Archive for Setembro 21st, 2008

Caro amigo

Fim-de-semana. Máquina fotográfica nova, claro. Lá fui eu, com gente amiga, dar uma volta pela ilha, para te confirmar aqui que Santiago está mesmo verde, embora a falta de chuva possa matar parte desta gigantesca plantação de milho e feijão onde estamos a viver. Aqui é mesmo assim. Chove, semeia-se febrilmente, continua a chover, a ilha veste-se de verde, chove um pouco mais, as plantas crescem, a alegria também, e a esperança. E um belo dia as nuvens ficam só aí à volta, nós cá na terra de nariz para o ar, a farejar cheiro a água, e de ela nada. Rodeiam a ilha, metem um ar pesado, escurecem o céu, ameaçam uma bela bátega, e depois passam serenas, como se o milho não merecesse mais uma hipótese e tenha de morrer assim, a meio de crescer. Alguns tiveram sorte, semearam cedo. Ainda ontem vi umas espigas já “espigadotas” e há dois dias experimentei a colheita do ano.
Outros, como os que semearam todo o campo de futebol ali para os lados de Pedra Badejo, talvez vejam a colheita morrer se não chover por estes dias.
Passei por lá ontem e já se nota que a teimosia das nuvens vai dar maus resultados. Mas depois do Tarrafal regressei a casa pela serra, onde o verde ainda é viçoso e se calhar a maior parte da colheita já se salva. Há milho. Há milho. Com as nuvens a escassear cada vez mais valha-nos isso, porque este povo, como já uma vez aqui te disse, também bem o merece.




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