Archive for the 'Cabo Verde' Category

Caro amigo

Não é que esteja chateado, nem triste, nem sequer bêbado. Também não me vou levantar às quatro da manhã. É só uma questão de clima mesmo. Hoje estou cansado e vou direitinho dormir. Tive um dia movimentado, por aí à procura dos candidatos a autarca, que pode parecer estranho mas são difíceis de encontrar. São como os polícias. Quando queremos um não o encontramos, quando não precisamos tropeçamos neles.

Caro amigo

Visto que persistes nesse teu mutismo, a não ligares nenhuma às minhas cartas, calado que nem um rato, venho só dar-te um conselho. Andas cansado? Com muito trabalho? Sem vontade? Desinspirado? (Ando a inventar palavras agora). Aborrecido? Começa a levantar-te às quatro da manhã e vai dar um mergulho à praia. Aqui funciona. Parece.

Caro amigo

Andas tu muito calado por aí. Se fosses uma criança diria que, com tanto silêncio “ou já a fizeste ou estás para a fazer”. Asneira, claro está. E por falar em asneira… sabes que ontem foi mais um barquito ao fundo, aqui no arquipélago? Dramático! Afundam mais rápido do que num jogo da batalha naval!

Má sina

Caro amigo

Não sei bem o que te posso dizer hoje, tanto mais em que à hora que te escrevo não tenho Internet outra vez, coisa banal por aqui, como sabes. Mas também, a um domingo, terás coisas mais importantes para fazer, agora que o tempo está bom. Por cá, poderei estar na praia, a dormir, numa esplanada ou sei lá eu. Mas na Praia estarei, por certo. Com ou sem comunicações.

Caro amigo

Poderia fazer-te uma dissertação sobre o trabalho, o tal que dignifica o homem…e a mulher, porque hoje é o dia desses pobres esforçados, mas prefiro falar-te antes de outros pobres esforçados. Mais precisamente 2030. Começaram há umas horas num frenesim de 15 dias, a ver se ganham as 22 câmaras de Cabo Verde. Aqui não há dezenas de manifestações nem protestos contra baixos salários, só campanha eleitoral. E tinha de te falar disto, porque é isto o que está a dar pelas ilhas.

Caro amigo

Hoje vou continuar à volta do mesmo assunto da carta passada. E vem a propósito que está cá, desde ontem, o presidente da ASAE, António Nunes, que vem aqui assinar uns protocolos de cooperação. Chegou ontem, mas se tivesse poderes para isso acho que ainda estaria no aeroporto, para aí no terceiro livro de multas.

Caro amigo

A esta hora que me estás a ler, se o fizeres pela manhã , a Praia é uma cidade a dormir, porque a festa, à hora que te escrevo, está para durar. Mas não é dela que te vou falar, antes do filme A ilha dos escravos. E por falar em Para durar…Imaginas que passei quatro horas naquela sala? Manoel de Oliveira ficaria roído de inveja não achas?

Caro amigo

Escrevo-te no dia em que começam por aqui os festivais de Verão, hoje o da Gambôa, aqui mesmo na Praia, e lá mais para o Verão os de S. Vicente e do Sal. Pensei também escrever-te sobre o Rui. Mas dizer o quê que não tivesses dito já? Só me lembrava de uma frase que sempre ouvi à minha avó: nós não somos nada!

Caro amigo

Não sei se é política isto de que te estou a falar hoje. Sei que é um assunto que me faz alguma confusão, até pela persistência com que surge por aqui. E não penses que é a imprensa que o levanta. São os políticos mesmo, os ditos com responsabilidade. Falamos de narcotráfico e ligações ao poder.

Caro amigo

Podia falar-te da campanha eleitoral aqui, de mais um episódio das acusações entre os dois maiores partidos, de Jorge Santos, da oposição, acusar o governo de gastar 22 mil contos do erário público em campanha eleitoral. Mas não quero. Cansa-me a política. Deixa-me falar-te de Césaire.




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