Archive for Agosto, 2008

Refastelado Fernando,

quando começou a guerra na Geórgia fui aqui à estante reler o que escrevera sobre aquele país o falecido grande repórter Ryszard Kapuscinski no livro “O Império” quando por lá passou em 1967, em pleno vigor da depois extinta União Soviética. Lembrava-me que o destaque principal era sobre a forma como os georgianos faziam conhaque. Esquecera-me do pormenor de que a célebre aguardente - nascida por aquelas bandas do Cáucaso (é a bebida nacional na vizinha Arménia), onde a humanidade também deu os primeiros passos – é avessa a agitações e violências.

 foto de omar camilo para lusa

Caro amigo,

demorei algum tempo a responder-te que tenho estado a pensar em quem seria o homem de bigodinho, alemão, que falaste. Tem mesmo de ser de outro país que em Cabo Verde não é costume encontrar homens de bigode. E olha… mulheres ainda menos. E barba igual, nem eles nem elas. Cabelo curto quase sempre, mais eles que elas. Há tempos conheci um que tem barba e bigode. Vasco. Músico.

Distendido Fernando,

ouvi uma mulher a chorar em directo na televisão.Telefonou para um daqueles programas de desabafos que se chamam sugestivamente Opinião Pública e lavou-se em lágrimas. Disse que era brasileira e estava num farrapo. O assalto a um banco em Lisboa realizado por conterrâneos agravaram-lhe ainda mais o sentimento de segregação que já vinha sentindo pelo sotaque. É assim que se vive na União Europeia, no século XXI. E muito pouca gente se importa. Acho que a maioria até elogia, a avaliar pelo que se lê na Internet.

Caro amigo

Se há tipos de pessoas sobre as quais não gosto muito de te falar nas minhas cartas os políticos é um deles. Mas hoje não resisto a citar-te o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves. Há três dias pediu ao povo que deixasse de comer carne de tartaruga. É que de tartarugas sim, de essas gosto de falar.

Veraneante Fernando,

amor, duas bicicletas e uma espécie de tenda. Isso mesmo: uma receita diferente da habitual, mas que apresenta resultados surpreendentes: o casal andou quatro anos nas máquinas de pedalar, que resistiram admiravelmente e tudo se prolongou por longos 38 mil quilómetros. Começou na Suiça e acabou na Tailândia.




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