Archive for Abril, 2009

Caro amigo
Vou hoje começar por te dizer uma coisa óbvia. Duas. A primeira é que não sou africano e a segunda é que nunca vou ser especialista em assuntos africanos, tanto mais que estou cá há pouco tempo e não vou ficar assim tanto. Mas olha, na minha inocência acho que entra pelos olhos dentro, [...]

Caro amigo
Alguma vez te passou pela cabeça que uma mulher que não pode ter filhos pode tornar-se fértil usando um cinto feito de pénis de crianças? Acredita que isso aqui já passou pela cabeça de algumas pessoas. Infelizmente as suficientes para de vez em quando morrer gente para alimentar crenças deste género. Agora mesmo pode [...]

Caro amigo
Em Maputo os dias estão cada vez mais curtos. Enquanto aí está a chegar o calor aqui é altura de começar a procurar mantas para as longas noites, quando o sol desaparecer pouco depois das quatro da tarde. Esta noite, quando te escrevo, vou voltar a Cabo Verde, para te falar do preço dos [...]

Caro amigo
Soube desde que cheguei que, aqui sim, era África a sério. Em Cabo Verde, os próprios cabo-verdianos, dizia-se muitas vezes que o arquipélago, apesar da geografia, era meio europeu. Aqui, em Moçambique, quando falamos que os crocodilos mataram só este ano 24 pessoas estamos a falar de África a sério.

Tradicional Fernando,
vem uma família da Suiça mostrar como se chega ao alto da montanha e depois até água lhe recusam. Acabei de ler no jornal e não consigo esconder o desânimo por cá se tratar de forma tão despudorada quem investe no futuro. Meta-se um grupo sem rosto a fazer projectos turísticos em zonas protegidas [...]

Caro amigo
Três quilómetros de comprimento e 300 a 400 metros de largura. É isto a Ilha de Moçambique, uma língua de terra a rebentar de gente, onde as praias são as casas de banho e onde quase todos os edifícios ameaçam ruína. Não se percebe onde está o encanto. Mas está.

Taberneiro Fernando,
as fotos têm a crueza do preto e branco. Nas tabernas é a alma que sobressai. É um mundo fechado. Cheio de prazeres e contradições. Os rostos, os objectos, entram-nos pela vista. Eram o centro do mundo mesmo sem largo. Entrava quem queria, ficava quem podia. Um filtro de homens. As mulheres só atrás [...]




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