Archive for Março, 2008
Caro amigo
Lembras-te do tal grogue de que te falei? Que comprei em Santo Antão? É muito bom! Perdão, era. E não fui só eu que achei. O vinho também. Ai!
Um abraço
Fernando Peixeiro
Pacato Fernando,
estarás mais do que informado sobre notoriedade que ganhou a agressão de uma aluna do 9º ano de uma escola do Porto à professora que lhe quis tirar o telemóvel na sala de aula. Foi já tornado num caso de polícia, com o procurador-geral da República a meter-se no barulho e queixas em tribunal da docente contra a protagonista daquele condenável episódio, o colega que filmou e o resto da turma, que assistiu impávida.
Caro amigo
Depois da tua última e triste carta fiquei sem saber que te dizer. Sinto vergonha de te falar da bela ilha de Santo Antão, das suas duas encostas, uma pelada e outra cheia de pinheiros, das estradas íngremes e estreitas, entre montanhas. Depois de ler a tua carta prefiro falar-te… olha… de aguardente.
Calejado Fernando,
sem me cruzar com personagens ímpares como esses que encontras aí pelo arquipélago, vou observando e vivendo a realidade menos interessante que perdura por aqui. E hoje venho contar-te uma história: a de um homem que ficou optimista por uma noite depois de ouvir os governantes dizerem que, depois de feitas as contas, o Instituto Nacional de Estatística concluíra que o Estado anda a diminuir o défice e a gastar menos, embora as receitas ainda sejam superiores às despesas em mais de dois por cento.
Mais um grande cabo-verdiano
0 comentários Publicado por Fernando Peixeiro 27 Março 2008 em Cabo Verde.Caro amigo
Já jogaste o Sim City? Em que crias e geres uma cidade? O bom, como de qualquer jogo, é que quando te fartares reinicias e começas tudo de novo. Agora uma vida? Começar do zero assim tipo aos 20 e tal anos? Não te parece fácil. Vou contar-te um caso.
Um bufo em cada esquina…
0 comentários Publicado por António Martins Neves 26 Março 2008 em Portugal.
Distanciado Fernando,
a canção diz “Em cada esquina um amigo”, mas quando regressares ao teu país, se fossem levadas a peito as regras que a Direcção-Geral de Impostos decidiu aplicar a quem se casar, serias confrontado com “um bufo em cada cruzamento”. Querem agora que sejamos nós, os que pagamos impostos, a denunciar os incumpridores, em vez de serem os inspectores do fisco a detectá-los. Com uma agravante: se não o fizermos, seremos multados. A polémica explodiu por causa das empresas que formam essa próspera indústria dos casamentos, mas se o princípio faz escola (o que não se pode excluir), quando o distraído peão vir um carro em cima do passeio vai ter que telefonar à polícia para multarem a viatura. Se não o fizer, pagará ele.
Caro amigo
Lembras-te de Lisboa há uns anos? Quando não havia esplanadas junto ao rio? Quando nem sequer vias o rio se não tivesses a sorte de viver numa daquelas casas na encosta da cidade? A Praia é assim, de costas para o mar. O Mindelo é a Lisboa de hoje, aberto não ao rio mas ao mar. A cidade bonita. E se calhar graças, imagina, à Praia.
O “regente” Luís Morais e outras músicas
1 comentário Publicado por António Martins Neves 20 Março 2008 em Portugal.
Sortudo Fernando,
a propósito dessa digressão pelo arquipélago de Cabo Verde e pelos teus elogios à cidade do Mindelo, recordei-me que há uns anos conheci aqui em Lisboa um homem que vivia nessa ilha de S. Vicente. Trabalhava na Rádio Nacional e veio frequentar um curso a Lisboa, ao Centro de Formação de Jornalistas - CENJOR, com outros profissionais de informação de países africanos de expressão portuguesa. Chamava-se Luís Lobo e tinha sido o antecessor do conhecido Ildo Lobo como vocalista da famosa banda cabo-verdiana “Os Tubarões”.
Caro amigo
Aos domingos a banda toca no coreto, vestida de branco, e as pessoas passeiam pelo jardim. Pela baía andam barcos de pesca, alguns iates e um grande navio de cruzeiros. As pessoas são muito mais simpáticas, “muito dadas”, como dizia alguém aqui. Tens de vir ao Mindelo.
Jornalista Fernando,
no domingo, o jornal Público trouxe a biografia do Salazar. Já ofereceu a da Natália Correia anteriormente, do Fernando Pessoa, do Amadeo de Souza Cardoso. Mas foi nuns caderninhos todos pipis, escritos por Paulo Marques (não tive oportunidade de ir ver quem é). Mas nesta segunda-feira dedicam 10 (dez!) páginas a Alberto João Jardim, que cumpre 30 anos à frente do Governo Regional da Madeira. Faltam-lhe 18 para atingir o recorde do “botas de Santa Comba Dão”, que também era eleito da forma que ele decidia. Mas como tu andas a viver experiências bem mais interessantes do que saber que a Madeira tem uma centena de túneis mas onde a oposição diz que população emigra para o Reino Unido e para a Suíça para fugir ao desemprego, recordei-me de outros tempos, quando ser repórter aqui era como agora aí.


