingo com o tio.<br />
<span id="more-783"></span>O “tio” é Honório Fragata, um angolano há 30 anos radicado em Cabo Verde, em tempos alcoólico, metido no historietas e cambalachos, hoje um homem baixinho, a atirar para o forte, conversador e uma boa, muito boa pessoa.<br />
Depois de se ter curado dos maus vícios começou a pensar que podia começar ele mesmo a fazer também alguma coisa pelos outros. E se bem o pensou melhor o fez, porque às vezes vale mais uma grande vontade do que um punhado de dinheiro. Mexeu-se, falou com pessoas e à falta de melhor montou duas tendas aqui no interior de Santiago, o primeiro centro de apoio a toxicodependentes que Cabo Verde viu.<br />
No início, contou, tinha “um camping gás e panelas” e o apoio mensal de cerca de 100 euros de uma igreja brasileira, ao qual se juntou depois mais outro tanto em alimentos, por parte da Cruz Vermelha de Cabo Verde.<br />
Hoje Honório Fragata é o tio de 35 jovens, do sexo masculino, entre 12 e 60 anos, mas já chegou a ter ali mais de 60 ao mesmo tempo. As tendas, essas, também se multiplicaram e são cerca de uma dúzia, tendas do exército, com capacidade para acolher até quatro pessoas.<br />
As tendas El Shaddai, assim se chamam, são conhecidas no país inteiro, como o tio Honório. E este homem já não se limita a acolher toxicodependentes ou alcoólicos, agora tem também com ele seropositivos e ultimamente órfãos de pais com Sida. Basicamente recebe de braços abertos aqueles que, por alguma razão, ou várias, ninguém quer.<br />
Estive lá numa manhã de chuva miudinha. Aguardei pelo tio no telheiro de uma casa de tijolo, entretendo-me a brincar com um cão enquanto via, do lado direito, quatro jovens a preparar o almoço numa grande panela ao lume. A fogueira servia também para, de vez em quando, aquecerem as mãos.<br />
Depois Honório Fragata chegou, mostrou-me a única casa a sério e as tendas, a oficina, o ginásio, a horta, a carpintaria e o centro de convívio que serve também de igreja e que é uma espécie de coreto, com telhado de palha, no meio do acampamento.<br />
Falou muito. Contou da sua vida, da vida do jovem que não o largava, meio criança, deficiente mental, que encontrou pelas ruas perdido de bêbado, porque havia sempre alguém que o embebedava para se rir dos disparates que um jovem deficiente e bêbado era capaz de fazer. Contou dos primeiros tempos, de quando tinha apenas ali dois toxicodependentes, dos muitos que por ali já passaram, dos que se recuperaram, que estudaram, que saíram do país, e que ainda hoje lhe escrevem.<br />
“Neste momento tenho alguns que até já estão fora a estudar. Temos outros que ainda frequentam o ensino secundário. A disciplina é fundamental. Aqui sabem que as regras são para ser cumpridas. Sabem que não são obrigados a estar aqui, mas casos de violência ou uso de drogas aqui dentro na segunda vez a pessoa é expulsa”.<br />
Honório não tem nenhum método especial de cura. As tendas são abertas, construídas em espaço aberto, entra quem quer, sai quem o deseja. Trabalha-se, estuda-se, reza-se, convive-se, pratica-se desporto. Em três meses, se quiserem, sairão dali para uma vida melhor.<br />
Até agora, pelas contas do tio, passaram por ali cerca de 700 pessoas. Desses, Honório diz que 35 por cento conseguiu deixar as drogas.<br />
“Mas mesmo que fosse apenas um já teria valido a pena”. Di-lo com tanta sinceridade, com tanta força, que eu acredito. Um domingo destes telefono ao tio.</p>
<p>Um abraço<br />
Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fe-o-tio-armou-a-tenda%2F2009%2F01" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-o-tio-armou-a-tenda/2009/01&text=E o tio armou a tenda" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/e-o-tio-armou-a-tenda/2009/01/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Às vezes é preciso tão pouco para construirmos os nossos sonhos</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/as-vezes-e-preciso-tao-pouco-para-construirmos-os-nossos-sonhos/2008/12?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=as-vezes-e-preciso-tao-pouco-para-construirmos-os-nossos-sonhos</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/as-vezes-e-preciso-tao-pouco-para-construirmos-os-nossos-sonhos/2008/12#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 18 Dec 2008 09:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=744</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo Não te respondo eu daqui com outro mistério mas é quase um aquilo que Augusto Vaz faz (fica mal… Vaz… faz… mas o homem faz, que hei de eu fazer? oops… escrever?). De folhas de milho faz escravos, de cascas de bananeira peixeiras, de pedaços de árvore tocadores de funaná, de vidros surfistas. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Não te respondo eu daqui com outro mistério mas é quase um aquilo que Augusto Vaz faz (fica mal… Vaz… faz… mas o homem faz, que hei de eu fazer? oops… escrever?). De folhas de milho faz escravos, de cascas de bananeira peixeiras, de pedaços de árvore tocadores de funaná, de vidros surfistas. Não, não é milagre, é paciência e jeito. Bem haja.<br />
<span id="more-744"></span>“Gosto de trabalhar com desperdícios, coisas recicláveis. Sou de uma família de agricultores e trago para casa material do campo, como casca de milho”. Também gosto da filosofia de Augusto, 35 anos, que encontrei um principio de tarde destes numa vila aqui de Santiago.<br />
Foi militar, até tentou seguir essa carreira, mas o que gosta mesmo é de fazer bonequinhos, cenas do quotidiano de Cabo Verde, do seu imaginário, de episódios contadas pelos mais velhos, da História enfim.<br />
As ferramentas são essencialmente as mãos, alguma cola, alguma tinta. E pronto, o homem sonha, a obra nasce. E nasce ali à porta de sua casa, numa esteira no chão, aquilo que por agora constitui o seu atelier.<br />
“São todos materiais que não servem para nada”, que “podem ser prejudiciais ao ambiente” e “assim aproveito para fazer coisas melhores mais bonitas”, diz-me enquanto mostra uma lavadeira feita de folhas de milho, cabelo e tudo. Bonito.<br />
Ela e os outros vão ficar ali, à espera dos turistas que ao fim-de-semana passam em carros a caminho do Tarrafal, porque os seus compatriotas gostam mas não compram.<br />
O dinheiro até ajuda a pagar os estudos, porque Augusto quer formar-se em artesanato, porque já perdeu demasiado tempo a deixar o seu sonho para trás, porque o pouco dinheiro é compensado pelo muito prazer.<br />
“Porque o que gosto mesmo é isto, fazer estas coisas”, porque em criança já fazia carrinhos de lata, para vender a outros, que não tinham o mesmo jeito.<br />
É este o mundo e o sonho do Augusto. Rodeado de lavadeiras, peixeiras, carros de bois, mulheres a moer o milho. Já fez mais de 150 miniaturas, todas originais, peças únicas em todo o arquipélago.<br />
E não tem dúvidas de que é aquele o seu mundo. “Desde pequeno, no ciclo, na disciplina de trabalhos manuais, tinha talento, as pessoas motivavam-me. Quero formar-me em artesanato, quero mostrar o meu trabalho”. Eu oiço o seu entusiasmo e quero também que ele se forme em artesanato, quero que mostre o seu trabalho, quero que tenha um sítio de verdade para trabalhar e não apenas aquela simples esteira, no chão da porta de casa.<br />
Mas não desdenhemos a esteira. É dali que saem as suas criações, é nela que, especialmente aos fins-de-semana, vende a turistas a caminho do Tarrafal um boneco que já foi milho, por cinco ou 10 euros.<br />
E é nela que Augusto Vaz está a construir, a pouco e pouco, o seu sonho. Às vezes é preciso tão pouco para construirmos os nossos sonhos, não é?</p>
<p>Um abraço</p>
<p>Fernando Peixeiro.</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fas-vezes-e-preciso-tao-pouco-para-construirmos-os-nossos-sonhos%2F2008%2F12" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/as-vezes-e-preciso-tao-pouco-para-construirmos-os-nossos-sonhos/2008/12&text=Às vezes é preciso tão pouco para construirmos os nossos sonhos" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/as-vezes-e-preciso-tao-pouco-para-construirmos-os-nossos-sonhos/2008/12/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cesária? Qual Cesária?</title>
		<link>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/cesaria-qual-cesaria/2008/12?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=cesaria-qual-cesaria</link>
		<comments>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/cesaria-qual-cesaria/2008/12#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 09 Dec 2008 09:01:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando Peixeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://atlantico-expresso.net/?p=733</guid>
		<description><![CDATA[Caro amigo Se perguntarmos a cada português onde fica Cabo Verde, quantas ilhas tem e qual a capital, quantos achas que conseguem responder? Há dias, num concurso que dá aí e que passa na RTP-África, perguntava-se em que ilha fica a capital, Cidade da Praia. As hipóteses eram três. E os três carolas, que é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caro amigo</p>
<p>Se perguntarmos a cada português onde fica Cabo Verde, quantas ilhas tem e qual a capital, quantos achas que conseguem responder? Há dias, num concurso que dá aí e que passa na RTP-África, perguntava-se em que ilha fica a capital, Cidade da Praia. As hipóteses eram três. E os três carolas, que é um concurso de cultura geral, não acertaram. Estou convencido de que se pedires a cada português que diga o nome de um cabo-verdiano conhecido 99 por cento dirá Cesária Évora. Hoje falo-te dela.<br />
<span id="more-733"></span> Cesária Évora, a ilustre filha das ilhas, não vive nelas e aparentemente nem sequer gosta delas. É certo que tem uma casa no Mindelo, onde por vezes passa férias, mas é publico que é em Paris que gosta de estar, que de Cabo Verde, ao que parece, só tem más recordações, quando cantava pelos bares do Mindelo, a troco de quase nada, quando a sua voz era ignorada e o seu talento humilhado. Depois pronto, é o costume, foi descoberta, começou a cantar na Europa e tornou-se a grande mulher que ainda é hoje.<br />
Grande não de tamanho, que Cesária é pequenina. E está muito velha. Cantou há dias aqui na Cidade da Praia, a tal capital de Cabo Verde, que por acaso fica na ilha de Santiago. E já agora o Mindelo fica na ilha de S. Vicente.<br />
Pois, dizia, eu e mais muitas centenas lá fomos ouvi-la. Anfiteatro da Assembleia Nacional cheio, muitas palmas quando se abriu o pano e a banda começou a tocar, mais palmas ainda quando ela entrou no palco.<br />
Julgas que, em algum momento, disse “boa noite”, ou uma mentirinha do género “que bom estar aqui a cantar em Cabo Verde”?. E sabes há quanto tempo ela não cantava na Praia? Nem eu. Pelo que me disseram pelos menos uns 15 anos.<br />
Cesária, toda a gente sabe, não brinda pela simpatia. Mas caramba… ao fim de 15 anos, cantar na capital do seu país, entrar “muda” e sair assim, “calada”, como se não estivessem ali não sei quantos conterrâneos seus, muitos que por certo nunca a tinham visto…<br />
E mesmo quando um dos músicos se aproximou e ensaiou na sua frente uns passos de dança Cesária ficou na mesma. Recusou a dança, cantou sem se mexer (além dos lábios) e só quando, pelo meio do concerto, apresentou os músicos é que me parece que alegrou um pouco a voz quando disse que eles ficavam a cantar e que ela ia fumar um cigarrinho.<br />
Assim fez, sentou-se perto do pianista, acendeu um cigarro, bebeu um pouco de água, limpou a cara com um pano, fumou o cigarro, bebeu mais água, limpou de novo a cara, levantou-se e cantou, naturalmente bem, até ao fim. E depois foi-se embora. Sem um adeus, sem dizer boa-noite, sem um aceno. Minto… um rápido aceno quando as pessoas protestavam por ela não cantar mais. Não sei se de despedida se como que a dizer “deixem-se lá disso que eu vou à minha vida”.<br />
Na voz não lhe notei mágoa nem raiva. Cantou bem. Continua a ter uma excelente voz aquela mulher. Mas no corpo e nos gestos, isso sim, uma total indiferença por estar em Cabo Verde.<br />
Se um dia, aí na rua, me pedirem para dizer o nome de um cabo-verdiano conhecido vou esquecer-me de Cesária Évora. E sabes uma coisa? Acho que ela se está a marimbar para que a liguem, ou não, a Cabo Verde. E sabes outra? Amor com amor se paga. Nestes dois anos que levo daqui contam-se pelos dedos as vezes que a ouvi cantar na rádio.</p>
<p>Um abraço<br />
Fernando Peixeiro</p>
<script src="http://connect.facebook.net/en_US/all.js#xfbml=1"></script><fb:like href="http%3A%2F%2Fatlantico-expresso.net%2Fcabo-verde%2Fcesaria-qual-cesaria%2F2008%2F12" send="true" width="450" show_faces="true" font=""></fb:like><div class="twttr_button">
				<a href="http://twitter.com/share?url=http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/cesaria-qual-cesaria/2008/12&text=Cesária? Qual Cesária?" target="_blank" title="Click here if you liked this article.">
					<img src="http://atlantico-expresso.net/wp-content/plugins/twitter-plugin/images/twitt.gif" alt="Twitt" />
				</a>
			</div>]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://atlantico-expresso.net/cabo-verde/cesaria-qual-cesaria/2008/12/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
<!-- This Quick Cache file was built for (  atlantico-expresso.net/arquivo/cabo-verde/feed ) in 0.42827 seconds, on May 18th, 2012 at 7:31 pm UTC. -->
<!-- This Quick Cache file will automatically expire ( and be re-built automatically ) on May 18th, 2012 at 8:31 pm UTC -->
