Archive for Março, 2008



Tolerante Fernando,

olha primeiro para a fotografia que te envio. O Carnaval já passou, não há manifestações de violência, deve ser uma brincadeira, pensarás tu. Mas não! É uma situação real de uma adolescente de 19 anos que gosta de andar assim presa por uma trela e ser passeada pelo namorado como se de um cão se tratasse. E, alegam eles, ninguém os pode impedir, porque que o fizer está a interferir na liberdade individual dos cidadãos. Isto passa-se no Norte de Inglaterra e foi noticiado na imprensa de lá, incluindo a BBC. “Comporto-me como um animal e tenho uma vida bastante calma. Não cozinho nem faço limpezas e não vou a lado nenhum sem o Dani”, disse a rapariga ao jornal Daily Mail, justificando a situação, para a qual fui alertado pela Maria João, citando uma notícia do PortugalDiário. E não penses que estou a ironizar por ires ler este texto no Dia Internacional da Mulher…

Caro amigo

Às 15:30 de domingo Omar Camilo, fotógrafo, caminha pela rua no Palmarejo, um dos bairros mais ricos da Cidade da Praia, quando é assaltado. Levam-lhe o bem mais precioso, o que lhe serve de sustente, a máquina fotográfica. À mesma hora, uma televisão preparar-se para exibir um filme que ainda não há muito tempo entrou no circuito de vídeo.

Corajoso Fernando,

voltei à “cidade” e garanto-te que se por aí há quem vá para a praia de pistola nas cuecas, aqui quem se queira proteger mesmo da violência deverá ir comprar um colete à prova de bala e dirigir-se a um dos vendedores clandestinos que dizem haver por aí aos magotes para adquirir uma daquelas metralhadoras à “Rambo”, umas fitas de munições para a abastecer e assim conseguir ter alguma paz de alma.

Jabba the Hut

Caro amigo

Lembras-te das italianas que mataram aqui na ilha do Sal? Há mais de um ano? Foi fácil localizar os responsáveis, que até confessaram, logo no dia seguinte, mas o julgamento ainda nem começou. Não se entende porquê mas que se parece muito à Justiça portuguesa lá isso parece.

alqueva-1.jpg Contemplativo Fernando,

passam alguns minutos da meia-noite. Está escuro como breu e um céu estrelado, verdadeiramente com inúmeras estrelas. Silêncio absoluto. Apetece ficar ali a olhar para cima e a contemplar o universo que nos cobre como uma abóbada sem fim, fascinante como não se consegue ver nas cidades, devido ao excesso de luz que emanam e ofuscam as estrelas. O olhar desce e pára na água, completamente inerte. Estão ali reflectidas as mais brilhantes das estrelas do céu como nunca vira. A albufeira de Alqueva, o maior lago artificial da Europa, torna-se, numa noite assim, de Primavera antecipada, também no maior espelho do Velho Continente.

Com amistad

Caro amigo

Sem o ser, o navio Amistad ficará para a história como um dos mais famosos navios negreiros, pela mão de Steven Spielberg. Uma réplica aportou este fim-de-semana, ontem, ao porto da Praia e foi um folclore. Também lá estive, a ver o barquito e à conversa com um descendente directo de Sengbe Pieh, que esteve na liderança da revolta do veleiro, em 1839.

Crítico Fernando,

escrevo-te destroçado, politicamente falando, claro. O que retive esta sexta-feira no discurso do primeiro-ministro, além dos previsíveis anúncios de estradas, foi a palavra “absolutamente”, dita até à exaustão. Depois de ter ouvido o presidente do maior partido da oposição revelar, como maior preocupação, o facto da RTP ter publicidade e ele prometer acabar com os anúncios se for eleito chefe do próximo governo.

Estremeci e ainda não me recompus. O presidente do PSD, que já jurou publicamente abandonar a política, quando lhe estendem a passadeira na televisão sai-se com esta máxima: acabar com a publicidade da RTP. Achará que esta é a questão que ensombra o acordar diários dos portugueses.




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